Luiz Geraldo Mazza
O caso dos bingos
Está pegando mal para o ministro Rafael Greca a série de denúncias sobre essa picaretagem da moda, que é a indústria dos bingos. Ocorre que até hoje as respostas do ministério às acusações foram de uma fragilidade assustadora e que revelavam, pelo menos quanto aos fatos abordados, um desconhecimento radical do titular da pasta sobre as concessões do tal Indesp. O pior é que o tom das denúncias foi potencializado, nomes de funcionários, gente de raiz paranaense dentre eles, e as contestações foram lacônicas.
Concede-se pelos seus antecedentes ao ex-prefeito de Curitiba o benefício da dúvida e até porque anteriormente outro ex-ministro, o da Saúde, também da terra, viu-se linchado pelos meios de comunicação com a forma como se divulgou ocorrências daquela pasta, relativas a aquisição de bicicletas da celebrada Loja do Pedro, de Curitiba. Embora bem formulada, a denúncia não procedia.
No Paraná, denúncias não são comuns porque os meios de comunicação se dão ao culto chapa branca. Só em circunstâncias muito específicas há esse tipo de informação porque o normal é o silêncio que abrange a própria oposição, por vezes vinculada a enlaces familiares com os denunciados.
Há muito tempo o País foi tomado por essa febre dos bingos, embora se eles mantenham para despistar as resistências ao jogo oficializado, ainda que inexista batoteiro mais forte do que o governo com loterias, lotos, lotecas e agora a lamentável concessão de bingos e de verdadeiros cassinos eletrônicos.
As antigas exibidoras de filmes se transformam ou em templos pentecostais ou em bingos. Afirma-se que o presidente da Federação Paranaense de Futebol tem vários deles, o que aliás já acontecia há muito tempo e que deu margem até a uma denúncia formal na Justiça. Uma das batalhas do PMDB no último pleito que venceu, com Roberto Requião, foi em cima exatamente dos bingos, que afirmavam beneficiar, direta e indiretamente, José Carlos Martinez.
Como há suspeita de lavagem de dinheiro, o sistema foi colocado sob grave suspeição de envolvimento indireto com o crime organizado, mas, a despeito das denúncias, não se tomou nenhuma providência séria a respeito. O ministro Rafael Greca, por mais de uma vez, adiantou que a Polícia Federal se ocuparia do exame das denúncias. Já se provou anteriormente que esses bingos davam uma ajuda ridícula a entidades esportivas e assistenciais, e também ninguém se ocupou do assunto com a seriedade devida. Espera-se que agora se faça a anatomia desses cassinos, muito deles volta e meia acusados de manipulação de resultados, como se viu no Rio de Janeiro.
BIZARRICE
Consta folcloricamente que em meio ao guardamento do deputado Aníbal Khury um parlamentar da oposição teria se dirigido a Lerner em voz baixa e mostrado que ele poderia ocupar o lugar do guru. Lerner, meio distraído, replicou, sugerindo que tal assunto era com a funerária
AXIOMA Há obras paradigmáticas, como por exemplo o hospital-maternidade do Alto Maracanã, uma das áreas de maior violência em Colombo. Desconfia-se que se pretendem proteger os nascimentos devem fazê-lo também com os adultos. É, pelo menos, uma dessas ilusões que ajudam a viver.
GLOSA O Guga é um adorável provinciano: numa de suas partidas recentes, viu um torcedor com a camisa do Coritiba e foi dizendo você é do Coxa. Vibrou mesmo quando se queixou do gol anulado do seu time, o Avaí, diante do Santa Cruz, lá no Recife, numa de suas saídas de quadra.
EPIGRAMA Quem desejar ter uma visão profética de como terminará o governo Lerner, basta ver o andamento dos últimos capítulos da telenovela das 8: uma enrolação melancólica para encher linguiça. Só que a do Lerner não vai ter sequer audiência.
SPRAY Um dos executivos envolvidos no Clube dos 60 tem em seu nome um bingo dos mais luxuosos de Curitiba. A Lei Zico dava como condição prévia para a concessão do alvará que o clube (no caso o Irati) tivesse pelo menos três esportes olímpicos. - Outro beneficiário é o Pinhaes, cujo domicílio, indicado na documentação, é o da sede da Federação Paranaense de Futebol. Isso até lembra aqueles empréstimos da Leasing Banestado. - Por falar em Banestado, no dia 17 novo leilão de casas, terrenos e outros bens para acertar contas de inadimplentes executados. - Negócios do Banestado eram malfeitos por método: um shopping que levou quase R$ 5 milhões não obtém sequer R$ 2,6 milhões pelo imóvel e benfeitorias. - O Paraná, time de futebol, entrou em duas frias: a do Pinheirão, que quase afundou o Atlético, e agora a da Commebol que vai dar, na certa, prejuízos. Tanto que Cruzeiro, Grêmio, Santos e, por último, o Vitória, pularam fora. - Outros que quase entraram nas frias do futebol foram os prefeitos de Foz do Iguaçu e de Cascavel relativamente ao Pré-Olímpico: o primeiro tinha que garantir mais 10 mil lugares e o outro reformas no estádio. - Tentaram empurrar um pepino para Jairo Gianotto, prefeito de Maringá, que esclareceu ter recursos apenas para segurança, estada e transportes. - Noticiário do PMDB busca sugerir que Requião está em febril atividade nacional: andou por Colatina (ES), num congresso partidário; em Porto Alegre (RS), no Legislativo, e na outra semana participa de congresso de vereadores em Bonito (MS). Só que em termos nacionais, Pedro Simon aparece muito mais. Rima e é verdade. - Dissolução do PMDB de Londrina ficou para segunda.
FOLCLORE Mais do que o bingo, ajustam-se ao espírito de Rafael Greca jogos florais, folguedos de rua: cantiga de roda, bete-ombro, bola de gude, peteca.
CROMO Romeiros pediram chuva, ganharam um dilúvio e clamaram por seca.
AFORÍSTICO Rumor das ruas está sempre mais perto do fascismo do que da democracia: em seu ventre é gerado o ditador providencial.





