Luiz Geraldo Mazza
Prestígio sedimentar
Apesar de estar pilotando o pior governo dos úl timos cinquenta anos, Lerner ainda tem reser vas de prestígio decorrentes da imagem constru ída, na gestão da Capital por três vezes, para conter a queda. Deu para percebê-lo no último Datafolha em que aparecia como o terceiro do país, o que não deixa de ser um fenômeno diante de um desempenho desastroso e sem perspectiva de correção.
Deve-se isso claramente a um sedimento, que ainda permanece nas pesquisas, da crença, ainda não removida, das artes de demiúrgo do governador. E isso ajuda a alavancar o prefeito Cassio Taniguchi, cuja atuação é obviamente melhor do que a de Lerner por motivações óbvias, já que o município não enfrenta os problemas devastadores que atingem o Estado. Ficou visível na pesquisa da Alvorada sobre a popularidade dos candidatos a prefeito da Capital e na qual se observa que mesmo Roberto Requião, pelo menos hoje, não ultrapassaria Cassio Taniguchi. A diferença é pequena: 29,3% com 26,2% para Requião, Vanhoni 5,8%, Toni Garcia 4% e Beto Richa 3,8%.
Cassio, pelo melhor desempenho, tem mais imunidade do que Lerner ao desgaste, mas se o governo persistir mal, como se prevê, o contágio se tornará fatal. O ritmo de Lerner, vale dizer a sua indecisão, é o maior complicador de todo o quadro: enrola-se facilmente, a um só tempo, com os sem-terra, os credores do governo, os consórcios do pedágio e falta-lhe senso de decisão para mexer no seu secretariado com elefantíase e que precisa ser podado para o bem das finanças estaduais.
BIZARRICE
A economia é a ciência da escassez, diz a definição. Então como é que essa ausência aparente de recursos não impede que os vivos enriqueçam e que haja tantos negócios na área pública?
AXIOMA Descobriu-se que mais de 20 servidores estaduais mortos continuavam recebendo salários, como se vivos estivessem. O maior cadáver dos credores é o governo, o que não deixa de ser um paradoxo.
GLOSA Outra coisa não percebida pelas autoridades: as pensões milionárias do Instituto de Previdência do Estado, algumas superiores a R$ 20 mil mensais, e denunciadas pelo Tribunal de Contas.
EPIGRAMA O governo paga mortos e esquece de observar os vivos a seu redor.
CAOS Agora deu para entender o sentido bíblico da Torre de Babel com a bagunça no sistema telefônico não privatizado mas transformado em privada, daquelas que você puxa a descarga e em lugar da água retornam os dejetos.
METROPOLIZAÇÃO Essa bronca da Prefeitura de Rio Branco do Sul contra a implantação do aterro sanitário de Curitiba naquele município é, antes de tudo, prova de que não temos democracia e aceitamos as caixas pretas. Com a saturação do aterro da Caximba, em fase de esgotamento, é preciso indicar outro espaço, mas dentro dos limites curitibanos está difícil.
O surpreendente é que Cassio Taniguchi, prefeito da Capital, é presidente da Assomec, Associação dos Municípios da Região Metropolitana, e deveria ser o primeiro, por essa condição, a esclarecer o assunto e impedir que ficasse clandestino, como está acontecendo.
Um dos desafios políticos da Grande Curitiba é o de evitar que os interesses do centro (Curitiba) prevaleçam sobre os da periferia (os demais). Isso está acontecendo na localização das indústrias de porte, já que apenas as pequenas é que buscam municípios distantes para prevalecer-se das vantagens do ISS mais baixo.
SPRAY Autorização judicial de uso de títulos da dívida pública de 1902, que a União não quer reconhecer, agitou o mercado, pois há numerosos portadores desses papéis, inclusive servidores públicos. - É mais um inesperado rombo no esquema das contas governamentais: o juiz Paulo Hapner, de Cascavel, determinou a substituição de hipoteca de dois imóveis por um desses papéis para cobrir dívida com o Banco do Brasil naquela comarca. - A autorização, lastreada na Medida Provisória 1.235/95, fermentou negócios com apólices. - Marcelo Almeida, ex-vereador, está aí de volta com toda a energia, dispondo-se até a encarar uma disputa à Prefeitura de Curitiba, pois sentiu que as candidaturas até agora colocadas não se mostram claramente convictas. - Igreja Adventista do 7º Dia empenhada em campanha de agasalhos. - PM começou ontem o monitoramento das áreas, já mapeadas, em que atuam as gangues juvenis. A preocupação é que tudo fique na base da pura aparência e do jogo de cena para aparentar movimento. - O delegado de Leônidas Marques foi exonerado: o prefeito não admitia que alguém envolvido em processo (caso de Almirante Tamandaré) ficasse na cidade. Da mesma forma que esse delegado teve a hostilidade de um prefeito há outros, que permanecem com o corpo fechado, porque são protegidos de políticos. - Pastor Oliveira, deputado, acha que Ney Leprevost, do Esporte e Turismo, enfrenta desgastes suficientes para tirar o time. Mas não é só ele que sente a ausência de recursos. - Pesquisa Alvorada mostrou que mais de 85% das pessoas estão por fora de candidaturas prefeiturais e as desconhecem. Factóides sobre Beto Richa foram suficientes para que aparecesse na estimulada. -
FOLCLORE Saque do Eduardo Schneider sobre as vicissitudes momentâneas de Rafael Greca relativamente à comemoração dos 500 anos. Só falta agora ele pedir para ser internado na Lapinha. É melhor do que ser enterrado como na música popular na Lapinha// calça, colete, paletó almofadinha//
CROMO O pianista da boate toca, quase de forma imperceptível, em solilóquio, um trecho clássico, quando é despertado de sua curtição pela batuta do jazz band para entrar num nervoso rock pauleira. Assim nos pegam na redação quando pensamos num poema para a Mari aniversariante.
AFORÍSTICO Dos políticos o que se poderia dizer era o que cantava a jovem guarda dos anos 50 e 60: Você não é doce de côco// mas enjoei de você.





