Nunca o Paraná teve tantos candidatos à presidência da República como agora e justamente antípodas: Lerner e Requião, protagonistas em 1985 da mais dura batalha eleitoral de que se tem notícia em Curitiba, divisor de águas até agora imanente do nosso processo político.
Lerner, rompendo a tradição de ausência paranaense, apareceu em pesquisa Ibope com três pontos ao lado de Itamar Franco, Antonio Carlos Magalhães e Ciro Gomes. É a primeira vez que pintamos nesse ranking, embora em sondagens anteriores, junto a determinados públicos (empresários, profissionais liberais e cientistas), Lerner já aflorasse com números densos de credibilidade.
Agora quem começa a aparecer, em função do estrelismo da CPI dos precatórios, é justamente o senador paranaense Roberto Requião. E quem o estimula é o PT, cujo partido, regionalmente, não passa de uma linha auxiliar do senador, por não ter um carregador de votos para as ‘‘dobradinhas’’ que assegurem o fim da saudável rotatividade nas bancadas estadual e federal da agremiação. Cheida não deseja ser o ‘‘boi de piranha’’ como candidato a governador e Requião seria o ideal para as alianças tanto para o Palácio Iguaçu quanto para o outro, o do Planalto.
Embora Requião não seja como Lerner expressão de modernidade, no sentido em que se a pratica no Brasil e, portanto, com um perfil capaz de ser oposto ao de FHC, é uma imagem menos erodida do que a de Lula ou de populistas como Itamar Franco. O rosto é novo, o discurso antigo, arcaico, com raízes dos anos 50, tempo da fábrica de ideologias do ISEB que conseguia levar à caricatura o tom radical que emprestava à doutrina conspiratória da CEPAL, Comissão Econômica para América Latina. Mas o brilho momentâneo com a CPI dos títulos públicos atende a fome pantagruélica do moralismo que o PT assimilou de suas relações com a batina e de sua afinidade com a UDN, irmão siamez à direita.
São referências fugazes do momento, nutridas pelas circunstâncias e por isso mesmo voláteis. Há tudo, no entanto, para que polarizem a eleição de 1998 no Paraná. Tanto que os ataques de Requião, a insistência em querer envolver o Paraná, a todo o custo, na CPI, fazem parte de um exercício planejado de minar o hipotético adversário desde já.
BIZARRICE - O secretário do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, infringiu normas ambientais ao permitir a construção de um recanto no rio São João, Curva da Preguiça, e o juiz de Morretes determinou o embargo das obras. É o mesmo que o presidente da Sanepar fizesse uma ligação clandestina de esgotos diretamente na galeria de águas pluviais, o da Copel fosse apanhado fazendo ‘‘gato’’ de luz e o secretário da Saúde fosse flagrado cultivando com um pneu com água parada uma leva de ‘‘Aedes Aegypti’’. Na verdade a culpa nem sempre é do titular, mas da sua equipe e parece que no caso foi o que aconteceu.
SPRAY - Ambientalistas partem para a saturação contra o governo: denunciam a construção de duas termelétricas no Pontal do Sul, outra (de resíduos de petróleo) em Curitiba. - E tem mais: querem entrar no ‘‘front’’ urbano e com a denúncia grave da construção de supermercado em área de proteção especial junto ao Centro de Criatividade do Parque São Lourenço. - Sobre supermercado outra: a Wal Mart, a maior do gênero em todo o mundo, estaria interessada em montar complexo perto do Carrefour Bigorrilho, que teria sido aprovado ainda na gestão Rafael Greca. - Reina a maior confusão nas concessões desses espaços e isso começou com o Shopping Mueller, um escândalo em que se subordinou a cidade e seu sistema viário e urbanístico a um empreendimento comercial. - No Mueller a obrigação do recuo foi dissimulada com uma falsa restauração do edifício e nos outros houve mudança de critérios no mapa de valores mobiliários com algumas consequências como as visíveis no trânsito. - Cursos no Senac de 14 a 18 de abril das 19 às 22 horas: Qualidade Total na Prática e no Atendimento ao Cliente, Análise de Demonstrações Financeiras, Cálculo de Rescisão Trabalhista. De 16 a 25 de abril mesmo horário: Emissão de Passagens Aéreas, Administração de Crédito e Cobrança. - Dentre os cursos programados há um de ‘‘Identidade Falsa, como descobrir ?’’, de 15 a 16 de abril, das 19 às 22h30. - Objetivo de Carvalhinho agora é mostrar que se torna impossível fazer exportações com o custo Paranaguá na parte relativa ao cartório da praticagem, antigo privilégio e que ganha conotação de vitaliciedade. Há quem ganhe mais de R$ 50 mil. - Além dos comentários favoráveis de Wilson Martins, de Wilson Bueno e agora de Jamil Snege, o romance de Fábio Campana ‘‘O guardador de fantasmas’’ conta com outros depoimentos favoráveis que precedem o lançamento oficial da obra no fim deste mês.
FOLCLORE - Paulo Pimentel notabilizou-se na secretaria de Agricultura, anos 60, por seu trabalho de renovação pecuária. Ganhou, por causa disso, o apelido de Paulinho Nelore ou Paulinho Guzerá. Acabou se identificando com o homem do interior por uma jogada de Aníbal Khury (pai efetivo, ao lado de Rafael Iatauro, de sua candidatura, via PTN) que o projetou como o homem do chapéu de palha para opor-se à idéia sutil de que o seu opositor, Munhoz da Rocha, era do outro lado, isso é da elite e da sociedade tradicional. O marketing é capaz de subverter tudo porque o público é presa fácil desse tipo de manobra.
CROMO - Quando o botânico diz que vai ter um encontro com a ‘‘dama da noite’’ nunca há conotação freudiana na sua declaração, mesmo que seu amor pelos vegetais seja desnaturado.
AFORÍSTICO - A pusilanimidade dos políticos era tanta no regime militar que chegavam a fazer mesuras para porteiros de hotel que estivesse de uniforme.

mockup