Luiz Geraldo Mazza
O placar de ontem do PSDB seria de 40 votos a 21 pró entrada de Lerner. Era a previsão cautelosa que faziam os defensores da tese. Percebia-se de outro lado não apenas na coação havida anteontem - humilhante, diga-se de passagem - na posse de Álvaro Dias na Telepar, mas em outras formas de desafio, que a minoria está perdendo a esportiva e que tenta pelo terror psicológico desestabilizar Lerner. O que é uma redundância, pois o governador é, em essência, um desestabilizado em matéria política.
Para descompensar o constrangimento que o governador passou na Telepar houve na recepção ao embaixador Jorge Bornhausen na casa dos Petrelli momentos de pura descontração. E lá estavam todos os de sempre: Álvaro Dias, Ney Braga, Paulo Pimentel, Aníbal Khury, governadores de ontem e de hoje como Lerner. Deu para perceber que seria bastante confortável para o governador entrar no PFL, onde já foi cogitado até a ser o candidado a vice na chapa da aliança com FHC.
Mesmo estando certa a votação favorável à entrada no PSDB, Lerner passará por novas e sucessivas humilhações. Vale a pena esse ônus para um objetivo tão precário e balofo como o de ir a um partido que apenas e tão somente deseja manter-se no poder, ainda que minoritário? Afinal o PFL é mais autêntico do que o PSDB em sua vocação e volúpia pelo poder: surgiu de uma dissidência no PDS para garantir a vitória de Tancredo em contubérnio com o PMDB.
No PFL Lerner seria tão ou mais nome nacional do que no PSDB. Alavancaria um partido que perdeu seu sentido no momento em que Ney Braga pendurou a chuteira e em que não surgiu um substituto à altura. Viabilizaria políticos que hoje correm o sério risco de perder mandatos, mas é claro criaria também algumas dificuldades para sua base parlamentar atual que não sabe se fica onde está, se sai atrás de outra ou se acompanha o governador.
O curioso é que a aliança que elegeu Lerner era denominada Novos Caminhos que pelo jeito irá procurá-los pelo resto da existência.
BIZARRICE Roberto Campos no Roda Viva ao ouvir a leitura do fax de um jovem que disse que pessoas como o velho liberal deveriam ser clonadas: você diz isso porque não conhece minhas taras ocultas. Aos oitenta anos adquire-se uma espécie de indulgência plenária para confissões do gênero, ainda mais quando precedidas da vivência em seminário.
SPRAY A ordem do dia do PSDB para dia 12 previa como primeiro item a expulsão do Teobaldo Machado para gerar maior constrangimento a Lerner, cuja adesão ao PSDB seria o tema principal. Só faltava o grupo lernista fazer maioria e pedir a expulsão dos alvaristas. Uma anedota, nada mais. - Processo de cassação do mandato do senador Requião já tem relator, o ministro José Eduardo Alkmin para os autos 061-97. Quem sustentará o pleito de Hélio Duque será o ex-ministro Antonio Vilasboas Teixeira de Carvalho. Pelo andar da carruagem, o julgamento será no segundo semestre. - Vejam as consequências devastadoras para a economia regional o fim do BRDE: deixaria de receber R$ 750 milhões para financiar projetos em 97 e R$ 4,6 bilhões nos 5 anos. Só na agência do Paraná serão suspensos em curto prazo R$ 29,6 milhões em projetos em fase de liberação e R$ 190 milhões em projetos com em fase de análise. - Programa do PMDB estava ridículo: ainda curtem a repressão militar, o que nada tem a ver com os dias de hoje com o liberou geral das invasões de terras e arruaças de rua na maior tranquilidade. Um dos pontos altos a presença de Requião que poupa o Jaime Lerner, mas não seu governo e sugere incompetência e mete o pau nas concessões às montadoras. - Convenhamos: depois do que houve no Rio Grande do Sul com a ordem de abrir a caixa pretado caso GM, Lerner deveria fazê-lo de forma espontânea. Esse sigilo já não se justifica, a não ser que comprometa, de forma irremediável, o governo. - O vereador Samek anuncia que levou a oposição a Lerner e Cássio à Internet. Não seria mais fácil fazê-lo na Câmara Municipal? Lá ele não é tão duro. Ou o debate cibernético seria mais aberto? É uma postura soft que justificaria, por exemplo, a campanha contra a venda da Vale do Rio Doce numa home page. - No basismo e nas esquerdas a divulgação da carta de Horácio Martins de Carvalho, diretor do Instituto Ambiental do Paraná no governo Requião, mediador oficial nas questões de terras, incriminando o governador como responsável indireto pela morte do Teixeirinha produziu o maior impacto. Não é só o passado da ditadura militar que mexe com as consciências; a tortura e a repressão afinal não se constituem em monopólio de um período histórico. - Abdo Kudri solidário com Fernando Fedeger no conflito com o vereador Iris Simões. Este levou versão diferenciada à polícia e pede inquérito contra o jornalista. - PSDB nacional manda um observador oficial à reunião de segunda feira para evitar que as brasas se transformem em fogueira. O homem vem para impedir, também, guerrilhas judiciais e administrativas desgastantes. - Conselho a Lerner de tucanos aliados: tapar a boca do pessoal do terceiro andar do Palácio Iguaçu que na ânsia de ajudar atrapalham. - Em Assaí, sábado, homenagem pelos trinta anos de política do Antonio Ueno. Taniguchi vai estar lá.
FOLCLORE No meio das trocas de gentilezas na posse de Álvaro Dias na Telepar, o trator Sérgio Motta sugeriu a Aníbal Khoury que ele poderia ensinar a Fernando Henrique Cardoso o mistério de conservar-se no poder com tanta facilidade e, especialmente, na presidência. E depois ainda dizem que a cordura é um traço comum aos gordos. Mas se na gordura o Sérgio ganha do Aníbal, em cordura o Aníbal é o vencedor.
CROMO E este pássaro assanhado em acasalamento que nega toda hora a previsão do tempo do Iwamoto?





