Plebiscito sobre a Copel
A maioria dos ex-governadores paranaenses é contra a privatização da Copel. Reflete, mais ou menos, o ponto de vista dos efetivamente informados sobre a matéria. Lerner também era contra, mas como ‘‘quebrou’’ o Estado e a sua tão decantada criatividade não encontra outra saída para a crise, que não seja o saque contra o futuro (antecipação do ICMS e de receitas federais e mais a venda, ao correr do martelo, dos ativos principais), hoje se desespera, com uma ansiedade paroxística, para vender tudo.
Há uma gravação de TV (a Exclusiva) de Sílvio Sebastiani com Aníbal Khury, em que este confessa ter ouvido a declaração de Jaime Lerner de que preferia morrer a privatizar a Copel. Essa, de qualquer forma, é mais uma das suas muitas dívidas.
O deputado Ângelo Vanhoni, em discurso na Assembléia, fez um questionamento sobre a situação financeira do Estado, dizendo da necessidade de uma CPI para apurar a origem desse caos. Mesmo com as barganhas que a bancada situacionista faz junto ao Palácio Iguaçu, exigindo a moeda de troca por sua ajuda a um governo mais de mãos vazias do que limpas, é quase certo que negará apoio à investigação sugerida.
O jeito seria, aproveitando a série de pronunciamentos, tanto de Alvaro Dias, quanto de Roberto Requião, ambos com enorme probabilidade de retorno ao Palácio Iguaçu, pelo menos no contexto atual, submeter a venda da Copel a um plebiscito que poderia ser feito logo para não coincidir com as eleições municipais, o que seria trágico para o situacionismo.
Se José Richa e mais os ex-governadores (se outros forem consultados, por certo, farão, no mínimo, restrições à ousadia suicida) estão contra a farra com o patrimônio público, agem como se houvesse um Conselho de Estado que ora se manifesta como expressões representativas da sociedade. Plebiscito já, antes que a compulsão de Jim Jones tenha prosseguimento e que ao terminar o seu mandato, Jaime Lerner repita como o rei Luis XIV, com sua pompa de escola de samba, ‘‘depois de mim, o dilúvio’’.
Se fosse o Robinson Crusoé, seria difícil ficar assediado por dois, mas para o Robson Caetano as coisas estariam facilitadas: correria, e nem o diabo o pegaria, quanto mais um Sexta-Feira desmunhecado e uma ‘‘perua’’ nervosa. Bateria todos os seus recordes em voltas intermináveis na ilha.



BIZARRICE
O atleta Robson Caetano excitou mais o mulherio no desfile da Kony’s do que o Luciano Zaffir, ao expor o seu corpo. Como há cultura nesses encontros, uma ‘‘perua’’, excitada, declarou: ‘‘Com esse Robson eu viveria numa ilha’’. Aí uma bicha que estava ao lado tascou: ‘‘Mas o Sexta-Feira ia ser eu’’.

GLOSA Situação curiosa vive um empresário: vai ter uma audiência braba justo na sexta-feira, 13, razão pela qual torce para que o mundo acabe dois dias antes, com o eclipse da lua no Hemisfério Norte
AXIOMA Dizer que o PMDB agiu como uma anta ao pedir inquérito contra animais virtuais que não se confundem com os ‘‘virtuosos’’ cidadãos no trânsito pode dar em protesto da parte de uma ONG zoológica: o animal seria mais inteligente do que os apressados políticos que, pelo jeito, querem faturar nas multas bem mais do que a Diretran, já que desejam, no mínimo, o poder.
EPIGRAMA Um portador de delírio ambulatório, que costuma andar de um lado para outro no Calçadão de Curitiba a fazer discursos, apelidado de ‘‘Requião sem Mandato’’, parou, ontem, diante de uma dessas ‘‘estátuas vivas’’ que argentinos trouxeram para o Brasil, e proclamou: ‘‘Ele está enganando o corvo e já está com prazo vencido.’ Queria sugerir a sutileza de que estava de pé, mas mortinho da silva.
RIOS Surpreendente a ausência de sensibilidade do Legislativo estadual no caso da lei que trata da gestão de recursos hídricos. Apesar do crivo de todas as comissões e de duas audiências públicas, tudo está amarrado. Só para dar uma idéia da gravidade do assunto, basta lembrar o havido com Londrina, que padeceu muito tempo pela falta de decisão sobre usar o Rio Tibagi, como se dá, ou o Aquífero Botucatu, como se tentou, para a questão singela de suprimento de água potável. O projeto pretende regular a questão, entregando o seu gerenciamento aos próprios utilizadores e a arrecadação será aplicada na própria bacia hidrográfica. Os megausuários serão os que exploram energia, saneamento e indústrias e os pequenos e médios agropecuaristas serão isentos de taxas.
BUFONERIA A Polícia Militar baixa o pau em três delegados. Os sem-terra montam uma ‘‘cidade’’ na frente do Palácio e inauguram hoje uma padaria.
Governador Jaime Lerner e prefeito Cassio Taniguchi: finjam que vão ao WC e se arranquem que a patuscada está insuportável.
FOLCLORE No desfile na Kony’s apareceu várias vezes, e com muito destaque, a Duda Camargo (braço direito, de muito tempo, do Jaime Lerner) ao lado do Maguila (maior direto do box brasileiro). Aí um oposicionista - afinal eles também espairecem e têm ternura, como recomenda Guevara - não resistiu e fez a gracinha: ‘‘Ficou o dia inteiro ao lado de um lutador de sumô e agora aparece junto com um boxeador’’.
CROMO E esse morango, ou seria uma amora silvestre, que adorna o bico do teu seio e por vezes me dá sinais de tanta impaciência, como um ser vivo?
AFORÍSTICO O governo está com astenia neurovegetativa, sua nas mãos e tanto que ao saber que havia alguém tentando suicídio do alto do Fórum abandonado, apressou-se em esclarecer, tranquilizado, que não era um sem-terra.

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