Luiz Geraldo Mazza
O conselheiro necessário
Qual a autoridade militar mais próxima do governador? Obviamente o chefe da Casa Militar, a quem cabia, como afirmei ontem, dar o aconselhamento correto ao governador no episódio lastimável do afastamento do Comandante do Policiamento da Capital.
Se foi omisso ao não alertar que o acatamento a uma pretensão esdrúxula do presidente da Assembléia atingia fundo o sentimento da corporação, pelo nível primário da manobra (o não acolhimento de um pretenso interesse do deputado-radialista Ricardo Chab), não se pode igualmente aceitar a passividade de Giovani Gionédis que é como advogado sabedor de que o pretendido por Aníbal Khury configurava uma invasão de área de competência, indelegável, do Executivo.
Prova-se apenas com isso a ausência de firmeza do governador, pois em seu ato dá para perceber que levou a sério os informes, como sempre dos áulicos, de que o guru estava magoado e que era preciso repará-lo. Se tudo o que se diz de Aníbal Khury fosse verdadeiro, em termos de aconselhamento, o governo teria dançado, já que apregoou - e é claro com o objetivo de ser ouvido, pois afinal é um preceptor em permanente disponibilidade - que a eleição em Curitiba não escaparia do segundo turno.
A razão alegada de que Aníbal, na interinidade, nomeara o coronel Honório Bortolini, não era o suficiente para que se adotasse a medida temerária de afastá-lo.
Mas se o conselheiro militar falhou, provavelmente por omissão, o político-jurídico errou ainda mais ao deixar exposta uma fragilidade que desconsidera a prerrogativa institucional do Executivo, inegociável, para sacrificá-la num embate de menor relevância, mas de efeitos desagregadores sobre a instituição militar.
BIZARRICE - Quando assisto mancadas como essa do governo na área militar lembro de uma frase irônica de Marcos Enriettti, pioneiro da ciência e tecnologia no Paraná, ao afirmar, referindo-se ao pessoal do Palácio no seu tempo, que quem estava em campo era uma espécie de terceiro time.
É que às vezes um time joga bem num determinado setor, mas pessimamente em outro. Os que ouviam Enrietti, a grande figura do antigo IBPT, hoje Tecpar, tentavam atribuir sua crítica ao ressentimento e ao fato de estar fora do poder.
Aliás, é assim que governistas normalmente reagem, mesmo quando se denuncia irregularidade grave: tudo não passaria de inveja. Foi o que disseram, por exemplo, quando se acusou Cássio Taniguchi de haver homologado licitações no Ippuc e Urbs em favor de sua empresa: inveja, dor de cotovelo, como se a disputa no mundo fosse entre os mais vivos e os menos atentos.
SPRAY - Primeiros contactos com os colonizadores franceses - e como lembram os primeiros dos tempos monárquicos! - da Renault estão dando margem a chio: as exigências em relação a escolas e sistemas de saúde mostram que desejam ser mais assimilados do que dispostos a assimilar. - Tomara que não acabemos nos sentindo como os argelinos nos tempos das lutas coloniais. - Segurança vai ter problemas hoje no jogo dos Atléticos: parte da torcida coxa, que faz intercâmbio com várias correntes do time mineiro (a prova disso é que havia uma bandeira da Império no Mineirão), deve ir uniformizada ao Joaquim Américo. - É repique do que houve em 85, quando a torcida rubro-negra, num mimetismo que só a paixão explica, ia aos estádios nos jogos do Coxa com o uniforme dos adversários. - Aliás, se a torcida Máfia Azul, do Cruzeiro, não estivesse tão desmoralizada com a derrota diante da Portuguesa de Desportos, se manifestaria, com máximo ardor, em favor do time paranaense. - Reforma do Estado é o tema-chave do seminário que o Ipardes promove nos dias 5 e 6, das 8h30 às 12h, no auditório do Edifício Castelo Branco. Cláudia Costin, secretária executiva do Ministério da Administração, fala sobre a modernização da gestão pública; Belmiro Valverde a propósito do redimensionamento estatal e o uso criativo da diversidade; Aluízio Loureiro Pinto enfoca novas formas de gestão, e Fernando Rezende (Fundação Getúlio Vargas, consultor do Banco Mundial, BID e ONU) trata do assunto na perspectiva da federação. - Mal Lerner chegou, teve que enfrentar várias paradas: crise militar, que não dá para esconder; os choques entre o seu grupo e o de Greca, especialmente a questão da carta fajuta; o drama da situação financeira do governo, com várias vitórias de batalhas judiciais de algumas categorias do funcionalismo, e o compromisso, difícil de consolidar, de atender os 80% em favor do pessoal universitário. Uma pauta capaz de fazer esquecer até as vitórias eleitorais. E de sobremesa, o vazamento do informe sobre as propostas de mudança no terceiro grau.
FOLCLORE 1 - Nizan Pereira é um cruzado das boas causas: a da Aids é uma delas e isso desde antes do governo Requião. Buscando ser didático, diante da chamada resistência ao uso da camisinha, propõe que a erotizemos, como fetiche, como se faz com a lingerie. Aquele preconceito - o de que usá-la é como chupar a bala com o papel - é um dos argumentos primários. Conforme a subjetividade da pessoa até uma enceradeira se transforma em dado erótico: basta lembrar do anúncio do assoalho tão bem lustrado que aparece as calcinhas da dona de casa.
FOLCLORE 2 - Na eleição de Campo Magro, o candidato Roberto Luís Perussi exigiu recontagem e a diferença em favor do outro candidato aumentou. Foi como se houvesse um segundo turno. A gozação em cima dele foi a de que o município poderia mudar de nome para Campo Magérrimo.
CROMO - Antes do despertador, quem me acorda é uma sabiá preta. No fundo ouço também o trinado da corruíra, que nem parece a embalagem de tanta arte.
AFORÍSTICO - Descartes hoje diria: Consumo, logo existo.





