Luiz Geraldo Mazza
Quem tem medo de Taniguchi?
Quem tem medo de Taniguchi? A cidade de Curi tiba não é, por que se sente am parada com um programa de obras que al cança todos os setores administrativos, e em todos os bairros se percebe a presença do poder público, inclusive em casos inéditos como o do Linhão do Emprego e em operações concentradas como o Plano 1000 de pavimento subdimensionado. Quem tem medo é a área política das raposas e também de alguns cripto-jovens, uns e outros desejando simplesmente abrir mais espaços para barganhas ou utilizar pessoas ingênuas, às vezes nem tanto, para o mesmo objetivo.
Há algum fator novo - o que seria desejável - nessas especulações? Não, posto que alguns o aparentem, embora com menos poder de fogo, por exemplo, de um Carlos Simões, de um Luciano Pizatto.
Têm medo de Taniguchi especialmente os cortejadores do populacho, os que fazem campanhas contra as multas eletrônicas no trânsito, o que lembra aqueles movimentos nos States para impedir o uso da água tratada. E essas pessoas ou partidos por acaso teriam um programa para a cidade que não representasse o recuo do democratismo e assembleísmo, da dissimulação plebiscitária, da falsa caridade com o apoio e a promoção de invasão de lotes urbanos?
Pelo jeito, mais uma vez serei obrigado a valer-me do mal menor, reflexão de São Tomás de Aquino, numa eleição, porque os que aparecem como jovens e como novidade (exclua-se o caso de Gustavo Fruet) foram massageados e colocados em campo ou pelos exemplos mais retrógrados da política ou em função de factóides jornalísticos sem um mínimo de vínculo com a realidade e tentando fazer do boato o embrião da verdade, como preleciona o presidente da Boca Maldita, Anfrísio Siqueira.
Curitiba é o maior embaraço para os políticos fora do circuito do poder. Ninguém sabe tão bem disso quanto Álvaro Dias, cujo partido, o PSDB, tenta atrair quadros mais jovens para estabelecer a cabeça-de-ponte necessária, o que facilitaria, e muito, o seu projeto de retorno ao Palácio Iguaçu. Apenas Requião, o verdadeiro, o senador, tem potencial para esse confronto, mas detém pouca força para transferir prestígio e teme o risco de uma derrota.
BIZARRICE
Em Antonina, diz o Elísio Marques, a caninha estava proibida nas barracas em torno da praça no Festival de Inverno. Aí o anarquista observa: Ô cara pálida, misturar barreado com tubaína é cruel, muito cruel!
AXIOMA Dizia Aldous Huxley num dos seus livros que os jovens mascando chicletes mais pareciam que rezavam do que ruminavam. Hoje se dá algo parecido com os usuários de celulares que mais lembram os que padecem de dor de ouvido.
GLOSA Fantasmas de Taniguchi que o assombram quando ele pensa em reeleição: MST, pedágio e rombo nas contas públicas, tudo derivado do governo estadual.
EPIGRAMA No final do Festival de Inverno de Antonina o maestro da Philarmônica deu um breque e anunciou número especial dedicado aos coxas, campeões paranaenses. Muita vaia porque a maioria dos antoninenses, ao contrário do que se dá em Paranaguá, é atleticana.
SPRAY A greve dos caminhoneiros serviu para mostrar a Lerner que há coisas mais sérias do que a gincana de sem-terra no Centro Cívico e que, a qualquer momento, com suas decisões mal pensadas na área do pedágio, tudo se repete, e o Paraná pára mesmo com obstrução das pistas do pedágio. - Se der o aumento de 80 a 100% quebra a cara: o governo federal deu 8,57% de reajuste para o pedágio na Via Dutra e os mais de 400 km valerão R$ 15,20. Aqui, de Curitiba até Paranaguá, pouco mais de 100 km, haverá o custo de R$ 10. Um senhor afano! - É difícil calcular o impacto dos prejuízos causados pela paralisação dos transportadores nos supermercados, nas indústrias, no Porto. Mas é a linguagem, a forma de expressão, da moda. - Enquanto caminhoneiros param por aqui, os sem-terra marcham em direção a Brasília com apoio de outras forças sociais e políticas. - O País está vivo, mostram as manifestações. Tudo, porém, caminha para um impasse se o governo, ainda engessado por sua política, perder capacidade de iniciativa. - Mais cedo do que se imagina, da mesma forma que a sociedade aceita o agito banalizado, pedirá e aceitará a repressão. Essa idéia estava na cabeça de nove de cada dez motoristas que ficaram parados por causa do bloqueio. - Um conselheiro do Tribunal de Contas, quase sempre aliado a um deputado, estaria, segundo rumores frequentes, tratando da aquisição de uma rádio. Como essas estão sendo vendidas na bacia das almas, embora a proximidade das eleições, que as valorizam, vamos ter muitas transações. - Quanto a jornais a coisa é mais complicada: o veículo é caro e submetido ao fogo da concorrência desastrosa, o que se agrava quando baixa a participação do governo como anunciante, com o que a maioria fica mais livre.
MEMÓRIA Muita gente, com frio na espinha, lembra que a queda de Allende no Chile, induzida pela CIA, encontrou seu ponto culminante numa greve de caminhoneiros tão intensa quanto a de ontem no Brasil.
FOLCLORE No jantar de ontem do Coritiba em Santa Felicidade, o almeirão, o raditi, o agrião, a abóbora e escargots foram colhidos no gramado do coxa, alvo de reclamações dos próprios jogadores. Um professor de latim, moderno para a época, costumava dizer que para o mau amante até o pêlo atrapalha.
CROMO Ao consultar a Enciclopédia, o susto: uma flor seca, ali conservada, por alguma superstição, e mais um bilhete nervoso de Mary Glaucy, de quem me lembro vagamente (era de Castro ou Piraí?), marcando um encontro que não houve.
AFORÍSTICO Por que os políticos não param como os caminhões?





