Quando das ocorrências de Santa Isabel do Ivaí deu-se ao episódio dimensão visivelmente exagerada, passional, tanto da parte do MST como do governo. O secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, por exemplo, viu na foto do choque entre sem-terras e policiais uma garrafa voando e passou a afirmar que era um ‘‘coquetel Molotov’’. Inábil ainda ao governo em agir em ‘‘dobradinha’’com o proprietário da fazenda invadida ao pedir, através do DER, o despejo daqueles que ocupavam a faixa de domínio da estrada.
Tivemos depois disso - e haverá outras situações até porque o MST anuncia uma escalada de invasões - a morte dos lavradores em Pinhal Ralo. Acusados estão presos e tudo andou rapidamente, o que não ocorreu, a não ser na perspectiva da repressão, em 1993 com os lances de Campo Bonito. Com as ações de reparação na Justiça, como a da viúva do Teixeirinha contra o Estado e a de Requião ( calúnia e difamação) contra Varisco, que o aponta como o autor de ordens de extermínio e mais ainda os procedimentos que correm, na área criminal, contra os sem-terra acusados do linchamento de três PMs, a verdade aflorará e sairá do esquecimento.
Além do mais, é uma questão de honra para a Polícia Militar ver tudo clareado, embora por dever de ofício e obediência corresse um risco sério com a forma como o governador encarava a questão dos sem-terra em aberto conflito com a Justiça. Descontados os tons políticos que possam ser detectados nas palavras de Joni Varisco, que diz ter ouvido pressões de Requião contra o coronel Walter Pontes, comandante em Cascavel, chegando a chamá-lo de covarde por não agir com maior determinação, percebe-se que os acontecimentos recentes imporiam a reabertura do processo também na instância militar.
Da mesma forma que Álvaro Dias pagou um ônus político pelo fato de a Polícia Militar ter dispersado manifestação de professores - da qual se valeu Lerner para eleger-se - e que Requião foi beneficiado pelos antecedentes da família Martinez através de sua colonizadora, agora terá inevitavelmente o ônus desse evento trágico sobre o qual existem imagens tão ricas e contundentes quanto as que o favoreceram sem necessidade de ‘‘encenação’’. Dá para imaginar a viúva do Teixeirinha, dona Lúcia Mainko da Silva, e o seu filho Marcos fazendo relatos no horário gratuito sobre o assunto.
Quem com Ferreirinha fere, com Teixeirinha será ferido. É a lição elementar que se extrai do episódio, pouco importando se a versão se sobrepõe ao fato. O brigadeiro Eduardo Gomes pagou pelo que não disse quando lhe atribuíram a frase pejorativa de ‘‘marmiteiro’’ para os trabalhadores, sacada por Hugo Borghi. Richa e Saul Raiz por causa de suas aposentadorias legais, o primeiro atingido pela justiça poética de haver prejudicado o segundo. Assim é a rosca sem fim da política.
BIZARRICE Belinati é cada vez mais parecido com o coronel Paraguaçu. Fez fina ironia, recorrendo ao latim para saudar a decisão de Lerner de governar agora no interior: ‘‘interiora regne quae sera tamem’’. O interior do reino, ainda que tarde. Finura não merece censura. Não se usa espada em jogo de florete. Com isso faz sutil lembrança de quem gritou pelo interior foi ele. E foi, não importa com que intenção.
METÁFORA Mas não só Belinati se vale de metáforas. O secretário nacional do PSDB, Arthur Virgílio, disse o seguinte sobre o caso paranaense: ‘‘A água parou de subir e procura agora os canais de escoamento’’. Resta saber quem se afoga e quem se atola na lama.
SPRAY Lerner prometeu, ontem, em seu café da manhã com centenas de executivos, voltar-se para o desenvolvimento das empresas paranaenses. Não é sem tempo, já que corre o risco de ser o detonador, a um só tempo, da internacionalização e também da desparanização. - Fora o episódio Bamerindus temos ainda em tempos recentes a absorção da Refripar pela Electrolux, Placas Paraná, Impressora Paranaense, Hermes Macedo, Malas Ika etc. - Nem tudo, porém, é negativo: num momento em que o governo não paga as empreiteiras (à exceção das que constróem as pontes de Guaíra e Porto Camargo), a CR Almeida volta ao ranking nacional com patrimônio de R$ 2,46 bilhões e lucro de R$ 424 milhões. - José Richa e Karlos Rischbieter se encontram em Brasília com FHC e tratam do ingresso de Lerner no PSDB como questão estratégica. - Desinformado sobre a questão do BRDE, o governador Lerner caiu numa ‘‘armadilha’’ dos gaúchos que desejam o fracionamento da instituição para reforçar um banco estadual que surgirá da soma do já existente com a Caixa Econômica estadual mais a parte do banco regional. - Pelo jeito está encontrando dificuldades para capitalizar a agência de desenvolvimento (fomento) do Paraná e busca um caminho tortuoso, no momento em que drena recursos do Fundo de Desenvolvimento para respaldar a chegada das montadoras. O BRDE é necessidade supra-local que pode ter papel relevante como motor de desenvolvimento regional voltado ao Mercosul. - Termina hoje em Foz do Iguaçu o Congresso Internacional de Direito Comunitário e do Mercosul, presentes os presidentes dos supremos do Brasil e Chile e mais ministros do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Portugal. Um dos conferencistas é de Luxemburgo, sede do Tribunal Internacional da Comunidade Européia.
FOLCLORE O orador foi saudar o esportista Loprete Frega, do Primavera, e começou a se bater para pronunciar o nome. Primeiro tascou o Loprega Frete, depois Frelote Prega e assim por diante, até que um coral desse o nome silabado do homenageado.

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