O pianista do saloon
O secretário Cândido Martins de Oliveira, da Segurança, está prometendo o soco na mesa, coisa inimaginável em Lerner. Mas fará ao seu estilo e com a velha subserviência aos políticos. Anuncia-se rolar de cabeças. Espera-se que não sejam as dotadas de QI, sabidamente não muito numerosas. Esclareça-se que o secretário, por estar há muito tempo no posto, não tem o direito de trasferir responsabilidades, tentando sugerir, por exemplo, que ele teria menos ônus em tudo que está ocorrendo do que os comandos descentralizados nas áreas civil e militar.
Que não se atue aí com aquele senso do faroeste em que no tiroteio quem morre é o pianista do saloon. O primeiro erro é a concessão política, dada a dimensão alcançada pela violência e o crime organizado, quando se sabe que há o cruzamento da malha delituosa com a da lei e que esses agentes atuam como cabos eleitorais, o que gera uma situação de tutela. O segundo é a ausência de vontade política deste governo, que quebrou o Paraná, de reassumir encargos e prerrogativas que indevidamente delegou a políticos.
No setor civil, é incompreensível que justamente alguns dos melhores quadros estejam em aberto conflito com o sistema, como se viu nas sequelas do provimento da Corregedoria que simplesmente reproduziu a lei, quase uma operação padrão, apesar dos seus formalismos que efetivamente criam focos de obstrução a uma atuação mais aberta e eficaz. No militar, o predomínio de comandos entregues a oficiais da reserva é um desestímulo à renovação e a um sistema de carreiras que exige o ajuste à vida moderna. Já no governo Alvaro Dias, houve problema semelhante e que só teve solução com a demissão do comando e do Estado-Maior, este da reserva. Isso logo no início do governo.
Ninguém acredita em melhora substancial nos próximos anos, ainda mais com a sequência de atritos entre civis e militares que o governo mal consegue dissimular. Uma vez mais o secretário promete soluções radicais que não virão.
Pelo jeito o pianista do saloon, que nada tem a ver, pode sobrar.



BIZARRICE
O PMDB abre suas portas para os ‘‘corações arrependidos’’, idéia do ex-vereador Marcelo Almeida. De fato, muitos que seguiram Lerner não querem nem saber do governador. Maioria desses, porém, preferiria um PMDB sem Requião

AXIOMA Ontem, pessoas do staff do presidente da Assembléia queriam negar até que ele estivesse hospitalizado e uns sugeriam que ele estava em Florianópolis e outros falavam em Porto Alegre. Um dos que admitiam a hospitalização – o que é óbvio porque até os médicos a confirmaram – achava que está na hora de colocar a serviço de Aníbal Khury um experimentador de alimentos, como faziam os reis clássicos. Dizem que o que desequilibrou Aníbal foi uma linguiça deteriorada. O Buda passa bem e, inquieto como é, estava querendo ir ontem ao serviço.
GLOSA O governo tenta sugerir que as operações para cobrir os erros clamorosos da Corretora Banestado são normais. Só que um termo aditivo sobre a garantia com ações da Copel foi firmado em 3 de março deste ano. Coisa fresca, portanto, e para tirar alguém da curva.
DESINFORMAÇÃO Ausência de informações corretas sobre as coisas levam deputados e vereadores a mancadas, ainda que cercados de boas intenções. É o que, neste momento, acontece com a moratória pretendida por Neivo Beraldin nos convênios com prefeitos. O alertamento de Lubomir Ficinski, que quando está fora do governo é consultor do Banco Mundial, de que essa moratória seria uma bravata inútil, que nem efeitos políticos traria, e transformaria o Paraná, que sempre cumpriu as normas contratuais, em inadimplente e paralisando 700 obras.
ANALOGIA O uso da gráfica do Senado para finalidade de proselitismo deu margem, tempos atrás, à cassação do mandato do senador Humberto Lucena por causa dos calendários, no entendimento do Judiciário. Ele foi salvo pelo gongo por ação do Executivo, mas a decisão firmou jurisprudência. Pois agora setores governistas estão acusando o senador Requião da mesma irregularidade. É que o uso da gráfica para finalidade eleitoral (afinal a campanha do trânsito é a bandeira da oposição pouco imaginosa de Curitiba) serviu para uma carta coloquial, tal qual como fazia quando governador e que deu margem ao rumoroso processo das diárias frias já julgado na primeira instância.
SPRAY A sequência do feriadão no Judiciário levou o cerimonial do TJ a suspender a missa do dia 5, domingo. - Oposição está mapeando os casos de projetos industriais que falharam (o da Paumer em Guaratuba, o da fábrica da Electrolux em Fazenda Rio Grande) e aqueles em que há irregularidades na compra dos terrenos como os da Renault e agora da Audi-Volks, denúncias da imprensa alternativa. - Colégio Sagrado Coração de Jesus lança domingo no Castelo Treviso (Santa Felicidade) um livro didático feito por seus alunos. - A partir do dia 3, o Hotel Fazenda Quintas de Bocaiúva terá pacotes turísticos em sua primeira etapa de hotelaria em cinco chalés. - Peter Maslovicz, ex-delegado e ex-PM, tem um plano de unificação das Polícias que merece avaliação.
FOLCLORE O livro ‘‘Maurício Fruet - um brasileiro cordial’’, de autoria dos jornalistas Hugo Santana (que foi secretário da sucursal da capital desta ‘‘Folha’’) e Sandra Pacheco, vai ser lançado segunda-feira no salão nobre da Assembléia Legislativa, às 18h30. O Mussa Assis faz a orelha e o Euclides Scalco o prefácio. O contrário seria redundância, bem no estilo de uma piada do homenageado, o Fruet, de quem já adivinhamos o sorriso maroto.
CROMO Uma cena surreal: o jornalista Argemiro Garcia conduzia um display em tamanho natural da atriz Débora Secco pelas ruas da cidade. Quando lançaram o da Tiazinha fez a mesma coisa. No da Tiazinha ficou sem o chicotinho.
AFORÍSTICO De que sarcófago saíram os porta-vozes, Senhor?

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