Mao Tse Tung costumava dizer que o capitalismo era um ‘‘tigre de papel’’ com o que queria significar que não era lá essas coisas. Só que a abertura, agora existente na China Continental, paradoxalmente vieram confirmar a profecia do grande timoneiro: ela se abriu ao capitalismo, sem mudar o rótulo comunista, em áreas importantes do país e se prepara para gerir um enclave que exalta essa economia de mercado, Hong Kong. Para completar a ironia as economias nascentes da Ásia (Coréia do Sul, Cingapura) se denominaram ‘‘tigres’’.
Houve quem chamasse os resistentes do PSDB ao ingresso de Lerner de ‘‘tigres de papel’’ por não terem o poder ofensivo que sugeriam desfrutar. Mas houve também quem tentasse caracterizar o grupo de ‘‘exército Brancaleone’’ que conseguia manter a dignidade conquanto exercitasse um papel ridículo pelo que havia de quixotismo e aventura nos seus propósitos na versão cinematográfica que Vitório Gasmann consagrou.
Para cada Don Quixote sempre há um Sancho Pança e é com essa figuração que o grupo alvarista (aliás a esse foi negado o registro em Londrina e ao seu irmão Osmar não se fez exigência de qualquer crivo) pretende carcaterizar Lerner por seu pragmatismo. Ocorre que quem deseja Lerner no PSDB é o presidente FHC por imposição logística, estratégica, geopolítica. Lerner soma muito mais do que todos os tucanos juntos para o projeto imediato de Fernando Henrique: é hoje, disparadamente, a maior liderança do sul do país em termos de modernidade e um dos raros casos históricos em que um paranaense detém taxas de adesão fortes em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul como o Ibope o revelou.
A ida de Dante Oliveira, do Mato Grosso do Sul, ao PSDB se insere nessa perspectiva por se tratar, isoladamente, da maior figura daquele estado em termos eleitorais. E foi com esse objetivo que se fez tudo para atrair Álvaro Dias, um nome forte para mexer com um partido sem expressão maior. Só que Lerner detém maior densidade e expressão nacional e a soma dos dois, no entender dos estrategistas e não dos que olham a política por uma perspectiva de campanário, daria o respaldo máximo no sul do país, onde FHC deve ter algum problema apenas no Rio Grande do Sul, caso o PMDB parta para a candidatura própria, pois se depender de Antonio Brito tudo fica na mesma.
O fato é que os resistentes pretendem apelar para medidas de força como a de cassar dirigentes que fizeram dissidências nas eleições municipais e adotar rituais como o de sair da sala, tal qual fizeram anteontem, levando o livro de atas. De qualquer maneira estavam blefando e levaram a pior.
BIZARRICE ‘‘O segundo massacre dos sem terra’’. É assim que está sendo chamada a goleada de 6 a 2 do Corinthians no Atlético. E isso porque o Atlético é tido, pelo menos na opinião dos coxas, como um ‘‘sem terra’’ por ter demolido o estádio ‘‘Joaquim Américo’’.
ESPÓLIO Consumada a saída de Lerner e Cássio Taniguchi do PDT, quem ficará com espólio do partido? Muitos deputados se recusam à debandada por motivações as mais variadas; Rafael Greca tem dúvidas se adotará igual postura. Mas é visível que Brizola tentará intervir no diretório local, já que a sua atuação lembra a de um Jim Jones com suas cobranças de fidelidade. O fato é que o PDT nada tem daqueles animais como os caranguejos que possuem exoesqueleto: se deixarem a carcassa exposta, o time do Requião invade e ocupa. Já contam com o PT como linha auxiliar tradicional e aí dava para sugerir uma sopa à esquerda porque afinal Mussolini também dissimulava dessa forma.
SPRAY Está explicada a razão pela qual o senador Requião pretende apresentar o relatório parcial na primeira quinzena de maio: as pesquisas de opinião mostram a certeza da população de que a CPI vai dar em pizza (70%) e que ela é movida (88%) por interesses políticos. - Nível de interesse só crescerá se surgir algum fato relevante no testemunho de um Celso Pitta ou de algum dos governadores que lançaram títulos. - Incêndio pela segunda vez no Detran, queima do Arquivo Público, do silão no Porto de Paranaguá, do Teatro Guaíra. Sempre a falta de explicações convincentes e o público tem que se conformar como se a palavra da autoridade, mesmo quando obscura, estivesse acima de qualquer suspeita. Há, ainda, o caso da Assembléia Legislativa, que ficou por isso mesmo. - Uma das causas possíveis de incêndios é a sobrecarga do sistema elétrico pela colocação, em cascata, de equipamentos como o de ar condicionado e o de computadores e outras benfeitorias do gênero. - A qualquer momento se dá algo no prédio da Montepar em que funcionam varas cíveis. Houve momentos em que o ‘‘Idi Amin’’ ou ‘‘Máscara Negra’’, como é chamado o edificío, teve que evacuar todas as pessoas pelo risco de curto circuito no sistema de elevadores em cujo poço havia água. - Cúpula nacional do PSDB satisfeita com o andamento da entrada de Lerner. Era o que transpirava em Brasília. -
FOLCLORE O PT se vale muito da bandeira ecológica: volta e meia suscita algo ligado ao assunto. Pois agora com a invasão das áreas dos mananciais, que são de preservação permanente, em Piraquara, se cala porque não deseja mostrar-se contra os invasores. É o democratismo que degrada a democracia ao desprezar que o suposto direito à vida de algumas centenas de famílias devesse suplantar o da maioria esmagadora pela contaminação das águas. Muito eco e pouca lógica em ambas as bandeiras: a da pressão social e a do meio ambiente. A maioria ao beber suco de bosta está reconhecendo um direito da minoria.
AFORÍSTICO Depois da invasão de ‘‘jacus’’ no ninho tucano temos a dos chupins. Antes isso do que o apelido de ‘‘gaiola das loucas’’.

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