Cadê o toicinho daqui?
Nesses tempos em que se fazem tantas revisões sobre o compor tamento hu mano como as decorrentes das manias da moda - auto-estima, pensamento positivo, inteligência emocional e o dado lúdico na trajetória das pessoas - é de se perguntar como em folguedo infantil: ‘‘Cadê o toicinho daqui?’ No caso, o toicinho é o dinheiro público. Para onde ele foi, por qual bueiro foi drenado, que falta em todos os setores?
No jogo infantil, à primeira pergunta há uma resposta, inaplicável no caso, a de que ‘‘o gato comeu’’, seguindo-se a pergunta ‘‘e o gato?’, a resposta ‘‘foi pro mato’’ e assim por diante: E o mato? O fogo queimou. E o fogo? A água apagou. E a água? O boi bebeu. E o boi? Está amassando o trigo. E o trigo? A galinha comeu. E a galinha? Tá botando ovos. E os ovos? O frade chupou. E cadê o frade? Está rezando missa. E a missa? Está no altar. E o altar? Está em seu lugar!
Deixando o folguedo de lado, é de se fazer uma investigação, seguindo mais ou menos um roteiro bem-humorado como o folclore referido, para saber que milagre foi esse que demoliu o Paraná em pouco mais de quatro anos e meio e parece tê-lo transformado numa embarcação à deriva e absolutamente sem destino, embora os anúncios de novos caminhos e de uma ruptura à secular dependência em relação a São Paulo. Onde estão os resultados na política de pleno emprego das anunciadas dezenas de bilhões de dólares investidos em nossa economia? Abrimos mão de receita futura com a imunidade fiscal de numerosos empreendimentos e os resultados esperados não ocorreram. Quem respondeu melhor na parte de emprego foi, imaginem só, o setor olhado como singelo demais: o agropecuário.
Os ‘‘Anéis de Integração’’ ameaçam nos deixar sem os dedos para pagar o pedágio e promete-se para a segunda quinzena deste julho a revelação do ‘‘quantum’’ a ser estabelecido para mais um confisco e uma espoliação. E assim por diante. Dá a impressão que o princípio da reeleição acelera tanto o senso reivindicatório das pessoas que estas passam a desejar uma nova eleição para rever o ato praticado, tal o desapontamento e a frustração causados pela morte da esperança.
Cantemos em coro, como em cantiga de roda : ‘‘Cadê o toicinho daqui?’



PROFECIA
Os sem-terra constroem casas de madeira na frente do Palácio Iguaçu e a autoridade, inerme, nada faz. Dentro em pouco chutam a sambiquira de um dos nossos hierarcas, como os basistas fizeram com executivos das bolsas nos primeiros leilões de privatização

BIZARRICE Na Assembléia, o empenho do momento é o da renovação da frota de automóveis dos deputados. É um consolo, já que é a única renovação possível.
AXIOMA Os sem-terra erguem a casa de madeira no Centro Cívico. Aí vem uma autoridade municipal, aproxima-se dos construtores e pergunta:
- E isso aí é seguro?
- Ora, melhor do que aquele predião do tal Fórum.
GLOSA Jocelito Canto, prefeito de Ponta Grossa, esperou mais de duas horas para ser atendido por Lerner. Quase botou uma barraca dentro do Palácio para acelerar a entrevista. Os sem-audiência são mais numerosos que os sem-terra.
SPRAY Em junho houve um dia de atraso; em julho serão dez dias; em agosto, 15; em setembro, 20 - e em outubro, sem previsão. É o cronograma do funcionalismo. - Jesus Cristo está com menos Ibope do que Belinati em Londrina. E olhe que Jesus conta com o apoio do prefeito. - É um consenso a idéia de que o soldado que passou o vídeo para os meios de comunicação agia por sugestão de oficiais da PM descontentes com o descalabro atual, reafirmado no episódio do vigarista Joni Rodrigues. - Só há um meio de botar ordem na PM: tirar o pessoal da reserva dos postos de comando. Esse é outro consenso de gente séria e fora da excrescência política. - Recessão atingiu o sistema FIEP-Sesi: há muitos desempregados. Tem gente ameaçando imolar-se. - A agência Engenho, de Londrina, não vai questionar judicialmente a concorrência de propaganda da prefeitura. Só quer saber - e isso, administrativamente - o critério das notas aplicadas pelos jurados. - Fábio Campana paga pela fama: inventaram que vai dirigir a Rádio Independência e o que tem de gente pegando no seu pé para arrumar um espaço não é brincadeira. Quem deve tocar a rádio é o time vitorioso nos anos 70 da mesma emissora: Jair de Brito, Euclides e Carlinhos. - Também não é verdade que Toni Garcia, dono da rádio em sociedade com Luis Mussi, tenha adquirido parte das ações do ‘‘Jornal do Estado’’. - Mais um escândalo em Paranaguá no setor do Ministério da Agricultura, que emitia ordens de exportação. Em Paranaguá, corrupção, ainda mais no Porto, é redundância. - Boticário vai virar multinacional: já fez o primeiro acerto em Portugal. - Uma piada na praça: Lerner estaria exigindo dos consórcios um cronograma de obras a ser inauguradas! - Dirigentes das entidades empresariais foram solidários com o secretário da Segurança na questão das desocupações dos sem-terra. Susto seria o contrário: os sem-terra defendendo a Polícia. - A primeira-dama chegou tarde nessa questão das crianças e velhos no acampamento sem terra. Tanto os meios da comunicação já haviam chiado como também o Ministério Público. - Hoje, 10 da manhã, uma equipe do Ministério Público inspeciona o acampamento do MST e verifica a acomodação de velhos e crianças fora do local.
FOLCLORE Vejam só como são eficientes os ‘‘teasers’’ e apelos publicitários do Lerner: pode-se dizer hoje que a transformação ‘‘que você faz’’ alcançou o MST e é a de pôr barracos de madeira em lugar de ranchos de lona preta.
AFORÍSTICO Quem faz com a gente o que o Ronaldinho gaúcho aprontou na Venezuela é justamente o governo, e nós é que ficamos com a fama de malandros.

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