Luiz Geraldo Mazza
Um filtro político, urgente
Uma das primeiras consequências da ausência de Aníbal Khury na política será a possibilidade de um tom vandálico, feito à base de pressões, como aquelas enunciadas pelo Grupo dos 21. Como é inimaginável um filtro para esse estilo de demanda, considerando-se ainda a fragilidade do governador e sua falta de determinação, dá para perceber que teremos um tempo de flagelo.
A justificação retórica, como se deu no caso, que lembra cadáver insepulto, do empréstimo Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam, era a de que a gravidade do assunto não comportava omissão e cumplicidade. Tudo, no entanto, não passou de uma farsa, já que não é possível aceitar a mudança rápida de aguda indignação para a tolerância primária que fez afundar a CPI, já instalada. Pegou mal para todos: governo, Grupo dos 21, empresas públicas e privadas e para a imprensa e os meios de comunicação que esqueceram de tudo rapidamente.
As perspectivas, no entanto, não são boas: um grupo que pretende representar o espólio de Aníbal Khury e que tem o nome de Nelson Justus como candidato natural à presidência, apoiado nos bastidores por João Elísio mais Heinz Hervig e Cândido Martins de Oliveira, secretários da reserva particular, acha que tudo terá uma sucessão natural se as coisas ficarem como estão. Mas o Rossoni, da mesma região de disputa do saudoso guru, tem pretensões de traço hegemônico e que se articula com o grupo majoritário, incluindo os 21.
Tivesse o governador aquele mínimo de determinação, que o mandato impõe, chutaria o pau da barraca e exporia o seu pensamento de forma clara numa conversa franca e extensiva aos parlamentares de oposição. Isso, porém, é inimaginável em se tratando do governador que temos, em torno de quem a piada mais frequente é aquela que sugere que ainda não tomou posse do primeiro mandato, quanto mais do segundo.
BIZARRICE
Aníbal Khury brigou intensamente com Jaime Lerner e Cassio Taniguchi para garantir a volta de Luiz Carlos Martins ao Legislativo com aquele deslocamento do Marcos Isfer para a Secretaria de Governo de Curitiba. Com sua morte, Martins se efetiva. Eis um ato de doação pessoal extrema
AXIOMA Sugeriram ao presidente do Coritiba, Jacob Mehl, que usasse o modelo lerneriano de empréstimo: antecipação de todas as receitas junto à CBF para comprar um beque e um atacante que acerte o gol. Pelo jeito, Jacob e Lerner, também coxa, deixam seus espaços de administração falidos e mal falados.
GLOSA A declaração de Cândido Martins de Oliveira de que Aníbal não mandava na Segurança, mas nele, o secretário, é algo que transita num território em que é difícil dizer onde termina a lealdade e começa a subserviência.
EPIGRAMA Uma pergunta que merece reflexão, embora possa ser respondida de bate-pronto: qual o governo mais corrupto que o Paraná já teve?
ALEGORIA Falou-se muito que o vigarista Joni Rodrigues, por circular na alta roda, acabou envolvendo a hierarquia da PM. Se as rádios FMs usassem música para parodiar acontecimentos reais poderiam colocar aquela da jovem guarda: Ai!, Ai! Joni, ai!, ai! Alfredo// quem é da nossa gangue// não tem medo!//
SPRAY A inércia no governo Lerner se acentua com a morte de Aníbal e mantém em suspense o problema da Segurança, o mais grave do governo, com potencial para derrotá-lo nas eleições. - A impaciência, tanto na corporação civil quanto na militar, é visível: um sistema vicioso, assentado na obediência a políticos, destroça o fundamento institucional. - Dias passados, um delegado do interior, que pretendia remoção, foi aconselhado pela hierarquia a pedir o aval de um desses deputados que exploram temas policiais nos meios de comunicação. Assim não dá. - Aliás, um político de Cascavel, que tem programa de rádio, afastou o delegado Cartaxo da região sem qualquer cerimônia e se não é um prefeito de Leônidas Marques protestar, o delegado de Almirante Tamandaré, processado, estaria até hoje operando. - E aquele caso do golpe dos 3 por 1 que alcançava policiais de Londrina, como é que ficou? - Desde 10 de agosto, Marcelo Almeida Pereira vem denunciando ao Ministério do Meio Ambiente, Casa Civil, Instituto Ambiental, que uma área imensa da Mata Atlântica vem sendo alvo de depredação sistemática na localidade de Bairro Alto, margem esquerda do Rio Cachoeira, altura da Usina Velha. Ninguém deu bola, a depredação continua, o que não espanta nessa ordem ecológica, muito eco e pouca lógica. - Luiz Carlos Martins está arrebentando na Banda B: saiu do oitavo lugar em fevereiro para o terceiro em março, o segundo em abril e o primeiro de maio a julho. 25% dos rádios ligados na AM estão sintonizados na emissora. - Temos jornais da ecologia, de defesa do consumidor e agora o da cidadania. Fujam dos empréstimos, é um dos conselhos. Outro é o de que existe súmula do STF que proíbe a cobrança de juros compostos em cascata, comuníssimo nas vendas a prazo. - Na sede do PMDB estão fazendo um painel artístico de Maurício Fruet que ficará ao lado do outro, do pastor Elias Abraão.
FOLCLORE O bebum ia no Restaurante Scala, no Parque Barigui, enchia a cara e na volta, ao passar pelo nicho do jacaré ouvia a imprecação do réptil e que o chamava duramente de bêbado. Todo o dia a cena se repetia. Um dia ele não aguentou: passou por lá antes de beber e esperou a saudação bêbado!. Não teve dúvidas: meteu a mão na garganta do jacaré e virou-o do avesso. Foi tomar a clássica birita e quando retornava, quase desmaiou: o bicho ao avesso chamou-o e isso várias vezes de odababe, odabebe, odabebe.
CROMO O que é mais falso: esse veranico ou o nosso temor do frio e da chuva?
AFORÍSTICO Meu tio Alfredo Mazza, na prisão em 64, ao ver um companheiro choroso deu o recado, cochichado: Faça como eu, finja que é homem!. Queria singelamente dizer que o medo só atinge os comuns, os outros despistam.





