O Banestado federal?
Ontem, precipi tadamente, o PMDB regional comemorou o fato de que o Banestado teria se tornado ‘‘fe deral’’, isto é, da União, como propunha a tese do senador Roberto Requião, porque uma resolução do Senado teria determinado que até 30 de junho deveria ter sido processado o leilão de privatização e, em caso contrário, as ações fugiriam do controle estadual. O Banco Central já fez o ajuste com o banco paranaense para que esse prazo fosse prorrogado até março de 2000.
Para quem lê o texto frio da Resolução nº 98, de 11 de dezembro de 1998, no capítulo dos compromissos do Estado é acentuado na letra ‘‘A’’ a data-limite de 30 de junho e na letra ‘‘B’’ está expresso que ‘‘em caso de não alienação do controle acionário do Banestado, em leilão específico, o Estado alienará à União as ações de sua titularidade no capital social do Banestado’’.
Muita gente achava que o melhor para o banco, depois dos absurdos praticados no governo Lerner com o carnaval de títulos públicos de Alagoas, Santa Catarina e Pernambuco, e mais os municípios de Osasco e Garulhos, um escândalo que precisa ser apurado em detalhes para ver se houve ou não ‘‘método’’ no prejuízo que favoreceu alguns, era que ficasse na órbita federal, e citava-se o caso bem sucedido, de certa forma, do Banespa, que tende a ser vendido com lucro apreciável, o que não ocorrerá com o banco paranaense.
De qualquer forma, ainda que informado que o governo ganhou moratória para cumprir as suas obrigações, o PMDB anuncia medidas judiciais para fazer valer a Resolução senatorial e pretende esclarecer todo o processo que levou à quebra do banco, nominando os responsáveis.
Como o dia parecia não ser muito satisfatório ao Banestado, falava-se na tarde de ontem que o banco não dispõe dos recursos necessários para os ajustes na informática, relativamente ao bug do milênio, o que causaria um problema bem maior do que os transtornos vividos agora pelas teles. Nesse particular, a preocupação não procede, pois o Banestado já tomou 95% das providências regulares e só falta receber a certificação competente que irá, obviamente, divulgar.



BIZARRICE
Observação do advogado e anarquista Elísio Marques: ‘‘O ex-brizolista e atual ‘‘carlista’’ Jaime Lerner já conseguiu sair na ‘‘Caros Amigos’’ e na ‘‘Caras’’. Se não se cuidar, logo sairá na capa da ‘‘Bundas’’

AXIOMA Bastou o deputado Aníbal Khury ter mantido contato com o Judiciário para que se sugerisse que um dos seus primeiros atos de governo provisório será pôr fim ao acampamento sem-terra diante do Palácio Iguaçu. O problema é que sem-terra não é bem guarda da Diretran.
GLOSA Nessa época de privatização, a Comissão Executiva da Assembléia age em sentido contrário ao ‘‘estatizar’’ o tele-catch, que era uma das atrações do Canal 12, transformando em seguranças, portanto burocratas públicos, o ‘‘Metralha’’ e o ‘‘Jóia Psicodélico’’, entre outros.
EPIGRAMA Chegamos à trigésima viagem do governador Lerner para o exterior. Para quem está seguidamente em outra galáxia e que viaja muito mais (aí também na maionese) quando está no ‘‘Chapéu Pensador’’, isso não impressiona.
SPRAY Londrina tem tudo para a eleição prefeitural mais dura do Paraná no ano que vem: com a autodissolução do diretório do PFL, tudo se encaminha para a entrega do bastão partidário a Antonio Belinati. - Mas a saída do Luiz Eduardo Cheida do PT (aguentar o convívio com as comoções intestinas ao longo dos 17 anos de militância é dose pra mamute) coloca o ex-prefeito possivelmente como postulante de um partido nanico ou um estável como o PMDB, que ajudaria o deslanche de Requião na região. - Além desses há, ainda, o PSDB com o Luiz Carlos Hauly, o que iria esquentar a disputa. - Se isso acontecer, será uma eleição de denúncias, embora Belinati tenha ajudado Cheida para bater Wilson Moreira. E prato é o que não falta, embora o caso Sercomtel-Copel-FonteCindam envolva um empréstimo do Cheida, depois ‘‘vitaminado’’ com Belinati. - O instituto da ‘‘reunião das ações’’ é que levou a Procuradoria Geral do Estado a buscar a derrubada das liminares contra o ParanaPrevidência no STF. Ocorre que é lá que está a Ação Direta de Inconstitucionalidade do PT. - O STF estaria ‘‘prevento’’ para decidir, de forma uniforme, para que sejam suspensas as liminares. O relator é Sepúlveda Pertence, que está em férias, e a decisão pode ficar com o presidente, ministro Carlos Velloso. - Começa amanhã e vai até o dia 19 o 9º Festival de Inverno de Antonina. De duplas caipiras a música celta, há de tudo por lá, com várias oficinas de arte, nas quais o povão costuma se envolver. - O pontagrossense Irajá Ribas, engenheiro aeronáutico diplomado pelo ITA, com um currículo admirável nos atos preparatórios da criação da Embraer, é o futuro diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), apresentado ontem pelo secretário de Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrahftig.
FOLCLORE Uma das curiosidades do anedotário jurídico é a do pedido de habeas corpus em versos em favor de um violão pelo hoje senador Ronaldo Cunha Lima, famoso por sua vivência boêmia. O pedido é em versos: ‘‘O instrumento do crime que se arrola// Neste processo de contravenção// Não é faca, revólver nem pistola// É simplesmente, doutor, um violão.’’ E vai por aí a fora o pedido ao juiz Arthur Moura, da 2ª Comarca de Campina: ‘‘Libere o violão, doutor juiz,// Em nome da Justiça e do direito,// É crime, porventura, um infeliz,// Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?’’. Apela ao melodramático: ‘‘Será crime, afinal, será pecado// Será delito de tão vis horrores// Perambular na rua o desgraçado// Derramando na praça suas dores?’’. Aí veio depois da cantada o despacho do juiz em versos: ‘‘Para que eu não carregue,// Remorsos no coração,// Determino que se entregue,// a seu dono o violão.’’
CROMO A mina de carvão segrega o diamante, a ostra a madrepérola casca e a pérola, a baleia contem o âmbar como o fígado gera a bile: não será mais ou menos assim o espírito para o qual o nosso corpo é embalagem?

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