Luiz Geraldo Mazza
Certa vez produzi para o jornal católico Voz do Paraná uma parábola: um paranaense diante do espelho não tinha refletida a sua imagem. Texto-ensaio, visava discutir o batido tema da nossa identidade. Alguns arquétipos e clichês eram repetidos: somos uma micro-civilização pendular entre paulistas e gaúchos.
Nunca tivemos no governo alguém como Lerner em termos de região sul com taxa de credibilidade suficiente para aspirar a presidência. Não se discute se tem ou não tais méritos, mas o fato evidenciado pelo Ibope e outros institutos de pesquisas. Essa, aliás, a razão de caráter logístico que leva FHC a insistir em atrair o governador paranaense ao PSDB em seu projeto de reeleição. Que vantagens tiramos disso? Poucas e quando muito traduzidas nessa coisa imprecisa, já que aporta aspectos negativos, que é a vinda das montadoras para efeitos locais.
Somos um desdobramento de São Paulo e sofremos também, em função de múltiplosfatores como o do ciclo tropeiro, forte polarização e às vezes até interação com riograndenses. Há áreas daquele estado que foram colonizadas por paulistas da 5ª Comarca, vale dizer curitibanos, e isso se traduz até no linguajar. Não fizemos esforços sistemáticos para estudar a questão e encará-la. E tanto que um dos que primeiro ousou fazê-lo, o historiador Brasil Pinheiro Machado, ao mostrar a nossa incaracterística, teve que suportar o chio, nem sempre educado e acadêmico, dos que não concordavam.
Gaúchos, por exemplo, têm com seu nativismo, com o qual nem todos concordam por seus ornamentalismos, uma expressão que percorre o país de norte a sul. Povo migrante e que traduz sua cultura nos CTGs absorveu facilmente traços de vida campeira, assemelhados, em outras regiões. Aqui no Paraná toda a região dos Campos Gerais é impregnada dessa expressão justamente por afinidades litúrgicas de caráter profissional, roupagem e instrumental às de ordem alimentar como o chimarrão, o café crioulo, o arroz carreteiro. Há os que temem isso na explosão de um pan-gauchismo, uma paranóia como outra qualquer. O Santa Mônica Clube de Campo, da Região Metropolitana, virou um CTG. E daí?
Na economia, no entanto, é que se percebe a condicionante maior quanto às relações com São Paulo. Somos uma economia de complementaridade e mesmo agora, quando irrompe o ciclo automotivo, esse traço parece manter-se.
Infelizmente não temos alguém com o padrão de um Munhoz da Rocha para levar esse tema ao aprofundamento e consequências na prática. Talvez isso explique alguns dos nossos terríveis limites em matéria política e cultural.
BIZARRICE - Brizola, que deu aquela mancada de propor a derrubada de FHC com o povo queimando pneus velhos nas ruas, voltou a dar tacada inteligente ao funcionar como garoto propaganda do sapato 752 da Vulcabrás (criação da W/ Brasil de Washington Olivetto) e fazer o texto na base do nacionalismo: O 752, que é o sapato brasileiro de qualidade para o Mercosul e para o mundo, porque isso sim é internacionalização com os pés no chão.
SPRAY - Versão do Palácio: Lerner já está no PSDB. Versão da Executiva do PSDB: Lerner vai passar por um vexame e não entra. - Devotos sem votos têm força nessas questões. Um deles o Antenor Bonfim quase sugere que é mau começo essa mudança de partido do Lerner. - Maioria dos prefeitos, deputados estaduais e os federais quer Lerner. Álvaro Dias se agarra no fio de esperança da resistência dos seus seguidores com maior firmeza do que nos fios da Telepar. - Está divertido, mas se Lerner não passar mereceria sair numa foto batendo sorvete na testa. Em compensação se entrar quem se lambuzaria com sorvete seriam Álvaro e Osmar Dias, Luiz Carlos Hauly, Hélio Duque, Bonfim. Ki bom, dirão os lernistas. - De 24 a 26 de abril em Foz do Iguaçu (Hotel Carimã) mais de quinhentos participantes de dez países estarão no Congresso Internacional de Direito Comunitário e do Mercosul. José Carlos Gomes de Carvalho fala na abertura, às 9h30, sobre O ambiente sócio-econômico e as mudanças que ocorrem no mundo. - Terça feira, 22, no salão nobre Desembargador Clotário Portugal, tomam posse treze novos juízes de direito de entrância inicial. 50% deles é do sexo feminino e média de idade de 26 anos. - Em menos de duas semanas PMs são apanhados em flagrante na prática de assaltos. Como se vê a síndrome de Diadema não serviu para inibir impulsos deliquentes. Dois militares que serviam em Araucária assaltavam bancos e ônibus de turismo em localidades próximas como São Mateus do Sul, São João do Triunfo, Agudos do Sul. Bem perto dos seus postos. Pelo menos há a compensação de que foram apanhados. Mais um feito do grupo Águia.
FOLCLORE - Outro dia o Ricardo Khury, filho de Aníbal, entrou na sala da presidência da Assembléia e comentou com o pai que ele como funcionário legislativo recebia R$ 4 mil e o seu irmão, Biba, do Tribunal de Contas, que tinha função igual, ganhava mais de R$ 7 mil. Aníbal não deu a menor bola para o chio do Ricardo que é diretor do Banestado. Um dos assessores resmungou: a austeridade começa em casa. Uma cena quase bíblica.





