Uma das situações mais humilhantes, já vividas por um político paranaense, se dá com o governador Jaime Lerner e que atingiu ontem o auge, na posse de Álvaro Dias na Telepar. Submisso e tenso, acompanhado por um séquito de deputados, o governador foi até lá para ouvir aquilo que já sabia que iria acontecer: a competência para decidir o seu ingresso ou não no PSDB é do diretório regional do partido, o que foi repetido pelo ministro Sérgio Motta.
Parece incrível que um potencial de liderança supra-local, como é o caso de Lerner, seja dissipado por ausência de inspiração do seu atabalhoado quadro de assessores. O ministro não iria emitir juízo de valor em cima de uma questão polêmica e da prerrogativa do diretório. E se houvesse uma forçada de barra por inspiração presidencial, apenas e tão somente mostraria que a prepotência de FHC ia muito além do que já faz como concentrador de poderes e campeão olímpico de Medidas Provisórias porque estaria agindo como um feudal diante dos seus servos e numa obra de capilaridade assustadora por atingir até as questões de campanário.
Como a novela continua, hoje, o ex-senador e ex-governador José Richa, da intimidade do sistema, deve levar a Brasília informações novas sobre adesões à entrada de Lerner. É um trabalho que reúne Rubens Bueno e Euclides Scalco, que retornaria ao ninho tucano com o ingresso do governador.
A tese alvarista de que dois candidatos ao governo, ele e Lerner no Paraná, fortaleceriam o presidente Fernando Henrique é furadíssima: o único real beneficiário desse contexto se chama Roberto Requião, que se escapar do obstáculo da sua cassação no TSE, passa a polarizar a oposição em dois flancos no local e no nacional. Ademais, essa circunstância de dupla disputa constrangeria o presidente a vir até aqui, como de resto ocorrerá em outros pontos do país como no Rio de Janeiro onde se prevê conflito retaliatório entre Marcello Alencar e César Maia.
Embora desejado não apenas pelo PSDB, mas também pelo PFL e agora pelo PTB de Aníbal Khury, o político paranaense de maior consenso na região sul de toda a história corre o risco de receber bola preta por sua própria inabilidade.
BIZARRICE Previsão do anarquista e advogado Elísio Marques: ‘‘nesta temporada, ao invés de tri-vice do Paraná Clube, seremos vice do Atlético Paranaense’’. Elísio faz a observação com o bom propósito de alertar na condição de conselheiro coxa branca.
BRDE, UMA CAUSA Hoje o deputado federal Luis Carlos Hauly (PSDB) procurará seu colega, o deputado José Borba (PTB), coordenador da bancada paranaense, para uma ação conjunta em torno da importância da manutenção do BRDE que os gaúchos desejam dissolver e que conta, no Paraná, com apoios de alguns setores do governo Lerner. Também, desde ontem, o empresário Farage Kouri, passou a entrar em contacto com as associações comerciais e industriais em defesa da manutenção do banco regional de fomento.
Essas foram algumas das primeiras consequências do debate de ontem no Hotel Bourbon entre jornalistas, empresários e políticos sobre o tema. Também o deputado estadual Orlando Pessuti vai acionar a Associação Interparlamentar do sul do país, que reúne não apenas os três Estados, mas também os colegas do Mato Grosso do Sul.
Um dos argumentos mais fortes e abrangentes é mesmo sobre o papel que o BRDE poderia desempenhar em favor das quatro unidades federativas no Mercosul em função da experiência acumulada desde 1961. É um acervo que não pode ser dissipado.
SPRAY Ontem, segundo o jornalista Luis Fernando Fedeger, do semanário ‘‘Impacto’’, o vereador Iris Simões e alguns guarda-costas armados foram ameaçá-lo no jornal. Chegaram a quebrar um vidro e a queixa, com todos os detalhes, foi feita no 4º Distrito. - Fazia tempo que não tínhamos um problema desses na imprensa do Paraná e o presidente do Sindicato e Associação de Proprietários de Jornais e Revistas, Abdo Aref Kudri, foi comunicado do ocorrido. - Concurso para oficial de justiça, alvo de contramarchas desde 1994, vai ser convalidado pela presidência do Tribunal de Justiça. - Muito palavrório e pouca água na reunião do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Colombo sobre a questão do Aquífero Karst. Técnicos e especialistas, como o geólogo Riad Salamuni, mostraram aspectos científicos da questão, mas não conseguiram afastar o temor que tomou conta da população com a baixa de nível dos poços e as rachaduras em numerosas residências. - Carlos Nasser filosofava na Boca Maldita domingo pela manhã: Lerner jogaria tudo, que poderia afetar seu prestígio político, numa informação de Rubens Bueno? Ora Bueno já foi o que Nasser é agora como assessor especial de Álvaro Dias. - A Sociedade Rural de Londrina valeu-se dos mesmos fatores psicossociais que beneficiam os sem terra ao exibir o vídeo em que os invasores da Fazenda Borborema aparecem armados e belicosos, cometendo toda a sorte de tropelias.- Nódoa irremovível, capaz de comprometer o mais importante movimento social da América Latina. É o gol contra levado à medida da sublimidade. A sociedade rural tem procurado desarmar os espíritos e até facilitar entendimentos com o MST. Pior, no entanto, é verificar o conflito entre o Judiciário e o INCRA numa questão chave como a da perícia que informou ser a área ociosa. -
FOLCLORE Um governo como o do Paraná, pelo tipo de aliado que tem, dispensa inteiramente a necessidade de oposição. As oscilações comportamentais impedem qualquer raciocínio de médio prazo. A curto prazo, como sugerem aliados e que às vezes causam as confusões, perde fácil da marcha de uma lesma.

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