Luiz Geraldo Mazza
As águas vão rolar
Neste mês, FHC envia mensagem ao Congresso criando a Agên cia Nacional de Águas que vai regulamentar a lei federal que trata de recursos hídricos. É preciso que o Estado-membro se ajuste a essa nova realidade, razão pela qual o governo paranaense encaminhou o Projeto 255/98 e que foi detido em sua tramitação na base do alarmismo de que iria inviabilizar a agropecuária com novos custos na exploração de poços, minas e vertentes.
O projeto foi aprovado por todas as comissões temáticas (duas vezes pela Comissão de Constituição e Justiça, a segunda na condição de Substitutivo Geral que acolheu a maioria das 28 emendas de plenário) e foi retirado da Ordem do Dia. Conforme as cautelas tomadas, 98% dos produtores rurais do Paraná estariam isentos de qualquer cobrança e há o objetivo da inserção do setor participando sobre a gestão desses recursos.
O recurso água, por enquanto abundante, tende a escassear em escala mundial. E o projeto em questão visa definir uma política e organizar um sistema de gerenciamento. Problemas mais urgentes são controle de cheias (há em sentido inverso ciclos de seca e que exigiriam reservação de águas, como se deu em Curitiba com a Barragem de Piraquara para regular a vazão do Iguaçu), reserva hídrica para irrigação, redução dos níveis de poluição dos rios e mananciais nas áreas mais urbanizadas.
Foi preciso uma estiagem, acompanhada de geada, para que o Paraná sentisse, à época do governo Canet Júnior, a importância estratégica do assunto. Reservas de água privadas foram mobilizadas. Um grupo de engenheiros sanitaristas, ao qual estava ligado o ex-diretor regional do DNOS (Departamento Nacional de Obras e Saneamento), Expedito Dacheux Pereira, procurou interessar o setor da agropecuária no assunto drenagem e irrigação, tema que ganhou destaque no programa de governo de Álvaro Dias, pouco levado à conta, mas com ênfase no manejo das microbacias pela ação de Osmar Dias naquela gestão e na de Requião.
Num momento de fermentação é indispensável o envolvimento de todos no trato da matéria. A água ainda não é um bem escasso, mas caminha para isso. Basta ver o que se dá em Curitiba quanto à água potável.
BIZARRICE
Quando o governo derruba a terceirização das multas nas rodovias, antes de comemorar é preciso tomar cuidado porque pode vir a quarteirização
AXIOMA A padaria dos sem-terra não precisa de alvará. Com os governos estadual e municipal que temos, tudo vale a pena se a lama não for pequena.
GLOSA O PMDB tenta mostrar que está vivo: fez o buzinaço contra as multas e não foi multado; promoveu o encontro de Londrina com figuras nacionais e que teve menos repercussão do que a entrada do Belinati no PFL, amanhã.
EPIGRAMA No exato momento em que a Polícia Militar agredia barbaramente três delegados da Polícia Civil, Lerner trombava com 21 deputados da base aliada. Família que tromba unida, permanece unida. Com tais aliados, pra que oposição?
METAFÍSICA Dura é a transição de solto nas patas a de bexiga solta.
A propósito, Millor Fernandes relata que o sujeito se mata para ter três banheiros e quando isso acontece está com incontinência urinária.
RETARDADO Como sempre, o Paraná não soube reagir na hora contra as medidas de protecionismo. Quando entrou com o recurso, o Rio Grande do Sul já tinha obtido voto do ministro Maurício Correa, no STF, contra o ato de Covas. Se tudo demorar como o acampamento sem-terra, não há esperança.
PÃO Os sem-terra inauguraram ontem a padaria e disseram esperar que o Jaime Lerner, ao sentir o cheirinho do pão fresco, torne-se mais humano.
SPRAY Empreiteiros estão em guerra contra Lerner e entregaram a situação dos atrasos para o senador Roberto Requião, que prometeu um pronunciamento sobre o caos paranaense. - O atraso desses prestadores de serviço chega a ser até de um ano, algo que jamais tinha acontecido na história recente. - No memorial, a Associação Paranaense de Obras Públicas (APEOP), confessa que as empresas, por causa da inadimplência oficial, viram-se obrigadas a demitir 5 mil operários, o que corresponde a 18% da massa obreira. - Dá para imaginar o embalo que tudo teria se eles contassem tudo o que sabem. - O governo trapalhão e caloteiro, inebriado com os próprios delírios, achou que no dia 5 de abril efetuaria os repasses devidos e obviamente não o fez. Tentava sugerir que com as romarias na capital federal em breve obteria os recursos em troca de ações da Copel, royalties de Itaipu e mais uma vez deu xabu. - O INSS pediu a aposentados e oposicionistas que preenchessem formulários indicando o banco no qual haveria os depósitos. De nada valeu: chegou o dia e os burocratas não sabiam o que estava acontecendo porque o numerário não chegou. A situação está gerando aflição para os inativos. - Hoje, no plenarinho da Assembléia, segue a Jornada Estadual em Defesa da Escola Pública. Tema: a previdência estadual.
FOLCLORE Adversários do prefeito Rizio Wachowicz, de Araucária, seguiram-no e à secretária na ida a um restaurante e depois, com recursos de montagem, com filmes pornográficos, produziram cenas lascivas, como se tivessem ocorrido no interior de um motel com os dois. Aí um edital de um dos juízes da comarca narra os dados da petição do seu advogado, que detalha a trama, conclamando aqueles que detenham a tal fita, que foi distribuída, para que a devolvam ao cartório. É um Ferreirinha sem pistoleiro.
CROMO No calor da feijoada, a memória da senzala: a comida escrava que virou burguesa e que se vingou da Casa Grande que a abominava.
AFORÍSTICO Uma desculpa no fim da tarde para a pouca frequência no buzinaço do PMDB contra as multas: não queriam antecipar o fim do mundo com o eclipse da lua e antes de hoje, fatídica sexta-feira 13.





