Luiz Geraldo Mazza
Piada, a fuga dissimulada
Há, no humor brasileiro, um estilo velado de sublimar a im potência. O ex cluído só leva a melhor na ane dota e, é claro, e aí com razões mais profundas, no reino dos céus. Por exemplo: o caiçara, superdotado, ou o caipira, a darem lições de inteligência nos ricos, aqueles que os exploram por método.
Uma piada paradigmática é a do carioca, o corpo transfixado por uma adaga, e que resmunga explicando que só dói quando ri. Outra, a clássica do general Leônidas quando lhe dizem que as setas do inimigo são tantas que certamente cobrirão o sol e ele repica, laconicamente, com o célebre melhor, combateremos à sombra.
Deixando o lado tenso da ocupação do Centro Cívico pelos sem-terra, que de tanto acontecer pode dar margem à obtenção do domínio por usucapião, houve muitas anedotas em cima do tema. A de que valia invadir porque se tratava de área improdutiva é uma delas, repetida à exaustão. Outra, é a referente às casas de madeira, quando se questionava se ofereciam segurança, o lavrador respondia: Melhor do que aquele prédio ali, apontando para o Fórum inacabado.
O fato de os sem-terra estarem cumprindo um dos pontos acertados com Aníbal Khury - o da reconstituição dos jardins - sugere uma legenda para a foto: Sai Burle Marx, entra Karl Marx. Poder-se-ia aí incluir os irmãos Marx, o Grouxo, aquele que não frequentava clubes que o aceitassem como sócio. Ou ser lavrador em terra que houvesse conquistado.
A última piada é em torno da pressa de Lerner em voltar da Argentina: temia que Aníbal Khury acabasse criando o município de Salete, com cartório e tudo.
BIZARRICE
Caso houvesse na mesa do governador processos de nomeações para cartórios, Aníbal Khury, na interinidade, sofreria
SUTILEZAS Sutileza de Massey-Ferguson é haver a suspensão de vendas de cupons do pedágio como indicação de que o aumento vem aí. Faz bem o deputado federal Rubens Bueno trazer até nós uma comissão parlamentar para dar uma olhada nas planilhas esotéricas acertadas entre governo e concessionárias sem que a população tenha acesso às informações.
AXIOMA Antes os preceptores de homens de Estado eram filósofos, hoje é a turma da mídia: tanto FHC como o Lula foram ouvidos pelo Ratinho. Por que não a tiazinha ou a Hebe?
GLOSA Rio de Janeiro contratou advogados, um brasileiro e quatro ianques, para processar as fábricas de cigarros, as do País e exterior, pelos dispêndios que a administração tem com hospitais e tratamento de portadores de doenças causadas pelo tabagismo. Como os Estados estão matando cachorro a grito, até que seria medida salvadora. Melhor do que queimar receita futura como o Paraná está fazendo de forma aleatória.
SPRAY A resistência armada à ida da Ford para a Bahia, que se deve ao Olívio Dutra, governador do Rio Grande do Sul, conota uma certa dosagem de preconceitos contra o Nordeste e ajuda a fomentar fantasias fascistas como a de o Sul é o meu País. - Quando o Paraná atraiu as montadoras, São Paulo (especialmente o Emerson Kapaz) chiou. - Ratinho, a pedido do Lula, também fez comentário hostil sobre a montadora no Nordeste. - É um episódio que exigiria a mediação de um estadista, o que temos, apenas teoricamente, na Presidência. - Desníveis regionais só podem ser corrigidos por intervenção estatal (vide a Sudene) e políticas redistributivas de caráter fiscal. Essa obviedade não entra na cabeça dos xiitas da globalização. - Rubinho Ferreira e Eugênio Cecato, de Guaratuba, preocupados com o esvaziamento do balneário depois da Festa do Divino, querem lançar em agosto, com fogueira na frente do Bar do Pato, a festa de São João Atrasado. Como se vê, as idéias crepitam. - A morte do torcedor do Coritiba (não é a primeira, já que o ano passado houve outra, também precedida de lançamento de bomba na Fazendinha) é a prova de que a área de Segurança é incompetente para agir, tanto na prevenção quanto na repressão dessa modernidade selvagem das gangues. Precisaria ir mais fundo do que no desarmamento, com revistas nas escolas. Tinha que envolver a comunidade no processo, a igreja, associações de pais e mestres e de moradores. - A prisão de alguns anti-heróis teria efeitos pedagógicos, já que a impunidade dá a entender que esse pessoal tem o corpo fechado. - Mas que absurdo a canalização do gás ser feita a céu aberto, um convite à sabotagem! - Absurdo maior é o do salário do comando da Copel: a média é superior a R$ 17 mil e cada um tem um custo mensal de R$ 35 mil. Além disso, há 14 salários, gratificação natalina, férias. Nesse aspecto o cenário já está privatizado. - Um feito da área de Segurança: hoje, às 11 da manhã, no Instituto de Criminalística, serão apresentados dois casos de estupro, um seguido de morte, e respectivos autores, em investigação na qual se lançou mão do exame do DNA. Peritos da Polícia fizeram uso de instalações de laboratório conveniado (Frishman-Aisengart) para esse trabalho que coloca a instituição na vanguarda nacional.
FOLCLORE Já que o governador Lerner se obstina em não reduzir o extravagante número de secretarias, seria, ao menos, aconselhável que enviasse a cada um dos titulares das pastas fotografias dos deputados que a maioria não conhece e se recusa a ver. Idéia é do Rubinho Ferreira, que diz ser desnecessário mandar a foto dos secretários para os deputados porque eles são bem conhecidos, apesar de sempre escondidos.
CROMO No microscópio a fé se apequena: na água miraculosa de Umuarama havia mais coliformes fecais que atributos. Em matéria de fé fica estranho ver se água benta tem salmonela.
AFORÍSTICO Prestígio do Paraná é como aquilo que Manoel Ribas dizia da Lapa, que crescia como rabo de cavalo: para baixo.





