Luiz Geraldo Mazza
Há um velho axioma em política que diz ser esta a arte do possível, com o qual obviamente não concordam os que guardam ainda uma visão revolucionária do processo e que nele se inserem como agente de mudanças, às vezes até caindo na caricatura (e isso se dá à esquerda e à direita) de vetores da história. Essa é uma reflexão cabível, neste momento, sobre a vitória dos trabalhistas na Inglaterra.
Se o programa laborista seguisse a tradição mais à esquerda jamais seria vitorioso. Abrindo mão de um princípio, herança do marxismo, de que cabe à classe trabalhadora o monopólio dos meios de produção, o que é um delírio diante do mundo real, isso sem falar que as experiências de socialismo real estiveram distantes desse ideário, isolaram os extremistas e ganharam apoios suficientes ao centro para a derrubada dos tories, há 18 anos no poder.
O mais consistente partido à esquerda no Brasil é o PT. As tendências internas o irrigam como um leque pluralista e no qual ainda é um mistério desvendar-se o parâmetro de consenso. Seu principal líder, Lula, mais forte do que a agremiação, hoje em queda pelas duas derrotas e também pelo oportunismo de aproximação com empresários liberais, age na direção dos trabalhistas ingleses, porém o momento não o favorece diante da força ainda hegemônica do governo FHC e do Plano Real. Esquerdas apostam em duas coisas: o acirramento das questões sociais (desemprego, fome, a questão fundiária, o descarte do homem na produção pela inserção tecnológica que só favorece o capital) e o desgaste contínuo do presidente em sua ânsia de composição com a base aliada cada vez mais fisiológica. Há, também, os que confiam numa síndrome do México de uma hora para outra, diante da questão das contas públicas e dos déficits cumulativos na balança comercial.
Radicais não deixam de ter um pouco de razão no concernente às concessões ao centro e à direita. É que aqui, ao contrário da Europa e dos demais países do Primeiro Mundo, não há o welfare state, o estado de bem-estar, e o fato de termos uma estrutura colonial, na qual a reforma agrária ainda é espantalho, indicaria que se déssemos os anéis estariam sendo sacrificados os dedos. Quando da eleição de Tancredo Neves houve um pouco disso: a aproximação do regime com um conteúdo de centro-esquerda, já que a direita estava definida, rigidamente, na figura de Paulo Maluf (que deve ser, aliás, protegido no relatório da CPI dos precatórios ao lado do seu antípoda Miguel Arraes) ficou visível na montagem do governo que Sarney tocaria. O Plano Cruzado acabou separando essas forças (inclusive FHC estava tirando o time do PMDB quando percebeu o alcance eleitoral do programa de estabilização) e a esquerda se isolou, com Lula e Brizola fazendo queixumes inúteis, enquanto o povo era manipulado pelos efeitos imediatos e positivos, transformados numa chantagem eleitoral.
O problema da esquerda brasileira é saber até onde pode ser moderna porque está desconfiada que a defesa das estatais não é uma boa causa, notadamente junto ao público que em maioria está entendendo que não há mais lugar para a defesa do patrimonialismo que apenas beneficia minoria de trabalhadores e de empresários. O exemplo da Inglaterra mostra que o caminho é o da aproximação com o centro. E tem precedentes históricos como o da Itália, com a abertura à esquerda, que facilitaria o eurocomunismo de Enrico Berlinger.
BIZARRICEÁlvaro Dias no ponto mais alto da Telepar de olho no Halle-Bopp para ver dos dois cometas qual é o mais ágil e brilhante. Como o cometa, Álvaro, a cada momento, se vira no horizonte de um partido.
SPRAYSe saírem candidatos ao governo estadual, Lerner e Álvaro Dias em chapas diferentes, ainda que ambos apoiando FHC, teríamos uma possível vitória de Requião, pois um dos dois seria sacrificado no primeiro turno, e este se beneficiaria da condição de oposicionista no plano nacional. - Essa advertência já foi feita pelos tucanos ao grupo alvarista, mas este se acha - o que é próprio dos delirantes - em sintonia fina com a população.- Mas a lerdeza e a incompetência de Lerner são irritantes e deram margem à chantagem do PFL, com todo o jeito de contrainformação, de lançar um Canet Júnior, que não teria a menor condição de disputa. Pelo jeito é coisa do Affonsinho, que oscila entre a lucidez dos tempos da Juventude Democrata Cristã e o papelão de sua campanha à presidência da República pelo PTB, inesquecível pelo que tem de burrice e de desrespeito à inteligência do público. - Alguns sindicatos acham que navegar na Internet é uma das formas de atualizar-se com a tecnologia e os modernos processos de comunicação de massa. O Sindijus é um deles e pode agora ser acessado pelo e-mail: [email protected]. Uma home page pode valer mais do que empunhar bandeiras numa dessas manifestações pusilânimes noticiadas pelos mass media, ainda mais porque governos neoliberais, como o de FHC, estimulam o tratamento destas últimas como expressões do atraso ao desenvolvimento das virtudes globalizantes. É o raciocínio de Fernando Ferreira, que escreve à coluna sobre assunto aqui tratado anteontem. - BRDE e o Mercosul é o debate de amanhã no Hotel Bourbon, entre jornalistas e políticos. Assunto oportuno, pois os gaúchos querem detonar o banco.





