Safra de factóides
O que está acon tecendo neste momento na área política é muito parecido com o que se dá no front esportivo em en tressafra, época que precede o campeonato: a mitomania toma conta do pedaço, anuncia-se a vinda de craques europeus para o Atlético, o Zico (o galinho mesmo) viria para o Paraná e o Romário encerraria sua carreira no Coritiba.
Algo muito parecido com isso se dá nas especulações sucessórias: um deputado sem raízes operacionais na Região Metropolitana, o filho do Richa, aparece, de repente, como capaz de obter consenso admirável entre aliados de Lerner que fingem oposição para valorizar-se em seu difícil diálogo com o sistema. As ideações crescem e vão ao disparate de uma chapa Beto-Guga, que parece mais apropriada a um jogo de duplas no tênis do que uma dobradinha eleitoral.
Fica visível o empenho de alguns ‘‘tucanos’’, cuja liderança maior no Paraná, Alvaro Dias, tem dificuldades quase intransponíveis para penetrar na Região Metropolitana, como se viu na primeira eleição de Lerner e que levou Requião a isolar-se do ex-governador ao perceber que isso fazia baixar o seu Ibope em queda vertiginosa. Quem alimenta essas especulações é o governador com os nutrientes da omissão. Quando os pescadores de águas turvas percebem que isso aflige o governador, mais factóides lançam na praça para desestabilizá-lo e torcem até com maldade satânica para que isso lhe provoque crise de asma.
Como todos são candidatos e nenhum o é, mesmo o próprio Cassio Taniguchi, tudo não passa de ‘‘chute’’, o que prova que a informação desse tipo, mesmo quando destituída de base real, ganha força. O pai do Beto Richa deu um conselho clássico: o filho deve examinar bem o quadro para não cair no pior, o ridículo. A verdade é que muitos escrupulosos com esse tipo de situação levam a pior porque em política o que se vê é que os destituídos do senso do ridículo é que levam a melhor, como Jânio Quadros comendo sanduíche no meio fio da rua, ou FHC traçando buchada de bode, e Collor paparicando Frei Damião.
Num cenário em que o próprio Aníbal Khury já foi dado como possível candidato, vale tudo até o Richa 2, o Toni Garcia 3, Marcelo Almeida, etc



BIZARRICE
Como a época é de tiro ao alvo em Rafael Greca, ministro do Esporte, Turismo e Juventude, alinhemos essa do JB e do Tutty Vasquez: ‘‘Ele não é gordo. Apenas não cabe em si. Digam o que disserem, de um governo carrancudo e sombrio, ele é o sinal de alegria e otimismo, a carnavalia.

AXIOMA Uma ordem para derrubar um prédio em Caiobá, por ter infringido leis ambientais e de uso do solo, embora com mais de dez anos, até hoje não foi cumprida. Será que na represa de Alagados, em Ponta Grossa, teremos efeitos mais rápidos com as mansões indevidamente construídas em área de domínio da Copel? Não seria, aí também, um sinal de privatização antecipada?
GLOSA O governo Lerner sabia que para resolver sua maior crise dependeria do fisco, e como esse foi insuficiente, partiu para o confisco dos salários.
EPIGRAMA Funcionários municipais de Londrina batendo penicos não é metáfora a favor da privatização, mas prova de que faltam privadas.
ESCÂNDALO Uma Resolução (87/99) do secretário de Segurança, duríssima, estabelece que policiais e servidores, acusados administrativa ou criminalmente, por delitos de qualquer natureza, ficam afastados de suas funções até a conclusão de inquéritos ou procedimentos administrativos.
O afastamento implicará na suspensão imediata das vantagens decorrentes do cargo ou função, bem como de promoções a qualquer título. É o efeito claro da síndrome Almirante Tamandaré e da nomeação do delegado Padilha para Capitão Leônidas Marques.
Vai chover recurso em cima do ato secretarial porque não são poucos os que se enquadram nas restrições e se acham acima do bem e do mal porque contam com a cumplicidade da velha e deteriorada classe política. A propósito: o caso do vigarista Joni Rodrigues, que velejava na hierarquia da PM, como está?
SPRAY Um notório artifício é uma pesquisa sugerir que Alvaro Dias tenha poder de transferir votos em Curitiba. Sua equipe-chave não tem uma só pessoa com penetração na Região Metropolitana.- Qualquer um, de Lerner a Greca, passando por Cassio Taniguchi, isso sem falar em Requião, ultrapassa fácil o senador.-
Gente do PSDB está interessada em fazer de Gustavo Fruet uma cobaia para que o partido tenha alguma base em Curitiba. Não esquecer que na eleição de 90 Richa era do PSDB e tinha apoio de Lerner, e Maurício Fruet aparecia na chapa. Hoje um dos assistentes daquela época, o Ricardo McDonald, dá apoio a Gustavo.- O fato de Guga não contar com a simpatia de Requião é explorado pelos outros para que mude de sigla.- Quanto à capacidade de transferir votos, a pesquisa Alvorada mais recente mostrava que Requião, em Curitiba, o que também é improvável, teria um ponto acima de Lerner. Requião não elegeu o irmão, Lerner não emplacou o Caio Soares, que faria a Câmara Municipal morrer de rir, de tão engraçado que é.- Governo insiste em dar o golpe nos professores, descumprindo decisão da Justiça e mandando descontar a cota elevada da previdência.-
ANEDOTA O português que tinha dois filhos com o nome de Alka-Seltzer e Sonrisal, ao saber que o amigo e compatriota nominara a filha como Maria, manifestou sua estranheza:
- Mas com um nome de marca de óleo de cozinha é demais!
CROMO ‘‘Só eu sinto// o que sinto// vago em mar// de vinho tinto// como eu nado// ninguém nada// ninguém pinta// como eu pinto// E lá vai, enfunada, a vela da poética do Nelson Capucho no oceano onírico, remando rima com o ritmo das remadas quase além do horizonte.
AFORÍSTICO As especulações eleitorais em Curitiba são tão fajutas que mais parecem exercícios lúdicos de época de férias num play-ground fantasioso.

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