Luiz Geraldo Mazza
Resfriado? Pega
Em dia de mu dança ministe rial, Lerner teria escassa possibili dade de dar um bom aproveita mento em sua viagem a Brasí lia em busca de recursos para ao menos pagar a folha de julho do funcionalismo. Daí o resfriado, contraído na Argentina, pintou como providencial. E até como alegoria é muito bom: não se pode dizer que nestes dias Lerner esteve tão na pior que não pegou sequer resfriado.
Dispensada a blague, até porque o governador é portador de asma e, portanto, vulnerável nas vias aéreas, tanto que no ano passado teve uma crise grave de pneumonia, o fato é que Lerner se viu obrigado a cancelar a ida a Brasília, que faria para resolver a questão dos sem-terra, bem como tentar obter mais recursos para a crise de Estado e igualmente o encontro de governadores em Aracaju.
Esses encontros são necessários, mas com pouca perspectiva de trazerem resultados, embora a federalização do débito da previdência em favor de Santa Catarina e mais as concessões indevidas em favor da Bahia e do seu pólo automotivo motivem uma bateria reivindicatória da parte dos governos estaduais e que restabeleça pelo menos em parte o equilíbrio federativo rompido.
Enquanto o governador convalesce, o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, se esforça no Rio, junto ao BNDES, com ações da Copel a tiracolo, claramente transformadas em moeda de troca, para tirar do sufoco o Paraná e, quem sabe, com mais algumas antecipações de receita, garantir as folhas de pelo menos dois a três meses.
O importante é que o repouso provisório do governador é adequadíssimo para a reflexão: o Paraná não está numa boa fase porque hoje a sua ausência num encontro como esse de Sergipe acaba sendo igual a sua presença, isto é, com escasso ou nenhum efeito positivo. A nossa insignificância, e rezemos para que seja provisória, é um tema que exige aprofundamento.
GLOSA
Deputados federais estão anunciando uma CPI sobre o pedágio. Quem tinha dúvidas sobre o setor que mais financiará a próxima eleição já as superou
MINISTÉRIOS É importante, mas não essencial, para que o Estado seja respeitado ter gente sua no ministério. O Paraná está cansado de saber disso: teve vários ministros da Educação (Flávio Lacerda, Ney Braga, Euro Brandão) e da Saúde (Aramis Athayde, Borges da Silveira, Alceni Guerra) e não resolveu a questão do pagamento do pessoal do Hospital de Clínicas, que deveria caber ao governo.
AXIOMA O PMDB estava distribuindo ontem, na cidade, documentos que mostravam os salários de diretores da Copel com um ar escandalizado diante do fato de alguns deles receberem até R$ 17 mil, o que, todavia, é mais ou menos o referencial de mercado especialmente no campo das estatais. O que o PMDB deveria fazer é mostrar que não há uma só empresa do Paraná com o porte da Copel e por isso a decisão de privatizá-la deveria ser questionada.
BIZARRICE Segundo os jornais, Lerner teria se resfriado em Córdoba, Argentina, por falta de agasalho. O Rubinho Ferreira soube da justificativa e deu de bate-pronto: Vai ver não havia lá uma loja da Varca. A Varca é a loja para manequins especiais como os de Aníbal Khury, Orlando Pessuti, Rafael Greca.
Agora com a reforma ministerial voltamos a enfocar o assunto erradamente. De nada adianta ter ministros se o Estado não é respeitado. Às vezes até essa circunstância, a de ter ministros, mais atrapalha do que ajuda, como vimos, de forma clara, no regime militar. Demos terras férteis para construir barragens e a picaretagem regional, de defender São Paulo, adota em emenda constitucional em 1988, impede o Paraná de faturar no ICMS a sua condição de grande comercializador de energia.
SPRAY Uma página da Internet sobre os sem-terra redundou num plebiscito: de 120 consultas, 90 são de hostilidade ao MST. - A cada movimentação do MST a sociedade urbana se torna mais resistente a esse tipo de basismo. - Confirma também números de pesquisas específicas que mostram os sem-terra com menos indicadores positivos (ambos muito ruins) do que o das sociedades ruralistas. - Servidores do Judiciário continuam a sua luta em agosto, depois do recesso, pela execução do índice de 53,06% de reposição. Embargos do Estado foram todos derrubados, mas, diante da crise que aí está, é certo que o governo tentará outros recursos para protelar esse ato. - No dia 19, às 17 horas, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sydney Zappa ouvira os servidores que em seguida fazem a sua assembléia geral. - Conflitos entre terceirizadas da Audi-Volks ontem pela manhã. Como já ocorreu antes, há atraso de salários e também de pagamentos. - Valendo-se das fragilidades do governo, Aníbal Khury sugeriu que Lerner fizesse recomposição do secretariado e, ainda por cima, reduzisse o número de pastas, de forma drástica. - Dos 27.558 vestibas de Londrina, 14.284 são do Paraná, 10.743 de São Paulo, 658 de Mato Grosso do Sul, 635 de Minas Gerais, 123 do Distrito Federal, 444 de Goiás e 283 de Santa Catarina. - O contingente mais perto é o de Cambé, com 791 candidatos. Curitiba aparece com 715. - Fez bem a UEL em colocar na capa do Manual do Candidato o registro obtido no Provão do MEC: 3ª melhor universidade do País, 1ª da região Sul. - Rafael Greca levou, ontem, mais um pau na imprensa, agora no JB, da jornalista Lena Frias, do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro: bronca acumulada por causa dos rodeios e agora em função da música (ruim) dos 500 anos pela dupla Chitãozinho e Xororó.
FOLCLORE Por falar em Greca, ele lembra uma figura indispensável como clichê nos faroestes antigos: o gozadão, que era sempre gordo, figurando ao lado do mocinho, da mocinha, pai da mocinha, o bandido e o gurizinho.
CROMO Mais um fim de tarde com tom púrpura no firmamento, uma embalagem enganadora da frente fria anunciada.
AFORÍSTICO Que falta faz o Paraná na reunião dos governadores?





