Luiz Geraldo Mazza
Mais fermento no bolo
Pela inabilidade do governo, um tanto quanto arrogante depois da vitória em Londrina, estamos com uma crise séria na Polícia Militar. Quanto maior for a demora para neutralizá-la, mais fermento haverá. Um documento, datado de 25 de novembro, e cuja divulgação foi contida pelo coronel Mainguê, assinado pelos comandos de unidades (nove ao todo), aflorou nos meios de comunicação em solidariedade ao coronel Honório Bortolini.
Só falta agora o Gerson Guelmann, com aquela postura de diplomata, e Giovani Gionédis, hábil esgrimista, no empenho generoso e até compreensível de se mostrarem fiéis a Lerner, engrossarem o caldo com novas declarações temerárias.
Para complicar, o líder do governo, Algaci Túlio, ainda declamando o ser ou não ser do Hamlet, na dúvida entre o mandato e a vice-prefeitura, que deveria ser igualmente contido, como se estivesse terçando prestígio com seu colega de parlamento e microfone, o Ricardo Chab, pede nada mais nada menos do que a cabeça do secretário-chefe da Casa Militar, coronel Vieira. Esse tipo de remédio é mais forte do que a doença e apenas torna elástica a crise, ainda que pretenda removê-la.
Os últimos governos, nascidos da resistência, à exceção do de Richa, que até tornou possível a eleição de um ex-comandante para deputado estadual (Raul Lopes), não souberam conviver com a PM. Álvaro Dias, por exemplo, se viu obrigado a destituir, de uma só vez, o comandante da corporação e seu chefe do Estado Maior, isso no início da gestão.
Depois, na sequência, teve aquele evento do Centro Cívico em que tentou eximir-se de responsabilidades nos atos operacionais que se tornaram indispensáveis pela aproximação dos professores de áreas estratégicas do Palácio Iguaçu, preparados para o circo da ocupação, como já haviam feito na Assembléia Legislativa, pela cumplicidade demagógica da comissão executiva da Casa.
No governo Requião não foram poucos os problemas, inclusive denúncias graves, como a do superfaturamento de helicópteros e os casos do convênio com o Banco do Brasil (dinheiro vivo ao invés de gasolina repassado à PM e com prestações de contas irregulares), a aquisição de dezenas de milhares de sapatos apontada como viciada e também a dos rádios transceptores. Tudo isso, porém, é refresco perto da tragédia de Campo Bonito, no encaminhamento de risco das questões da terra e com a morte de três milicianos e do líder sem-terra Teixeirinha.
Ressalte-se o espírito generoso do coronel Daniel Mainguê, ao perceber a delicadeza do quadro, demitindo-se da função para facilitar a pacificação interna, clima já percebido ontem mesmo na posse do coronel Sérgio Tippa, no Comando do Policiamento da Capital.
O que torna a crise atual, caricatural, é o amadorismo com que foi tratada uma questão menor. Dá para imaginar Lerner, na presidência da República, tirando o comandante militar do Planalto por causa do apelo de um parlamentar do Maluf que teria discordado da forma como se deu o desfile da Independência. Ora, desfile para dar em bronca tem que ser, no mínimo, o de Miss Paraná. É mediocridade demais para ser tolerada.
BIZARRICE - O bucolismo e a singeleza do viver no interior permitem situações como a vivida, domingo passado, em Santa Tereza do Oeste: o prefeito Francisco Menin desafiou o seu colega de Cascavel, Fidelcino Tolentino, na inauguração da cancha reta. Bons cavaleiros, Menin levou a primeira das carreiras, perdeu a segunda, mas venceu a negra. Enquanto políticos davam essa mostra de civilidade, um secretário da prefeitura de Francisco Beltrão tumultuava o concurso de Miss Paraná em Curitiba, mostrando-se indomável.
SPRAY - Apoio formal dos comandantes das unidades operacionais de Curitiba e Região Metropolitana na Polícia Militar é um documento de coleguismo da maior qualidade: Todas e quaisquer falhas do CPC, que possam ser objeto de reprimenda social, atinge-nos proporcionalmente em cada atividade em que somos responsáveis. - Depois da atual crise, as relações entre governo e PM devem ser revistas e profundamente. Saída do coronel Mainguê ou do Vieira, como quer Algaci Túlio, não soluciona impasse. O caso exige reengenharia política. - Em função das nove indústrias-âncora que virão à Grande Curitiba, apoiadas em mais 40 satélites, a Copel se viu impelida a redimensionar a canalização de gás da Compagás, pressionada pelo acréscimo na demanda. - O lado negativo virá no campo social: aumento de migração, principalmente de qualificados que perderam empregos no setor metalúrgico em São Paulo e em maior parte de lúmpens, pressão sobre os serviços públicos (habitação, educação, saúde, assistência social), baixo aproveitamento da mão-de-obra local a não ser para tarefas secundárias e periféricas (construção civil, zeladores, guardiões) ou médias (burocracia de apoio). - Unimed sofre representação no Ministério Público por causa de propaganda considerada enganosa. Veículos que publicaram a mensagem sobre o assunto - o adicional que garante acesso aos remédios - estão sendo intimados. - Dia 10 eleição no Sindijus e que vem como sempre salgada: a Justiça negou registro a outra chapa, além da situacionista. Esta, conforme os estatutos aprovados em Congresso, contará com diretoria colegiada e com um coordenador (David Machado) e secretária geral (Rosely do Carmo Colussi).
FOLCLORE - Padres de Araucária levam a sério o artigo 1º da Constituição de 88 que admite a democracia direta: montaram, como representantes das três paróquias, um abaixo-assinado, já com mais de 4 mil assinaturas, para uma ação cível contra o aumento dos vereadores (7%). Imaginem se os clérigos de todo o Brasil forem em cima de deputados, senadores, legisladores de um modo geral.





