Luiz Geraldo Mazza
Julho: neve ou never
Ao que tudo in dica, a profecia de Aníbal Khury se confirma, pois dificilmente o governo fechará, com um mínimo de tranquili dade, a folha de pagamento de julho do funcionalismo estadual. Este foi o motivo de reuniões prolongadas do governo estadual no dia de ontem. Curioso: para gastar, decidem rapidamente e quando se trata de como pagar débitos fazem reuniões intermináveis.
Afinal, quem quebrou o Estado é justamente o grupo que está no poder: demoliu o Banestado com façanhas inigualáveis na história do estabelecimento, em que o rigor com que se buscou o prejuízo na Corretora e na Leasing chega a ter um desdobramento científico, tal a precisão do planejamento. Para atender a cupidez de prodigalidade já se fez de tudo: antecipação de receita do ICMS, venda de ações da Copel e da Sanepar. Como o governo vai pegar R$ 4 bilhões em títulos federais para sanear o banco, que ele próprio quebrou, seu cacife junto à União está por demais comprometido, ainda mais com a insistência em querer recursos para viabilizar a capitalização da ParanaPrevidência que, ao nascer, saiu da maternidade diretamente para a UTI.
Como estamos em julho, tempo de recesso do Legislativo e do Judiciário, mas de tempo integral para o acampamento dos sem-terra, pode ser que tenhamos a neve, que por sua originalidade, só tivemos a dos anos 20 e a de 1975, não deixaria de constituir-se num sinal de novidade. A neve é mais fácil de vir a acontecer do que a vinda de recursos para tirar o Tesouro, espoliado, do sufoco. Enquanto se divisa o horizonte negro, com a atmosfera saturada e capaz de criar pré-condições para a neve, percebe-se na escuridão outro sinal: o never ou melhor o never more, o nunca mais, repetido à exaustão pelo corvo de Alan Poe.
BIZARRICE
Definição de funcionário azedo e inconformado com o novo sistema de previdência estadual: A ParanaPrevidência é um feto barbudo fugido do necrotério.
AXIOMA Se a privatização for julgada pelos apagões da energia elétrica e agora pela confusão telefônica pode-se dizer que mais rápido do que se poderia esperar ela está por um fio.
GLOSA Na hipótese de tanto FHC como Lerner não melhorarem seu desempenho, revertendo o quadro negativo, nem candidaturas fortes como as de Cassio Taniguchi e a de Antonio Belinati estarão garantidas, menos pelos seus defeitos do que pela reeleição, algo que começa a ser abominado no Brasil como causa de todas as nossas adversidades.
SPRAY Muito mais do que a gravação referente à Copel, citada aqui na edição de sábado, que coloca mal Jaime Lerner, reproduzida em milhares de cópias, outros depoimentos, desmentidos pela realidade, devem desaguar numa campanha de oposição. - A fita referente à Copel é de uma entrevista de Aníbal Khury para Sílvio Sebastiani e Enéas Faria (TV Exclusiva), na qual o deputado reproduz uma frase de Lerner no sentido de que preferiria morrer a vender a empresa de energia. - A oposição montou vários desses testemunhais arrasadores e que seriam acionados na hipótese de Lerner ainda conservar liderança, o que sabidamente, ao menos neste momento, não mais existe. - Situacionismo municipal balança: Beto Richa teria estado com Ney Braga. E na semana passada José Richa jantou com o filho num restaurante com vários membros da colônia árabe. - O Ministério Público mandou apurar as condições de saúde e assistência de crianças e adolescentes no acampamento sem terra no Centro Cívico. - Um comissário da Infância e Juventude, José Antonio Curtiss, com ordem da juíza Carmen Lúcia de Almeida, fez vistoria no acampamento e não viu risco iminente ou caso de gravidade. As cautelas não foram suficientes, pois houve a morte de uma criança, o que levou as promotorias da Infância e Juventude e de Defesa da Saúde Pública a fazer investigações em que circunstâncias teria se dado o ocorrido. - A Lapa ganhou três semáforos da Diretran da capital e o prefeito, a pretexto de lançar um aparato da modernidade naquela cidade, fez a instalação sem observar normas do Patrimônio Histórico e Artístico, tanto o nacional como o regional e isso agora está sendo diariamente questionado. - Logo que terminar o recesso do Judiciário teremos movimentação de juízes em várias comarcas: Olívio Panucci vem de Cruzeiro do Oeste para Curitiba como juiz substituto; Glademir Panizzi sai da 6ª Vara Criminal de Curitiba para Juiz de Direito Substituto em 2º grau; Fábio Marcondes Leite sai da Infância e Juventude para a 2ª Vara Cível de Ponta Grossa; Sérgio Luiz Patitucci vai para a Infância e Juventude de Ponta Grossa; Fernando César Zeni assume como juiz substituto na 22ª secção judiciária em Ponta Grossa; na entrância inicial Marcos Takao Toda vai de Pérola para Ipiranga; Luciano Souza, de Salto do Lontra para Faxinal; Luciane Bortoleto, de Jacarezinho para Matelândia. Os juízes substitutos Rogério de Assis sai de Medianeira para Colombo e Antonio Franco Ferreira da Costa de Santo Antonio do Sudoeste para Paranaguá.
FOLCLORE A Lei Camata, bem intencionada para pôr fim à gastança, pode se transformar em mamata se com a folga nas contas públicas, produzida pela criação dos fundos de Previdência, os governantes (municipais já estão de olho gordo no tema) estaduais se divertirem com nomeações de amigos, parentes e, é claro, de correligionários, o que não estancaria a sangria. Se com todos os bloqueios, Lerner nomeou mais de 500 para cargos em comissão dá para se calcular o risco. Se assim for, o objetivo moralizante e racionalizador da Lei Camata acaba gerando uma casamata de privilégios.
CROMO A criança se espanta com o esqueleto da cigarra grudado no tronco de árvore. Nem de longe imagina que está diante de um sinal da eternidade naquilo que se mostra tão provisório: e assim será com exoesqueleto do siri e a pele abandonada da cobra colorida.
AFORÍSTICO Afinal há alguém que lembre tanto o assassino da esperança?





