Com a retomada do massacre de Campo Bonito fica nítido que um amplo setor do basismo, tendo como núcleo essencial o PT, adotou um pacto de silêncio na questão para continuar mantendo a aliança informal com Requião, em cujo governo se deram as mortes dos três PMs e do líder sem-terra, Teixeirinha. Um sinal de antiga cumplicidade emerge desses episódios e se reproduz em outros do nosso cotidiano político ao ponto de alguns dos atuais detentores de mandatos do PT evidenciarem dependência do ex-governador e atual senador ante o qual atuam como linha auxiliar.
A republicação da carta de Horácio Carvalho, diretor do Instituto Ambiental do Paraná e encarregado das mediações dos sem-terra, na série de reportagens que o semanário ‘‘Hora H’’ está produzindo, é um documento político que mostra o inconformismo da esquerda mais autêntica e engajada. Num dos trechos candentes da carta dirigida a Roberto Requião, publicada à época em alguns jornais, Horácio afirma : ‘‘Eu estou me convencendo que Vossa Excelência é o responsável, ainda que indireto, pela execução sumária do companheiro Teixeirinha, pela reedição da tortura e pelo desencadear da repressão militar, sobre aqueles que lutam contra a opressão e, por último, mas não finalmente, por ter dado a chave (a ordem) para que os quartéis esparramassem o terror contra o povo.’
A indignada resistência do autor da carta se refere a outros eventos como o da ocupação da Fazenda da Mata, em Nova Fátima, onde ‘‘Vossa Excelência manifestava indiferença com relação à morte de um trabalhador rural, executado à queima roupa por um informante da polícia travestido de segurança do proprietário.’ Esse documento lateja na consciência dos que atuam no MST, na Pastoral da Terra e nas esquerdas como um pecado mortal pelo oportunismo da omissão e também do silêncio, que se parece em muito com o das autoridades brasileiras diante do aparelho do terror nos anos de chumbo.
No texto, há um trecho profético sobre o IPM instaurado e afinal arquivado:
‘‘O IPM instaurado é figuração. Ontem, dia 22/03, o próprio promotor designado para acompanhar tal rito desejou se afastar da função, tão grande o desrespeito da PM e da Polícia Civil para com a Justiça. O IPM já nasceu morto... e concluído. Foi um álibi.’
O advogado da Pastoral da Terra, Darci Frigo, disse à CBN que iria pedir a reabertura do processo. É o mínimo que se pode esperar depois de tanta omissão e condescendência como se um pacto de silêncio fosse possível em cima da morte de um líder sem-terra e de três PMs por todas as áreas envolvidas.
BIZARRICE A novela ‘‘Salsa & Merengue’’ terminou ontem, mas a do ingresso ou não de Lerner no PSDB continua, provocando o tédio no público e funcionando, indiretamente, como um merchandising para vender Engov. Justificaria até a entrada em cena do ‘‘Gastão, o Vomitador’’, personagem do ‘‘Pasquim’’.
SPRAY Transmissão dos jogos de anteontem pela Net vai levar assinantes da TVA a pleitearem direitos com relação ao assunto e que eram garantia contratual. - Ficou provado nas últimas manifestações de Foz do Iguaçu que sindicatos e outras organizações dependem, sobretudo, dos sacoleiros, craques em fechar as passagens na Ponte da Amizade. - Um decreto ainda em vigor, firmado ao tempo de Requião, obriga secretários de Estado e pessoal de primeiro escalão a uma declaração de bens. Isso não era cumprido naquele tempo e não é agora, embora pelo menos três personagens do atual governo tenham cumprido a norma. Quem conta isso e muito mais é o semanário ‘‘Impacto’’. - Morretes está fazendo estudos de aclimatação de espécies vegetais do Norte e Nordeste, uma delas a pupunha. Quem for à feira que funciona até amanhã pode ver que o município está com um bom programa de diversificação, mas sua peça maior é gengibre.- O governo precisa revitalizar o IAPAR, conforme o Valmor Macarini colocou, pois há uma unidade dele em Morretes que poderia deslanchar mais pesquisas. - Muito erro de operação no quadro de trapalhadas do Palácio Iguaçu. Uma secretária do ministro Sérgio Motta ficou pendurada no telefone por longo tempo e isso deu margem a exploração por parte dos adversários, do ingresso de Lerner no PSDB. -
Semanas atrás, o Rotary de Porto Amazonas fez campanha de limpeza do rio Iguaçu e conseguiu mobilizar muita gente. Mas é inútil limpar as margens próximas e deixar de cuidar do trecho entre as cabeceiras e o salto Caiacanga. - Outro abuso é o depósito de lixo ao lado do curso d’água, alvo de investigação até da Promotoria do Meio Ambiente, e também o terminal de esgotos da Sanepar, situado em zona baixa e sujeita a ficar submersa nas enchentes. -
FOLCLORE Quando a Folha publicou a foto do Halle Bopp tirada pelo fotógrafo Marcelo Almeida do alto da Telepar, um alvarista foi logo dizendo que aquilo era um bom augúrio, mas outros, menos equilibrados e mais áulicos, achavam que o fulgor do ex- governador abafaria o cometa de rabo luminoso.
CROMO ‘‘Bate breve o gongo.// Na amplidão do tempo ecoa// o som lento e longo//’ Só poderia ser de Helena Kolody em ‘‘Ressonância’’. Haicai tem luz e som e nessa poesia a velocidade de um não supera outro em simetria.
AFORÍSTICO E esse silêncio de ninja do Cássio Taniguchi é muito mais do que o contraponto da carnavália de Rafael Greca: um estilo diverso do próprio Lerner.

mockup