Nanismo e globalização
A decisão do go vernador pau lista Mário Co vas, de impor em lei que em presas cadastra das no Simples se obrigam a comprar no má ximo 20% de produtos de fornecedores de outros Estados é bem uma evidência da impossibilidade de aplicar a todos os países a ideologia da moda, da globalização. A medida radical, partindo de um Estado-gigante, mostra a dificuldade de ingressar na onda da tão proclamada economia de mercado.
Paranaenses resolveram reagir e pretendem, em retaliação, adotar aqui a mesma orientação a pretexto de defender espaços cativos do mercado. É evidência da tolice que há por trás desses conceitos, como se eles valessem para todos os povos, independentemente das condições culturais e econômicas. Se a maior unidade federativa do Brasil se vale de argumentos cartoriais para defender os seus interesses (São Paulo foi beneficiário de todo o esforço brasileiro para a sua industrialização, desde quando ela se apresentava como subproduto do café até o arranque dos anos 50 e 60 com o deslanche automotivo), a troco de que as demais deverão aceitar a regra dos mercados abertos?
Quando, no processo constituinte de 1988, a bancada do Paraná trocou o seu direito de obter a tributação da energia consumida em São Paulo pela política, mal compensatória, dos royalties, embarcando na emenda cartorial de José Serra, agora ‘‘sinistro’’ da Saúde, mostrou a sua fragilidade para o combate. Hoje, ironicamente, o Paraná se despoja dos seus recursos escassos para atrair montadoras e outros empreendimentos e num momento em que não mostra, na parte dos seus governantes, classe política e empresarial, capacidade para encarar o momento com firmeza e personalidade. Apesar da legitimidade da retaliação dos paranaenses, percebe-se em tudo a fragilidade de doutrina que talvez explique, em grande parte, o aturdimento e a impotência para a ação.



BIZARRICE
Em seis meses, os deputados estaduais Edno Guimarães e Geraldo Cartário trocaram duas vezes de partido. Agora saíram do PL (Liberal) para o PLS (Liberal Social). Como se vê, são liberais demais

TROTE Corretíssima a decisão do reitor da Universidade Federal de proibir o trote. Verdade que foi preciso haver aquela tragédia em São Paulo para que se tomasse alguma medida. Era estranho que num tempo em que principalmente os estudantes falam tanto em direitos humanos se desse apoio à selvageria nutrida a álcool e que deixava os calouros à mercê de veteranos patológicos.
EPIGRAMA E que tal se a recomposição das calçadas do Centro Cívico pelos sem-terra ficar bem melhor do que normalmente acontece com as empreiteiras? Seria o caso de contratá-los em lugar dos que deixam tão feio o petit pavê. Dá pra fazer um desafio ao prefeito de Curitiba: achar dois metros quadrados desse tipo de calçamento regularizado na Capital.
GLOSA Governadores chegaram à brilhante (e profunda) conclusão de que não deveriam ter feito a reunião de Aracaju.
AXIOMA Eis um sinal dos tempos: a 2ª Delegacia de Rendas, no centro da cidade, está ameaçada de despejo porque a Secretaria da Fazenda não paga o aluguel há cinco meses. Não pagando seus compromissos em dia, o governo estimula a inadimplência geral. E como pega recursos de antecipação do ICM de empresas de porte, fica inibido de fiscalizá-las.
Nos anos 40, os estudantes de Direito da Federal do Paraná suspenderam o trote, retomado já há algum tempo, porque um calouro morreu (tuberculose galopante) depois de lançado no repuxo da Praça Santos Andrade.
SPRAY Com a divulgação dos salários de diretores da Copel (R$ 17 mil) ficou-se sabendo que o parâmetro é mais ou menos o mesmo para a ParanaPrevidência, uma entidade que não tem sequer capital. - Em resumo: já tem mamantes, isso é os que vão mamar, sem haver tetas. Só no lernerismo seria possível tal medida de ‘‘non sense’’. São uns artistas! - Um vexame a missão paranaense ao BNDES para arrumar numerário para atender débitos urgentes e a folha de julho que ainda não está assegurada. - O BNDES pediu um projeto, alguma coisa articulada e não mero blablablá para fazer qualquer antecipação de recursos orçamentários. Parece incrível que cartesianos como Miguel Salomão e Alex Beltrão embarquem numa canoa furada dessas comandada por Gionédis. - O PMDB, mal das pernas em Londrina, razão pela qual está empenhado em ter o Luiz Cheida em seus quadros, tenta, neste fim de mês, dia 31 e 1º de agosto, em seu congresso estadual, dar uma arrancada na região. - Para tanto, atrai Iris Rezende (a mulher), Itamar Franco, Pedro Simon e o homem de Mombaça, Paes de Andrade, como estrelas, afora, é claro, o senador Requião. - Por falar em Requião, uma das especulações constantes é a da divergência entre Roberto e Eduardo, com este último saindo do PMDB. - Sobre a luta do 1º tenente reformado (até hoje, desde 1954, o Exército não expôs formalmente as razões), Jorge Carlos Sade continua: como o ‘‘habeas data’’ não foi eficaz, já que o Ministério do Exército não deu os informes solicitados, a advogada Sheila Bierrenbach impetrou mandado de segurança contra a presidência da República na segunda quinzena do mês passado. Parece incrível que uma ordem que chega ao ponto de rever o caso do Riocentro continue dificultando expor as razões pelas quais o militar foi reformado. Ele acusa, inclusive, a falsificação da assinatura do presidente João Café Filho referente ao ato publicado no Diário Oficial da União.
FOLCLORE Aí o bebum, que já não aguentava tanta notícia de globalização no ‘‘Jornal Nacional’’, arregalou os olhos quando o locutor anunciou a liga Brahma-Antarctica e gritou para o garçon: ‘‘Mistura de cerveja nem pensar. Me solta o Fernet. Puro, sem mistura e nem gelo!’’
CROMO Ela estava de verde e ele, lamentavelmente, não era vegetariano.
AFORÍSTICO Pelo jeito com o novo ministério, FHC prova que não é o pior.

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