Como o garoto que vai na fila da vacinação, percebeu-se anteontem na sessão do Senado, voltada aos precatórios, que não doeu nada, que a cúpula do Banestado levou visível vantagem sobre Requião e que não há o mínimo impedimento para que se estabeleça uma CPI estadual que aborde não apenas os problemas da Leasing e da Corretora, mas de tudo o que ali acontece e não apenas de agora e sim de todo o sempre como a rotina dos inadimplentes, entre os quais figuram proeminentes representantes da classe política.
A imagem que foi criada em torno desse espetáculo era o de que teríamos uma reedição do tribunal de Nuremberg com o senador relator assumindo a postura de um promotor, tarefa para a qual se acredita vocacionado, conquanto prefira, por temperamento e impulso, a condição de policial, tal a sua mania por armas, já que não lhe assenta bem o papel do mocinho que resolve tudo no braço.
Em função do ocorrido em Brasília, o governo deveria abrir mão das exageradas salvaguardas do Aníbal Khury e topar a CPI proposta pela oposição, o que acalmaria os hormônios de alguns dos seus integrantes, e operaria como um ‘‘descarrego’’ em rio de água limpa. Basta jogar na parte técnica e isso é suficiente para desmantelar as inquirições.
E a despeito do bom desempenho dos dirigentes do banco, especialmente do Murta Ramalho, caberia ao governo massificar pelos meios de comunicação, especialmente o rádio e a televisão, o que houve na CPI para evitar que as versões manipuladas acabassem predominando. Como a falta de iniciativa e de
‘‘punch’’ é assombrosa, pode perfeitamente, por inabilidade, transformar uma vitória da equipe em derrota. E não seria a primeira vez.
BIZARRICE - ‘‘Ele não tem credibilidade nem para ser juiz de par-ou-ímpar’’. A frase é de Lerner sobre o seu adversário de estimação, Requião. Já esteve melhor nesse campo do frasismo. Ficaria melhor na boca de um títere palaciano da claque. Um daqueles contadores de anedotas do terceiro andar.
SPRAY IPPUC está às voltas com um tema interessante: o presídio do Ahu deve ou não ser preservado, quando já sofreu tantas reformas que o descaracterizaram?
Eis uma questão que funciona como chantagem cultural em cima de proprietários e poucos têm a coragem, como o jornalista Cândido Chagas, de ir ao Judiciário. - Prefeitos de Ampere, Nova Esperança, Campina Grande do Sul, Medianeira, Lindoeste e Guairaçá colocaram as respectivas primeiras damas, todas do quadro do magistério, à disposição dos seus gabinetes. Até que o próximo pleito os separe, ao menos das proximidades. - Álvaro Dias terá um prato a seu gosto se assumir a Telepar: a guerra contra os ‘‘picaretas’’ que vendem telefones e não entregam. - O presidente do TJ, desembargador Lenz Cézar, falou sobre as perdas territoriais do Paraná na fronteira com São Paulo. Temos uma pendência, que Richa poderia ter resolvido logo que o PMDB ganhou o governo aqui e lá em São Paulo (Franco Montoro), de fonteiras não resolvidas pelo laudo de Epitácio Pessoa para a qual contamos com um documentário do geólogo Reinhard Maack. - Atente-se para o detalhe de que a área contestada é de uma região rica em minérios metálicos e não metálicos. - Dia l0 sai debate sobre a Vale do Rio Doce no diretório Sobral Pinto (Direito Católica) e participam Léo de Almeida Neves, Ricardo Gomyde, Omar Ackel e Max Rosenmann, os primeiros contra a venda e os outros dois a favor. Devem ser profundas as razões do Gomyde que é um craque em brigas por passe escolar e contra o ‘‘provão’’. - Meio Ambiente insiste em manter as obras do recanto ‘‘curva da preguiça’’ no rio São João em Morretes. Não custa lembrar que a Paranatur agiu do mesmo modo em relação aos sapos de gesso lá eregidos e que uma ação popular de Renê Dotti removeu. Levou tempo, mas aconteceu. - Consórcios intermunicipais de saúde constituem um bom modelo de integração: o existente no noroeste opera em conjunto com municípios da microrregião. O hemonúcleo de Paranavaí, por exemplo, conseguiu, de maio a dezembro do ano passado, mobilizar 1.521 doadores de sangue. Houve, no entanto, 542 casos de inaptidão clínica e 143 de inaptidão sorológica. - Lerner agora diz que não sai do PDT. Suas respostas cambiantes lembram o seu governo pastoso. - Um dos que não acredita na saída de Lerner é o deputado Edno Guimarães. Tanto que acaba de encaminhar a relação de 20 comissões provisórias dos municípios de sua área de atuação para serem aprovadas. -
OS IGUAIS Em autoritarismo e truculência, Requião e ACM são parecidos. Só que ACM não pipoca diante do adversário e não teme o risco físico. Está prometendo contar a quatro integrantes da CPI, mas a um de cada vez, o que Requião disse deles pelas costas. Segundo um colunista de ‘‘O Globo’’ Requião teria dito que José Serra, seu colega de CPI, age como advogado do Bradesco. ‘‘Si non S vero S ben trovato’’. Nesse caso Requião pode estar sendo vítima dos mesmos ardís que prepara para os outros. -
FOLCLORE á- Baixou a gozação em Antonina em cima de um cidadão que foi convidado para a pasta do Meio Ambiente e teria respondido que só aceitaria o Ambiente inteiro.
CROMO - A atmosfera da manhã fria aguça o cristal dos sons: dá para ouvir os sinos da igreja e, às vezes, o canto do galo.
AFORÍSTICO - Vereadores de Curitiba desfilando de Golf importado naquele sistema de partilha que o ex legislador Marcelo Almeida denunciou sem conseguir abortar. Seria inimaginável uma CPI interna em organismo tão cúmplice de acordos e acomodação.

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