Luiz Geraldo Mazza
Mister M no Palácio
Para o povo a presença de Mister M na praça só teria sentido se ele, à maneira dos sem-terra (e no caso os sem-truque) fosse ao Palácio Iguaçu e devassasse todo o arsenal de dissimulações que marcam este governo. Nunca se viu tanto escândalo na história do Paraná e ao mesmo tempo tanta escassez de recursos (a rapaziada, ligeira, limpou os cofres) o que aparenta um paradoxo que só o terror dos mágicos pode explicitar.
Para onde foi a grana das bandalheiras da Leasing e da Corretora? Na primeira, R$ 300 milhões só de debêntures e mais uns R$ 130 milhões em operações temerárias e, é claro, aquelas indispensavelmente fraudulentas. Na Corretora, o alcance é mais ou menos equivalente, o que daria tranquilamente para cobrir o fundo de pensão dos servidores sem botar a mão, apressada e ansiosa, nos royalties de Itaipu e muito menos vender a Copel a preço de banana.
Se acrescentássemos aí a barbárie dos R$ 500 milhões em propaganda, a coisa ficaria mais visível para mostrar que Gargântua e Pantagruel são fichinha, em termos comparativos, à voracidade incontrolável desses pródigos. Vamos confiar, pois, que o Mister M pinte no pedaço e nos aponte para onde vai tanto dinheiro, que dreno abismal e ciclópico é esse que o absorve. Para que o Tribunal de Contas se incumbisse de qualquer missão mais aprofundada nesse particular, deveria unir os talentos do Mister M e as artes e coragem do Indiana Jones quando descobriu o tesouro da Arca Perdida. E não será por acaso uma arca tão valiosa a representada por todos os desvios do governo?
AFORÍSTICO
A roubalheira na conta do telefone não é menor do que a das taxas dos bancos. Cândido Gomes Chagas pegou a batalha: vai dar samba
BIZARRICE Agora é que vai ser complicado separar o mito da realidade: diz-se que havia na Assembléia, no tempo de Aníbal, sobra de dinheiro, como se ainda existisse a caixinha. Esse é um dos alvos dos que pretendem comandar a Casa. O outro, de uma covardia típica de nossa opereta diária, é atingir parte dos protegidos de Aníbal.
Em política se está sempre mais perto do karatê do que do caráter.
AXIOMA Um caso de quebra de sigilo bancário (não é o do Neco Garcia) ameaça atingir o conjunto do governo. É que a decisão judicial (Tribunal Regional de Porto Alegre) manda, acertadamente, apurar o nível de responsabilidade de advogados e auditores. Isso deveria ser rotina para que os laranjas vissem o tamanho do pepino que criaram com sua omissão e subserviência.
Por falar em bajulação, a declaração de Cândido Martins de Oliveira de que era mandado por Aníbal é anibalesca.
GLOSA Deputado Basílio Zanusso, ontem, fazendo previsões: Por enquanto tá empate, mas a noite ainda é uma criança!
MANOBRA A oposição PMDB, PT, PDT tentava, de qualquer modo, ganhar espaços com o racha, tal como havia feito na CPI da Sercomtel e, numa certa altura da tarde, era toda Nelson Justus, olhando-o como herdeiro presuntivo do guru. Alguns mais à esquerda descobriam tonalidades socialistas em Justus quando está muito mais para socialite. É que a oposição se agarra em fio desencapado. Um deles, por sinal, pode ter provocado o incêndio na Assembléia.
Mas o mau caratismo está em cena: havia gente pleiteando a delegacia de Polícia de Pinhais, cujo padrinho era Aníbal Khury. Como dizia a música de Carnaval: A coroa do rei// não é de ouro// nem de prata.// Eu também já usei// e sei que ela// é de lata!
SPRAY O Grupo dos 21, aquele que fez a manobra da CPI da Sercomtel e que após aceitou a reversão, está com Valdir Rossoni e seu líder mais entusiasmado é o Tony Garcia. - Palácio Iguaçu está fora dessa, oficialmente, mas um grupinho manobrava em favor do Justus. - Uma praxe mandava, desde a Constuituição Estadual do pós-guerra, que o mais votado fosse proclamado presidente e isso se deu com Aníbal como ocorrera em 47 com João Chede. Aplicando a regra, o laureado seria Antonio Carlos Belinati, de partido nanico e família gigante em matéria de poder. - O XVI Encontro Nacional do Ministério Público Federal no Rio, de 28 de outubro a 2 de novembro (Hotel Intercontinental) vai custar mais de meio milhão de reais. Revelação do custo é transparência, embora já esteja provocando protestos dos que acham que a categoria poderia bancar todos os gastos. - Muito segredo em torno do balanço do Banestado, que está difícil de sair e deverá apresentar um respeitável rombo por causa da UTI sistemática no interbancário. - Hoje, no Diretório Regional do PMDB, o tema é a intervenção em Londrina em função do mau desempenho na eleição proporcional. E nos da majoritária, considerando que Requião fez boa votação, debita-se só a ele? - Entrega-se o partido, como o pai a noiva no altar, ao Cheida. É nome forte. Será que se mexe? - Inepar deve assinar protocolo com uma ianque de telefonia no Palácio Iguaçu e que gerará 200 empregos diretos. Os adversários vão dizer que a empresa do Petraglia no governo é redundância. Exagero. Antes isso do que entregar os pontos como a Electrolux. - Também o Ministério Público estadual concluiu as apurações do caso das operações do deputado Algaci Túlio, irregularíssimas e já fulminadas no Tribunal Regional de Porto Alegre, em relação ao Banestado, que uma vez mais ficou com o mico. As tetas da loba romana estatal amamentam muito mais do que Rômulo e Remo, que construíram Roma. É o caso de mudar o ditado Quem tem teta vai a Roma.
FOLCLORE Uma onda na área de comunicação social sugere que uma coluna chamada Em Primeira Mão era feita no Palácio Iguaçu. Se de fato acontece nada há de espanto, afinal é da tradição. Numa época, em reuniões feitas na Paranatur, havia o tal de laborão, mutirão de jornalistas que faziam matérias, que nem pareciam pagas, e de interesse do governo. Afinal, a imprensa no Paraná nasceu em 1854, oficial, já que publicava os atos oficiais, com O Dezenove de Dezembro. Curiosamente nasceu no 1º de Abril, Dia da Mentira.
CROMO A morte é a única realidade. A vida, não, é fantasia, magia. Penso nisso enquanto descuidada me cai na cabeça a pétala do ipê amarelo.





