Dona Justa em crise
Fossem policiais comuns, maliciosos, afeitos diretamente às duras regras do jogo do convívio corporativo e não exemplo daqueles que reagem e tentam mostrar, no seu testemunho profissional, que é possível exercitar a missão com dignidade e independência, casos específicos do corregedor Anníbal Bassan e do delegado Adauto de Oliveira, e o secretário Cândido Martins de Oliveira tiraria de letra a crise interna com mais facilidade do que o esquecimento daquele atentado que sofreu no primeiro tempo do governo Lerner.
É claro que o titular da pasta tem o dever de buscar a unidade interna, mas não consta igualmente que a qualquer tempo tenha exercido posição de firmeza contra as imposições da política primária em sua área. Acomodou-se no posto ao jogo livre de pressões e não guarda qualquer proximidade ao conselheiro do Tribunal de Contas que, por não concordar com as acomodações, votou contra a aprovação de parte do período de Roberto Requião. Há quem diga que foi por aí que acabou se credenciando à pasta, como o coronel Vieira o fazia, num posto menor da hierarquia militar, denunciando o que ocorria na PM sob aquele período governamental, com o que também ganhou a condição de principal orientador de Lerner nos problemas da milícia estadual e que explicitam os problemas até hoje existentes.
O corregedor tem um histórico: recusou-se a assinar o contrato dos helicópteros, adquiridos no governo Requião, como representante dos delegados no Conselho do Funrespol, Fundo de Reequipamento da Polícia. E sacrificou-se com isso porque não obteve apoio da categoria em eleição sindical, perdendo para um candidato mais palatável aos interesses do Palácio Iguaçu. Nada se faz nessa área sem riscos. Assim também se pode falar de um delegado-símbolo, em termos de austeridade, como Adauto de Oliveira, que ‘‘entregou’’ o fato de haver 33 policiais envolvidos em narcotráfico ou extorsão.
Para um governo que não tomou consciência da seriedade do problema havido na delegacia de Almirante Tamandaré, em que ficou demonstrado o envolvimento da malha da lei com a do crime - ao ponto de nomearem, ainda recentemente, um dos titulares sob investigação para Leônidas Marques, fato que não se consumou por intervenção do prefeito - tudo se resolve nos ‘‘panos quentes’’.
Os PMs agrediram três delegados e deixou-se tudo passar como se não fosse um ato de retaliação contra o fato de a Polícia Civil estar investigando as façanhas do vigarista Joni Rodrigues, que tinha livre trânsito na hierarquia militar, onde se usou até a P2 para protegê-lo, o que é herético demais.
O empenho em que haja harmonia entre as polícias Civil e Militar é até compreensível, desde que não seja feito como compensação de culpas de uma e de outra corporação, cujos pecados, nem sempre veniais, parecem fora de controle.

BIZARRICE
E agora essa: alguns prefeitos de municípios banhados por Itaipu apoiam a antecipação dos ‘‘royalties’’ para Lerner como para eles também. Quem dá a idéia é o Rubinho Ferreira, com aquele riso de Doutor Silvana

AXIOMA Dia 24, convescote cívico na Praça Tiradentes, em Curitiba, em torno do busto de Getúlio e da Carta Testamento, salmo predileto do Zé Carlos Martinez. Eis o que diz o anarcoassociativista Elísio Marques sobre o tema: ‘‘Passo por lá há quarenta anos, mas nunca soube ao certo se o homenageado é o de lenço rubro ou o de camisa-verde, o que nos acenava do último vagão ou o que reverberava no Estádio São Januário, o que se suicidoue ou o que ‘‘foi suicidado’’, o que botou o Brasil nos eixos ou o que pretendeu apoiar o Eixo, o marido da Dona Darci ou o amante das cantoras, o Getúlio do PTB ou do PSD. ‘‘Mito é isso aí; o resto é sopa de letrinhas.’’
GLOSA Aposentados do Banestado denunciam que o Funbep vem coagindo inativos à aceitação de renúncia do passivo trabalhista e cível. A denúncia, feita no mês passado, tramita no Ministério Público do Trabalho.
SPRAY Com mais senso do que o estrilo do PMDB, PT e congêneres, o PSDB acaba de formalizar denúncia sobre o acerto Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam. Se a seção do partido é livre em relação a FHC, imagine-se o que pode aprontar para Lerner, apesar do acordo branco de rala memória. - Se a denúncia for acatada, todo o empenho em esconder as coisas só agravará as suspeitas. - O Banestado expira, mas seus trabalhadores, não: neste fim de semana, dia 21, fazem o seu 14º encontro, talvez o penúltimo antes da privatização, e lançam campanha salarial lá na Associação Banestado na Praia de Leste, em instalações que ganharam de diretores assistencialistas. - Mesmo definhando, bancários dão vitalidade ao Banestado, botando um rubor nas faces maceradas do quase cadáver: amanhã, 18 e 19 haverá assembléias pelo aumento. Imaginem um banco quebrado dar reajuste de 9,47%, produtividade de 15,5%, participação nos lucros, garantia de emprego e bala de hortelã. A CUT singra na maionese. - À falta de qualquer motivo para comemorar eficiência, a Segurança festejou a estatística da ‘‘Folha de S.Paulo’’ que dava Curitiba em 8º lugar, com uma taxa de homicídios de 24 por 100 mil habitantes. Números são de 97 e indicavam 600 ocorrências num ano, indicador inteiramente superado.
FOLCLORE O prefeito Cássio Taniguchi vai mandar bombear as águas do Passeio Público para oxigená-las, afastar algas e torná-las cristalinas. Impensável fazê-lo na cloaca que é o Parque do Barigui, onde programa também obras de ensecadeira para isolar o canal do rio. Se fossem multados os que poluem como os que agridem o trânsito, Curitiba estaria salva.
CROMO E a neve será apenas a minha memória hibernada?
AFORÍSTICO Alvaro Dias botou o preto no acordo branco. Preto no branco.

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