Luiz Geraldo Mazza
Quem entende de pacau de bico é Aníbal Khury, que na juventude foi campeão de sinuca. Trata-se de uma armadilha ao parceiro da próxima jogada e que o coloca em extremo risco diante do fato de a bola da vez ficar oculta, dificultando o alvo até para craques como Roberto Carlos ou Rui Chapéu.
Quem está num pacau de bico é justamente o governador Jaime Lerner. A estada nos Estados Unidos da América do Norte amacia um pouco o quadro e refresca, de certa forma, a moringa, ainda mais se confirmar-se o interesse de dois investidores em negócios no Paraná, mas estabelece uma previsão sombria para o seu retorno semana que vem. E a indecisão quanto à data exata do retorno é menos dramática do que as demais: destino partidário, o que fazer para o governo funcionar, como segurar as pressões dos deputados.
A tranca do PSDB é pior do que um mata burro e o pessoal da direção regional confia tanto em Álvaro Dias que mandou um time enorme acompanhá-lo no encontro com FHC. É que no meio da semana houve encontro dele, Álvaro, com Lerner na residência do advogado Acir Breda. De qualquer forma o presidente foi sensível às razões do tucanato regional pelo fato de criar um desconforto extremo ao mesmo tempo em que Álvaro Dias assegurava a limpidez de uma aliança com o governador como o sistema pretendia.
Como se vê, o governador é politicamente um trapalhão: seu pendularismo chega a irritar e enquanto sugere que muda de sigla, o PDT regional aquece turbinas para consolidar diretórios e novas conquistas. Com 112 prefeitos eleitos na mais recente disputa, o que representa mais de 28% do total, e 36% dos votos, o PDT teve o seu melhor desempenho nacional justamente aqui. Mas se Lerner deixar o PDT, como se sugere, no dia seguinte Brizola, já mais ou menos acertado com Requião, decreta intervenção no diretório regional e o passa de mão beijada a mãos confiáveis. Se na eleição de 90 o grupo requianista foi capaz de criar uma dissidência no PDT, quando a turma de Lerner detinha o poder, e de lançar um senador meio laranja, o Tadeu França, isso sem falar no racha dos programas eleitorais, dá para imaginar o que se faria agora.
Assim que Lerner deixar o PDT perde o controle da legenda ou a sustenta sob o fogo de dissidências combativas e tumultuárias. Se for para o PFL ou o PTB, qualquer um dos aliados, a saída não é menos complicada. Além do mais, a prensa que Lerner levou semana passada da base aliada revela que as pessoas começam a perder a paciência com tanta indefinição e falta de determinação. Está como o diabo gosta: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
BIZARRICE Quando predominava a botina houve a resistência da batina. Agora a CNBB, achando que o neoliberalismo vai aumentar a exclusão, decidiu partir para o confronto com FHC. Apesar de haver um ar monárquico neste governo, a batina, desta vez, vai ficar distante do rei Luis XIV.
SPRAY Inri Cristo, capa da ISTOÉ desta semana, mostra que Curitiba não é só ecologia, mas também pluralidade religiosa. Não deixa de ser curioso ver a cidade opor-se ao clero formal, ao Papa e ao bispo, através de uma seita. - E o médium Garrincha está na praça há dias. Atendeu entre sábado, domingo e ontem mais de 2 mil pessoas no Hotel Bela Vista na BR 116. Até um ex governador estava na lista dos atendidos. Hoje atende pela última vez. - Requião responde com rapidez às provocações. Como até as charges de capa dos principais jornais o mostravam com medo simultâneo de ACM e Maluf, vai apoiar a proposta do senador Suplicy que convoca os governadores de Santa Catarina, Pernambuco e Alagoas mais os prefeitos das cidades beneficiadas, entre os quais Maluf. - Paranaenses voltam a aparecer no noticiário dos precatórios: agora foi a vez da Divalpar (Ademir Adur) que ofereceu letras financeiras de Santa Catarina (10 mil por R$ 10,1 milhões) para a Telos, Fundação Embratel de Seguridade Social. O contrato foi assinado por Heitor Barros pouco antes de se desligar da instituição. Estadão mostra em reportagem a vida nababesca do ex funcionário da Telos. - 90 mil formandos estão entre os inscritos para o provão de 97 a ter lugar em 29 de junho envolvendo cursos de Administração, Direito, Engenharia Civil, Engenharia Química, Medicina Veterinária e Odonto. A UNE vai chiar mais baixo, pois da primeira vez a tentativa de boicotar deu em nada. - Por falar em ensino, o Paraná sai na frente em matéria de tele-educação: 1.595 tele-salas em 354 municípios. - A reclamação de Castro segundo a qual Greca teria ido de avião (o que daria despesas superiores ao que foi gasto com cestas básicas) não é inteiramente verdadeira. Foi de carro, mas deu continuidade a um plano de viajens a outros municípios em avião. - As mortes de sem terras, desta feita, em Pinhão Ralo, decorrem de conflito entre os invasores. Bebida e briga. Não dá para dramatizar, nem politizar. E muito menos glamourizar. Aliás no início da marcha a Brasília houve necessidade de retirar os bebuns do pedaço. -
FOLCLORE Quando o prefeito Jocelito Canto, de Ponta Grossa, populista visceral, começou a demitir gente no atacado, reduzir secretarias, houve a observação: é o Maneco Facão dois. Manoel Ribas, interventor, ganhou o apelido porque demitia a três por dois. Mas governava, coisa cada vez mais difícil, como vemos especialmente no Palácio Iguaçu.
CROMO A memória é o espírito em estado de resistência: há um ano perdemos a nossa mãe, Nair, e hoje rezamos por ela. A lembrança é o gesto último para refazer uma imagem e uma vida de doação permanente e que nutre a família unida. Na missa, ponte com a transcendência, refazemos a aliança.





