Mais fermento no bolo
Pela inabilidade do governo, um tanto quanto arrogante depois da vitória em Londrina, estamos com uma crise séria na Polícia Militar. Quanto maior for a demora para neutralizá-la, mais fermento haverá. Um documento, datado de 25 de novembro, e cuja divulgação foi contida pelo coronel Mainguê, assinado pelos comandos de unidades (nove ao todo), aflorou nos meios de comunicação em solidariedade ao coronel Honório Bortolini.
Só falta agora o Gerson Guelmann, com aquela postura de diplomata, e Giovani Gionédis, hábil esgrimista, no empenho generoso e até compreensível de se mostrarem fiéis a Lerner, engrossarem o caldo com novas declarações temerárias.
Para complicar, o líder do governo, Algaci Túlio, ainda declamando o ‘‘ser ou não ser’’ do Hamlet, na dúvida entre o mandato e a vice-prefeitura, que deveria ser igualmente contido, como se estivesse terçando prestígio com seu colega de parlamento e microfone, o Ricardo Chab, pede nada mais nada menos do que a cabeça do secretário-chefe da Casa Militar, coronel Vieira. Esse tipo de remédio é mais forte do que a doença e apenas torna elástica a crise, ainda que pretenda removê-la.
Os últimos governos, nascidos da resistência, à exceção do de Richa, que até tornou possível a eleição de um ex-comandante para deputado estadual (Raul Lopes), não souberam conviver com a PM. Álvaro Dias, por exemplo, se viu obrigado a destituir, de uma só vez, o comandante da corporação e seu chefe do Estado Maior, isso no início da gestão.
Depois, na sequência, teve aquele evento do Centro Cívico em que tentou eximir-se de responsabilidades nos atos operacionais que se tornaram indispensáveis pela aproximação dos professores de áreas estratégicas do Palácio Iguaçu, preparados para o circo da ocupação, como já haviam feito na Assembléia Legislativa, pela cumplicidade demagógica da comissão executiva da Casa.
No governo Requião não foram poucos os problemas, inclusive denúncias graves, como a do superfaturamento de helicópteros e os casos do convênio com o Banco do Brasil (dinheiro vivo ao invés de gasolina repassado à PM e com prestações de contas irregulares), a aquisição de dezenas de milhares de sapatos apontada como viciada e também a dos rádios transceptores. Tudo isso, porém, é refresco perto da tragédia de Campo Bonito, no encaminhamento de risco das questões da terra e com a morte de três milicianos e do líder sem-terra Teixeirinha.
Ressalte-se o espírito generoso do coronel Daniel Mainguê, ao perceber a delicadeza do quadro, demitindo-se da função para facilitar a pacificação interna, clima já percebido ontem mesmo na posse do coronel Sérgio Tippa, no Comando do Policiamento da Capital.
O que torna a crise atual, caricatural, é o amadorismo com que foi tratada uma questão menor. Dá para imaginar Lerner, na presidência da República, tirando o comandante militar do Planalto por causa do apelo de um parlamentar do Maluf que teria discordado da forma como se deu o desfile da Independência. Ora, desfile para dar em bronca tem que ser, no mínimo, o de Miss Paraná. É mediocridade demais para ser tolerada.
BIZARRICE - O bucolismo e a singeleza do viver no interior permitem situações como a vivida, domingo passado, em Santa Tereza do Oeste: o prefeito Francisco Menin desafiou o seu colega de Cascavel, Fidelcino Tolentino, na inauguração da cancha reta. Bons cavaleiros, Menin levou a primeira das carreiras, perdeu a segunda, mas venceu a ‘‘negra’’. Enquanto políticos davam essa mostra de civilidade, um secretário da prefeitura de Francisco Beltrão tumultuava o concurso de Miss Paraná em Curitiba, mostrando-se indomável.
SPRAY - Apoio formal dos comandantes das unidades operacionais de Curitiba e Região Metropolitana na Polícia Militar é um documento de coleguismo da maior qualidade: ‘‘Todas e quaisquer falhas do CPC, que possam ser objeto de reprimenda social, atinge-nos proporcionalmente em cada atividade em que somos responsáveis’’. - Depois da atual crise, as relações entre governo e PM devem ser revistas e profundamente. Saída do coronel Mainguê ou do Vieira, como quer Algaci Túlio, não soluciona impasse. O caso exige ‘‘reengenharia política’’. - Em função das nove indústrias-âncora que virão à Grande Curitiba, apoiadas em mais 40 satélites, a Copel se viu impelida a redimensionar a canalização de gás da Compagás, pressionada pelo acréscimo na demanda. - O lado negativo virá no campo social: aumento de migração, principalmente de qualificados que perderam empregos no setor metalúrgico em São Paulo e em maior parte de lúmpens, pressão sobre os serviços públicos (habitação, educação, saúde, assistência social), baixo aproveitamento da mão-de-obra local a não ser para tarefas secundárias e periféricas (construção civil, zeladores, guardiões) ou médias (burocracia de apoio). - Unimed sofre representação no Ministério Público por causa de propaganda considerada enganosa. Veículos que publicaram a mensagem sobre o assunto - o adicional que garante acesso aos remédios - estão sendo intimados. - Dia 10 eleição no Sindijus e que vem como sempre salgada: a Justiça negou registro a outra chapa, além da situacionista. Esta, conforme os estatutos aprovados em Congresso, contará com diretoria colegiada e com um coordenador (David Machado) e secretária geral (Rosely do Carmo Colussi).
FOLCLORE - Padres de Araucária levam a sério o artigo 1º da Constituição de 88 que admite a democracia direta: montaram, como representantes das três paróquias, um abaixo-assinado, já com mais de 4 mil assinaturas, para uma ação cível contra o aumento dos vereadores (7%). Imaginem se os clérigos de todo o Brasil forem em cima de deputados, senadores, legisladores de um modo geral.

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