PFL engorda o PTB
O PTB no Paraná tinha tudo para ser a sublegenda do PFL. A segunda delas ficaria para o oportunista PPB e com esse esquema de forças, que nada garante o governo Lerner, se pretende vencer as eleições municipais. Atomiza-se o PFL no Legislativo estadual, fato que se pode atribuir a uma síndrome decorrente da morte do deputado Aníbal Khury.
Essas ocorrências animam a oposição, a verdadeira de Requião, do PMDB, e a dissimulada de Alvaro Dias, beneficiário do acordo branco com Lerner. Eles se nutrem do reassentamento das forças e, de certa forma, dos desgastes cumulativos do sistema. Ao apostarem todas as fichas no grande eleitor, que é Antonio Belinati, em Londrina, acabaram fortalecendo adversários: Luiz Eduardo Cheida no PMDB, que já foi burgomestre pelo PT, e Alex Canziani, no PSDB de Alvaro Dias, o que é uma tranquilidade, já que o deputado federal Luiz Carlos Hauly não se disporia a reeditar a experiência anterior. E há ainda um momento, sob o ponto de vista moral, nada satisfatório para Belinati com as ações do Ministério Público, vigilante em torno das patologias gravíssimas da paróquia e que surpreendem pela notoriedade das ocorrências.
A eleição de Belinati foi um drama e num momento em que não havia acusações contundentes como as atuais. Lerner precisou lançar uma força-tarefa, sob o comando de Gerson Guelmann, que se preocupa mais com o governador do que o próprio, para vencer o segundo turno. Dá para perceber que o cenário não se repetirá de forma tão facilitada.
Se o PTB crescer muito, mais dificuldades virão por causa da compulsão do seu dirigente, José Carlos Martinez, em sua nostalgia de poder, pois afinal chegou tão perto e acabou sobrando mais por culpa dele do que do ‘‘Ferreirinha’’.



AFORÍSTICO
Quem diria, o PPS, herdeiro mimético do PCB, é agora o partido dos colunáveis: a foice e o martelo na sauna do Country Club

BIZARRICE Anedota mórbida conta que um antropófago dizia maliciosamente a um amigo que estava ‘‘comendo’’ determinada menininha. Aí aparecia uma guria sem os dedos da mão e um dos braços. Sorrindo, o pulha dizia ‘‘como, aos poucos’’.
Mais ou menos o que o governo faz com estatais: come-as aos poucos. Inclusive as daqui do Paraná: uma perna e o nariz da Sanepar já se foram, uma das mãos da Copel, também, e o tronco do Banestado já era.
AXIOMA No jornal de ontem saiu a história da compra de dólares por Dona Maristela Requião. O senador deu explicação, tudo bem. E o nosso jornal fez matéria equilibrada esgotando o assunto. Pergunta-se: se ocorresse com um adversário do senador, como ele trataria a questão?
GLOSA Conta o advogado e anarquista Elísio Marques que quando era juiz da Comarca de Mandaguari, arquivou um inquérito policial em que o inidiciado era um cavalo, por ter ignorado sinal vermelho em linha férrea e a vítima, nada mais nada menos que uma locomotiva diesel da RFF.
SPRAY Ações da Copel (preferenciais) têm sido vendidas nas bolsas de Nova York e de São Paulo. - Dentro em pouco, o governo estadual toma grana do BNDES, como fez no início do seu primeiro mandato, em troca de ações da empresa. - Decisão de ontem no Tribunal de Justiça recomenda ao governo um pouquinho mais de cautela relativamente ao fato de apostar demais na Paranaprevidência, que está fazendo água com tantas liminares concedidas. - A decisão de levar o caso ao Órgão Especial (reserva de plenário) transfere para o dia 23 a decisão. Já a ação do PT no STF só será julgada na quarta ou quinta da semana entrante. - Se o projeto previdenciário der com os burros n’água, que tipo de justificativa usará o governo Lerner para antecipar recursos? - Manda a Organização Mundial de Saúde (OMS) que haja uma relação de uma farmácia para cada grupo de 10 mil pessoas e aqui no Paraná há uma farmácia para cada 2.500 pessoas; quer dizer, quatro vezes além da cota. - Documentação gravada em torno das ameaças de dirigentes do Atlético Paranaense nas ocorrências de anteontem pode ser suficiente para criar um novo caso com a CBF. Pelo que se vê, o zelo da diretoria do Atlético ao dificultar manifestações da torcida não levou em conta os dirigentes que se mostraram emocionais e vulneráveis, capazes de gerar uma interdição para o estádio, que tanto custou a tanta gente. - Sequelas eleitorais do primeiro mandato de Lerner estão na Justiça: jornalista Cícero Catani tenta demonstrar que Cassio Taniguchi (organizador), Mario Petraglia (tesoureiro) e João Simões (apoio) da campanha assumiram o controle do jornal ‘‘Correio de Notícias’’. - Além dos numerosos crimes eleitorais, que aquele jornal responde, ainda há ações cíveis. A declaração do administrador Luiz Carlos Biazetto de que era um ‘‘laranja’’ foi retificada em juízo, com o que ele assume o contrato de gestão, mas passa a enfrentar um problema com a Procuradoria do Trabalho, a quem tinha prestado a declaração anterior. - Paraná e São Paulo estão à frente da reforma do ensino médio no Brasil.
FOLCLORE Pedro Viriato Parigot de Souza, o genuíno estadista que consolidou a Copel, quando governador, volta e meia exercia acentuado senso de irreverência como quando, por exemplo, foi inaugurar o decalque do Taj Mahal, a sede do Tribunal de Contas (TC), hoje muito mais ampliada, e fez uma indagação se o dirigente que tomou aquela decisão teria respeitado prioridades mais urgentes de toda a sociedade paranaense. Uma cutucada dessas ajuda a pensar.
CROMO ‘‘Gotas de música// a implorar uma escrita// nem que seja de ouvido// até fazer sentido// a totalidade de um tom// entre tantos que soam.//’’ O poema, vejam só, é de um músico Reinaldo Godinho, que escreveu ‘‘Espelho de Barro’’ com suas poesias. Sobre música lembro de uma frase, não sei se de Dante ou de Atílio Milano, de São Paulo: ‘‘Se te botam palavras, matam-te!’’
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