As calendas de agosto
Agosto, mês dos desgostos e de cachorro louco. Bastam esses da dos míticos para aguçar a mente dos que se acre ditam capazes de controlar acontecimentos e que, como se sabe, não são poucos. Pois agora até a revista ‘‘Istoɒ’, na capa da última edição, tendendo para o popularesco, sugere que como teremos uma sexta-feira 13 é preciso ficar atento para o eclipse de dois dias antes, o mais temido do século e as imprecações e imbricações de Nostradamus.
O PMDB acha que com o buzinaço desta semana contra as multas derruba de vez o prefeito e o governador e se baseia na reação estúpida, anterior, até hoje explorada no horário gratuito do partido, por causa daquela intervenção da PM na apreensão de material sobre o ‘‘Cassioníqueis’’. O buzinaço que pode funcionar é o de Brasília, transformada em estuário de todas as insatisfações, dos sem-terra aos sem-poder do PT e assemelhados.
Todo mundo está pensando que a fragilidade do governo FHC é de tal porte que mais uma greve de caminhoneiros o derruba. E no fundo, como background, há confiança na força anímica das calendas de agosto, nas quais tivemos, entre outros eventos, o suicídio de Getúlio Vargas, quarenta e cinco anos atrás. Há quem apele até ao vudu para que isso se repita com algum governante, ou então que renunciasse, como se deu também com Jânio Quadros em 1961.
Além da concentração em Brasília, na qual alguns delirantes já enxergam nada mais nada menos do que a Queda da Bastilha, teremos um agito sincronizado de várias (e arrochadas) categorias de trabalhadores.
Aqui na província, a oposição mixuruca e impotente esperneia: invocou, vejam só, a Lei de Segurança Nacional, aquela que enquadra todo mundo na base da presunção por causa daquela cena burra da Polícia atrapalhando uma coleta de assinaturas contra as multas. Quem diria, Greta Garbo acabou no Irajá, e o PMDB, o velhíssimo de guerra, virou linha auxiliar do Aníbal Khury.
O golpismo à brasileira passa pelo calendário: primeiro aposta as suas fichas em agosto, mas se não der certo, que tal uma novembrada?



BIZARRICE
‘‘Gazeta do Paranᒒ noticia que estariam chamando o Beto Richa de Beto Rifa, o que é injusto, pois como se sabe ele sempre foi um petebista, como também José Carlos Martinez, que até tem um jeitinho do Getúlio Vargas

AXIOMA O PMDB está com uma bronca zoológica diante do governo municipal de Curitiba: entrou com ação na Justiça para proibir o emprego de animais nas campanhas educativas de trânsito. Na sequência, pede o fechamento da Disneylândia.
GLOSA Na primeira quinzena de setembro, passam a percorrer os municípios, como no melhor estilo mambembe, sete ônibus culturais para apresentar esquetes, autos populares, copiando projeto do extinto CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE, anos 60. O mágico que vai se apresentar é o mesmo que arruma grana para um governo em crise e que não sabe como fechar a folha de pagamento do funcionalismo em agosto. Isso é metalinguagem pura: prestidigitação.
MIRAGENS Quantas das fábricas prometidas por Lerner encruaram como verdadeiras natimortas? Eis um bom exercício: a da Electrolux, programada para Fazenda Rio Grande, é uma delas. Seria interessante mapear isso para a campanha eleitoral. Uma das que ‘‘dançaram’’ por haver acreditado nas benesses oficiais foi a Paumer do Brasil, em Guaratuba, e que deveria ter iniciado operação em 1º de agosto. O governo ficou devendo R$ 3 milhões para o empresário Paulo Tessari, valor este acertado em cédula de crédito industrial. Um documento, que celebrou o acordo, assinado pelo governo, Fundo de Desenvolvimento Econômico do Paraná, Banco do Estado do Paraná e Paumer do Brasil.
CHEQUE-CHOQUE Os talões de cheque do Banestado apresentam um problema grave: o calendário, a partir de setembro, está inteiramente errado. O dia 1º aparece numa terça-feira, quando cai numa quarta.
Não espanta o descuido que afinal traz prejuízos menores do que aqueles que foram registrados, no atual governo, na Leasing e na Corretora, e que quebraram o banco.
CÁSSIO RI Ao ver o ex-deputado Maurício Requião, presidente do diretório local do PMDB, dando os recados de proselitismo na televisão e com cenas do choque com a Polícia, os assessores de Cássio Taniguchi sorriram por entender que aquilo era uma confissão, nada sutil, de candidatura prévia. O Requião, que endurece a parada, é outro, mas teme o confronto, indispensável, no entender de muitos, para a verdadeira alavancagem do partido e consequente habilitação a ganhar o governo em 2002.
Um setor do PMDB prefere Gustavo Fruet e há ainda quem ache que dos irmãos, o Eduardo poderia, ao menos, pintar como o fato novo, já que nunca entrou em disputas eleitorais. Os que fazem restrições a Maurício referem-se ao seu baixo desempenho eleitoral no último pleito. Mauricistas argumentam que Abilon de Souza Naves, depois de eleger-se senador, virou a maior força eleitoral do Paraná, nos anos 50, conquanto tenha perdido uma eleição para deputado. Dá para acrescentar que isso aconteceu várias vezes com Abraam Lincoln. Em cima desse raciocínio, o Teolino Mendonça ainda emplaca.
FOLCLORE Por falar em Lincoln, o grande estadista norte-americano, sabe-se que ele era inicialmente lenhador, imagem para reforçar o senso bem dos States do ‘‘self made man’’. Foi o primeiro e último derrubador de árvores a chegar à Presidência. Até porque hoje a moto-serra é que faz o trabalho.
CROMO Uma figura do governo Lerner, feminina, costuma, quando está nervosa, comer pétalas de rosa. Se fosse o chefe, a equipe do terceiro andar acabava com os estoques de flores da praça.
AFORÍSTICO Governos como os da Etiópia e do Burundi matam de fome; os daqui nos matam de tédio e de náusea.

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