A dança de São Vito
Dá para levar a sério a bateria reivindicatória dos 21 deputados da chamada base governista? Esse pessoal é aquele mesmo que armou o escândalo da CPI da Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam e depois saiu de fininho, criando o maior constrangimento, já que, apesar de instalada, a articulação foi desfeita por decisão dos próprios deputados que a instituíram. Seria ótimo se tivéssemos um ‘‘grampo’’ no Palácio e que gravasse tudo, do furor cívico (cínico) dos deputados às costumeiras reticências do governador.
Tivesse o governador um mínimo de autoridade, não teríamos a concentração de sem-terra na área dos Três Poderes e essa lenga-lenga parlamentar que volta e meia tenta sugerir mobilização, preocupação com o pleito municipal, quando se trata, visivelmente, de interesse personalíssimo, como se viu na CPI.
Essas conturbações a prazo, altamente suspeitas, sugerem que a base aliada, muito mais forte e aguerrida do que a lamentável oposição, padece da Dança de São Vito, aquela patologia que transforma seus portadores em vítimas de crises convulsivas. Alguém acredita sinceramente que os deputados estaduais estariam preocupados com a austeridade e o enquadramento do governo estadual na rigidez da Lei Camata? Não. E a observação do deputado Nelson Justus, também aliado, mas fora do Grupo dos 21 (que tal botar a Ana Paula Arósio como ‘‘madrinha’’ para mostrar as boas intenções?), é totalmente procedente: trata-se nada mais nada menos do que pura barganha.
Quem cria esse clima é o governador, destituído de pulso para a função e que deu colher de chá demais para os políticos, ao ponto de perder o controle da Segurança, fato visível na agressão da PM a três delegados, no apoio que alguns hierarcas militares deram ao vigarista Joni Rodrigues, no fato ainda de Curitiba, especialmente, e Londrina, numa escala menor, estarem abertas ao crime. A impressão que se tem é que a versão do que se deu ontem na audiência já estava pronta desde o fim da semana passada. O que é apropriado à opereta não assenta bem como drama. Ridículo.
Mais honesto do que ficar trocando esse tipo de estocadas, seria reabrir, de uma vez, o caso da Sercomtel e em seguida - por que não? - o do pedágio.
AFORÍSTICO
Paraná, segundo estatística recente, é o segundo Estado do Brasil em suicídios por arma de fogo. O primeiro é o Rio Grande do Sul, curiosamente sede de indústria de armas. Ranking negativo é com a gente mesmo.
BIZARRICE Quando um assessor de Cássio Taniguchi sugeriu que o próximo animal a ser inserido na campanha de educação do trânsito seria um cachorro louco, para configurar a oposição, o ex-deputado Maurício Requião indica a utilização do gato que simbolizaria muito bem o governo atual. Dentre os bichos, o bichano é bem mais doméstico.
AXIOMA O Rubinho Ferreira sugere que se faça um concurso para ver quanto tempo Antonio Belinati permanece no PFL. Mas o clã tem uma espécie de consórcio de partidos, já que Dona Emília é do PTB e o filho deputado do PSB. A partilha no caso é a prova de que Maquiavel estava certo quando afirmava que é essencial dividir para governar.
GLOSA Discutia-se o fim do mundo na Rádio CBN, marcado para amanhã, quando o Jota Carlos mandou mais uma quadrinha ao programa: ‘‘O fim daqui é o mais chique// que Nostradamus previu// Depois do Fernando Henrique// tudo acabou e ninguém viu!//’’
CRÉDITOS Se um deputado estadual anunciasse que cederia o seu gabinete para funcionar uma associação de credores do governo, ele tanto poderia ser da oposição como do governo. Quanto mais provocativa a causa, maior a hipótese de ser da base aliada do Palácio Iguaçu.
GAFE Semana passada, dia 2, no programa ‘‘Jô Soares Onze e Meia’’, o escritor e jornalista Paulo Markum era o entrevistado na condição de autor do livro que relata a biografia de Anita Garibaldi. Lá pelas tantas, Jô perguntou: ‘‘Paulo, me diga uma coisa, como foi que essa moça veio parar no Brasil?’’. O espanto do entrevistado foi visível e, embaraçado, respondeu: ‘‘Jô, acontece que Anita era brasileira, nascida em Laguna, Santa Catarina.’’
Por sinal que há uma brincadeira anticatarinense exposta na piada (de mau gosto) de que seu único herói é uma mulher, justamente Anita.
SPRAY Só não saiu nova greve caminhoneira, de abrangência nacional, por causa de um conflito de orientação entre a liderança do Movimento Brasil Caminhoneiro e a do sindicato nacional da categoria. Permanece, no entanto, por um fio. - Para o governador do Paraná, a parede ou locaute veio em boa hora, reforçando sua posição, já bastante debilitada, junto aos consórcios do pedágio. Ganhou fôlego numa disputa em que perdeu todas no Judiciário. - O governo paranaense criou mais dificuldades do que auxiliou o grupo da ginástica rítmica, cuja base está em Londrina, que ganhou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. Só falta agora quererem faturar o feito alheio. - Maior prova de ausência mínima de prestígio do governador paranaense é o que está acontecendo com a sediação principal das atividades do Banco Central no Rio Grande do Sul, gerido por um governante de oposição. Não se trata de novidade, pois quando a nossa malha ferroviária era a mais produtiva do Sul, a regional do Departamento Nacional ligado aos trilhos estava em Porto Alegre. - Empresários estão ofertando imóveis como doação à Segurança. Uma delas, casa número 12 da Rua Mateus Leme, servirá para a 2ª Companhia do 12º Batalhão da PM. Outra do mesmo setor da PM, na Rua Noel Rosa, número 30.
FOLCLORE Hoje é dia de festa dos 145 anos da Polícia Militar: haverá retreta e desfile no Centro Cívico. Os sem-terra serão os mais numerosos dentre os participantes das solenidades. Como tudo é festa, não se cogita de despejo.
CROMO O cair da tarde ou é púrpura, como ontem, ou abrasivo, vermelho forte, clarão saído de uma forja a indicar o tempo seco.

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