Tudo como dantes
Houve uma aparência de mudança na política do Paraná com a morte de Aníbal Khury e a sequência dos episódios da eleição do Legislativo. A oposição não tem cacife para pedir espaços, não esses conquistados na Mesa, mas os relativos à atuação de plenário com maior desenvoltura e direito de pleitear os conhecimentos das coisas que o oficialismo esconde, vergonhosamente.
Se escândalos, como os ocorridos na área financeira e que afundaram o Estado, não são explicitados, prevalecendo o regime da caixa preta ou mesmo se uma CPI já instalada é revertida, dá para perceber que por mais veementes que sejam os discursos de oposição, a mecânica do Legislativo continuará servindo, de forma indigna, os interesses do Executivo. Convenhamos que sempre foi assim, o que cai muito mal para os nossos deputados e que com isso degradam a instituição.
O acordo com a oposição, que levou à vitória a chapa encabeçada por Nelson Justus, é um feito também pessoal de Lerner, mas que em nada assegura, que nos próximos lances (e que se tornarão agudos com o pleito de 2000, de traço municipal, e que por isso mesmo afeta os comandos políticos) haverá qualquer sinal de coexistência pacífica em função do pacto emergencial.
O fato é que a eleição parlamentar agitou o cenário e isso, pelo menos, é um sinal de vida e não da paz dos cemitérios que estamos habituados a ver como praxe aqui no Paraná. O papel da oposição, no entanto, é o de combater mesmo que pareça um Exército de Brancaleone ou um Don Quixote. Quando não der o front parlamentar, busca-se o Judiciário e cria-se o fato político.
Duro é esperar da mídia a cobertura correspondente ao peso das denúncias. É preciso uma revolução cultural que vai bem além do ‘‘choque de capitalismo’’ proposto para a área, embora não cumprido por ele, sugerido por Requião.



AXIOMA
Segundo o anarquista Elísio Marques, os últimos acontecimentos mostraram que engolir sapos, rotina dos políticos, pode ser menos ruim do que fazê-lo com linguiça. O pior dos sapos a engolir no Paraná é aquele da cerveja Budweiser

BIZARRICE Estranharam que o Palácio Iguaçu produzisse uma coluna para jornais do interior, intitulada ‘‘Primeira Mão’’. Quando Requião era governador, além dos artigos que ele assinava nos jornais, havia programas, duas a três vezes por semana, nos canais de TV e em rádios, com a fala do trono. Uma coisa, porém, não justifica outra e é um papelão inqualificável.
Essa subserviência é muito parecida com a frase do Candinho: ‘‘Aníbal não manda na Polícia, manda no secretário’’ (ele mesmo!). Nós merecemos. Esse atentado é tão ou mais grave do que aquele que o secretário diz ter sofrido.
GLOSA Rebelião popular, ontem, na Cidade Industrial de Curitiba, contra a instalação de mini-presídio, sob o fundamento de que não oferece um mínimo de segurança com a frequência das fugas. A hostilidade parece dirigida à instituição de uma forma clara e radical, visível no fato de que a proximidade dos órgãos de Segurança mais intranquiliza do que acalma.
Não é para menos: a Vila Isabel expulsou a Triagem de lá por causa das fugas, mas houve também aquele caso escabroso de 20 encapuzados, agindo como esquadrão de extermínio, que executaram um preso na maior tranquilidade.
O curioso é que no entorno da Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba, que o síndico da falência está pretendendo vender (pode o autor da falência ser síndico?), o povo da região quer a permanência do estabelecimento por causa da segurança. Pelo jeito, a hostilidade é contra a Segurança, pois a Prisão Provisória é da área da Justiça e ali, há muito, não há fugas.
SPRAY Ninguém sabe ao certo a dívida do Paraná, que gira em torno de R$ 13 bi, incluído o dispêndio com o Banestado. - Há informações controversas como a do Dieese para sindicatos de servidores de que o governo estaria gastando apenas 63% com pessoal, faltando pouco para ajustar-se à Lei Camata. - Como tudo isso funciona como ‘‘ciência oculta’’, o governo insiste na onda de liquidações dos ativos públicos a pretexto de acertar as contas. - Com a calma produzida pela eleição legislativa, há muita expectativa quanto à interpelação do secretário Giovani Gionédis, da Fazenda. Há pessoas interessadas em levantar-lhe a bola como no vôlei. Há quem deseje perguntar os casos já denunciados de advocacia administrativa, embora a OAB tenha arquivado a representação. - Quem gira pelo Paraná é Ciro Gomes. Segundo escalões do PPS, o proselitismo vai ampliar seus quadros. - O jornalista Cândido Gomes Chagas denuncia ‘‘chamadas acavaladas’’ na Telepar, isto é, o mesmo telefone, mesmo horário, chamando para dois lugares diferentes. - Candinho achou várias irregularidades em duas faturas e conseguiu fazer baixar a conta de R$ 61,84 para R$ 43,98 e num outro, de R$ 78,39 para R$ 36,88. E resume tudo numa frase: uma roubalheira! Dá para imaginar a grana que se esvai por esse ralo da burocracia tirânica e incompetente. - Só para ver o nosso atraso em turismo, basta ver as nossas programações para este feriadão e outubro, e confrontá-las com Santa Catarina. Simplesmente não existimos.
FOLCLORE Lerner caminha na praia e acha uma garrafa: esfrega-a e da ânfora sai um gênio. Diz que é vapt-vupt e que só atende um desejo. Lerner diz querer uma ‘‘free-way’’ de Curitiba a Nova York (pois ele vai para lá de novo!). O gênio pede que sugira outra e Jaime, resoluto, então afirma: ‘‘Que eu faça um bom governo!’’. O gênio pensa e retruca: ‘‘De quantas pistas o senhor quer a free-way? Oito, dez ou doze?’’. Não perguntou se queria ou não com pedágio.
CROMO Você me enlaça e eu a imagino com a força das lianas, das parasitas, que tudo fazem para oprimir o tronco das árvores: em sua testa uma tiara florida.
AFORÍSTICO É bom o governador circular entre Paris e Nova York porque depois do seu governo será arriscado andar pela Rua XV, apesar do seu Calçadão.

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