O ‘‘Ferreirinha’’ da campanha eleitoral foi um personagem fictício que ajudou a eleger Requião governador. Teixeirinha, líder sem terra, morto no conflito de Campo Bonito, no qual mais três policiais militares perderam a vida, foi uma pessoa de carne e osso levada ao martírio e esquecida pelos basistas pela conveniência das acomodações políticas. O primeiro caso já está arquivado e de forma definitiva pela decisão do STF que não entrou no mérito do estelionato eleitoral porque houve prescrição. O segundo foi arquivado na justiça militar, mas pode ser reaberto a qualquer momento isso porque além de deixar sem julgamento a morte de quatro pessoas, o que é uma aberração, o fato em sí determinou procedimentos judiciais contra sem terras na justiça comum e contra o governo por parte das vítimas que buscam reparação civil.
Não bastasse tudo isso ainda anteontem o ex-deputado Joni Varisco, secretário do Trabalho, em depoimento na justiça de Cascavel, em processo movido pelo senador Roberto Requião por difamação e calúnia, reafirmou que o ex-governador teria dado ordens para a execução do líder sem terra, recusando-se à retratação proposta pelo advogado do autor na ação de indenização. Além, pois, desse processo há outro de natureza criminal, intentado por Requião, contra o ex-deputado.
As coisas, porém, não param aí: a viúva do Teixeirinha, Lúcia Mainko da Silva, ficou estarrecida ao ver o senador no meio dos sem-terra, na marcha em Brasília, e saiu do silêncio que se impusera, até por temer represálias tanto a ela como ao filho Marcos, de 16 anos, que tudo presenciou em Campo Bonito, e decidiu acionar o estado sob a alegação de que seu marido foi executado e não morto num confronto, conforme a versão oficial.
Tanto a reafirmação da acusação de Joni Varisco - adversário notório de Requião nas disputas internas do PMDB, inclusive na das prévias para a presidência e que abriu caminho para a vitória de Mário Pereira no diretório regional do partido -, quanto a predisposição da viúva criam um fato novo e que agora não trata de um cadáver fictício (se é que o motorista Afrânio, o que encenou o Ferreirinha, já não está igualmente ‘‘arquivado’’), mas real e, portanto, capaz de restaurar documentalmente uma história muito controversa.
Esses episódios recentes levam o semanário ‘‘Hora H’’, a partir de hoje, a uma série de reportagens na mesma linha da que tratou das bruxarias de Guaratuba e lhe assegurou o Prêmio Esso (regional) enfocando a anatomia dessas mortes em Campo Bonito no evento mais forte e trágico dos sem terra no Paraná.
BIZARRICE Em São Paulo um corintiano se dirige a um palmeirense com a frase sutil: ‘‘cinco muito’’. Em Curitiba, paranistas e coxas quando encontram vários atleticanos dizem :‘‘Como vão ôceis (seis)?
SPRAY Eleição direta nas escolas, já derrubada no STF, ainda predomina no terceiro grau e aí parece residir a crise do Hospital de Clínicas, pois o regime consular das acomodações políticas deu cobertura à intervenção do Reitor, o que é denunciado, agora amplamente, por um jornal que defende o diretor destituído Mário Sérgio Cerci. - A eleição direta não garante que haja democracia em todos os níveis, tanto que a vice reitora Maria Amélia Zainko e o presidente do Conselho Setorial do Setor de Ciências da Saúde protestaram. A manobra tem todo o jeitinho de estar relacionada com a próxima eleição. - Ao tentar sugerir que o problema do HC decorria de falha administrativa, o Reitor tentou abalar a imagem de Mário Cerci, que lhe fazia sombra, mas não esperava a reação de toda a bancada federal e de vereadores de Curitiba solidários ao ex dirigente. - A maior vergonha em relação ao problema é o fato de o HC ser o único hospital-escola do país que não tem a cobertura de sua folha de pagamento pelo MEC. Lembre-se que tivemos nos últimos 43 anos ministros tanto na área da Educação (Flávio Suplicy de Lacerda, Ney Braga, Euro Brandão) como na de Saúde (Aramis Athayde, Borges da Silveira, Alceni Guerra), o que é prova suficientemente forte do extremo retraimento do político paranaense. O gaúcho Tarso Dutra, no Ministério, federalizou todas as universidades estaduais e nós não o fizemos com nenhuma delas. Fiasco. - Grupo do Tuiuti, que vai ser agora Universidade, ganhou concessão para tv e depende da compra de transmissor. - Na volta de FHC é liquidada a fatura da entrada de Lerner no PSDB. Luis Carlos Hauly tentou forçar a barra em reunião do diretório nacional e viu que a maioria olha a adesão do governador paranaense como necessidade estratégica. - Última convenção estadual do PSDB, isso só para refrescar a memória, foi a que apoiou Lerner para o governo. Nesse tempo Álvaro Dias estava do outro lado e passaria ainda por outras legendas para entrar no tucanato. - De 73 prefeitos do PSDB 51 são a favor de Lerner. -
FOLCLORE Tudo bem: Lerner já tomou sua decisão partidária e quando vai começar a governar? Tem gente muito braba colocando a questão e outros, mais radicais, chegam ao extremo de perguntar se ele toma posse antes da campanha da reeleição. Em política o azedume é livre.
CROMO No túnel viu a luzinha no fundo: era alguém fumando crack ou seria, outra vez, a fagulha do trem imaginário ou o cintilar prosaico de um vagalume? AFORÍSTICO A lesma saiu do jardim em sua marcha, atravessou a cidade, e Jaime Lerner não tomou claramente sua decisão partidária. No percurso de volta da lesma é possível, que, contornadas as divergências, o governador entre no PSDB, apesar de ter, há muito, a maioria de apoios. Montagem de partido é mais lenta do que acerto com montadoras. Mas lá o acerto é secreto sem esperneio.

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