Erros da PM minoritária
No filme ‘‘Teorema’’ de Pier Paolo Pasolini, um anti-anjo vem checar, como hóspede, as ‘‘verdades’’ de uma família burguesa: o adventício é um sedutor e ganha, um a um, todos os seus componentes e desmonta os valores daquela casa.
Respeitadas as diferenças entre uma coisa artística e dramática e outra absurda, a presença de um vigarista, Joni Rodrigues, infiltrado na alta hierarquia da Polícia Militar, onde fez muitos negócios com veículos de procedência duvidosa e que burlou a confiança de centenas de pessoas, entre as quais integrantes da corporação, deixou sequelas graves.
A impressão que a notícia, divulgada em reportagens de primeiríssima mão desta ‘‘Folha’’ pelo jornalista Dimitri do Valle, provocou foi a pior possível e o constrangimento de tal ordem que até agora, mesmo com as explicações do coronel Valdemar Kretschmer, comandante interino, perdurou a impressão de frouxidão inaceitável para uma corporação estruturada e que poderia levar ao conceito generalizado que atingia a quase totalidade do alto comando. Como a maioria esmagadora da oficialidade não conhece e jamais teve qualquer relacionamento com o foragido da justiça (condenado em três processos por estelionato na comarca de Marília, São Paulo) há um sentimento de revolta e frustração pela nódoa que ameaça comprometer a instituição.
Os milicianos que envergam a farda por idealismo e profissionalismo, e que não se confundem com a minoria de açodados que bajula os políticos e se envolve nesses rituais, estão preocupados com o clima de instabilidade e desconfiança e que ameaça ‘‘minar’’ a corporação enquanto tudo não for esclarecido. A maioria dos integrantes do Alto Comando nada tem a ver com o deplorável acontecimento porque esgotam a sua atuação no cumprimento de suas responsabilidades funcionais, dedicados à causa pública e fiéis aos princípios norteadores da carreira que os têm mantido, com recato e profissionalismo, na condição de trabalhadores anônimos pela segurança e bem-estar da população.
A ‘‘politização’’ da PM sempre foi um risco que a ameaçou, já que quando isso se dá o efeito, pernicioso, é duradouro e fortemente desagregador.

BIZARRICE
Quando os sem-terra descobriram que estavam sendo ‘‘grampeados’’ no telefone, um deles teria sugerido saber onde estão os autores da emboscada contra o secretário da Segurança no primeiro governo Lerner.



AXIOMA Enquanto o governo alardeia pela TV que no Paraná não há desemprego, o Dieese mostra que na indústria houve perda de 2.349 postos de trabalho em fevereiro relativamente a janeiro. Onde há mais virtualidades do que virtudes, isso é rotina.
GLOSA Dá para imaginar um trote dos sem-terra em cima da polícia, na base da contra-informação, indicando que iriam ocupar o ‘‘green’’ da prática de golfe do Country Clube e do Curitibano. O Pinheirão não daria para sugerir porque não serve nem para plantio, quanto mais pra futebol.
EPIGRAMA Dei mancada, ontem, por aqui trocando o nome do Belinati pelo de Anibelli. O prefeito de Londrina estava querendo esnobar o flanelinha Baiano que lhe pedia um troco e teve que ouvir a observação de que quando ele, Belinati, andava numa pior, com um TL azul em 1965, era mais amigo. A sedução foi irresistível e o Mazaroppi deu 20 paus para o Baiano.
SPRAY Mais uma ‘‘paulada’’ de leve no ParanaPrevidência: uma liminar foi concedida anteontem pelo desembargador Newton Luz, do 3º Grupo de Câmaras Cíveis, em favor do sindicato dos agentes fiscais da Receita estadual.- Argumentos do mandado de segurança: falta de caráter atuarial na proposta do governo e também da respectiva lei complementar.- Há mais ações no disparo e, se no mérito, as decisões forem mantidas, o plano de calafetar o barco à custa do confisco salarial de servidores vai para o saco. Amém.- Porto de Paranaguá vai ganhar o mesmo destaque da cólera com o desvio de cargas. Ontem, a Receita Federal instalou no terminal uma comissão especial para as apurações. Sexta-feira passada foi constatado o desvio de 585 toneladas, carga para nada menos do que 20 carretas.- Não dá para suportar a insistência do Dieese em falar que o salário mínimo deveria ser de R$ 880, o que é delírio: acontece que o decreto do ditador Getúlio Vargas que instituiu esses valores para compor a cesta básica se deu num país em que 80% da população estava no campo e, dos 20% urbanos, apenas a chamada população economicamente ativa é que fazia jus a esse tratamento, o que corresponderia a menos da metade.- Greve no HSBC tem um tom nacionalista: sindicalistas chamam os donos do banco de ingleses aos quais atribuem a demissão de 3.382 profissionais, sem contar os 8.459 da fase de transição e mais o fechamento de 200 agências e 320 postos.- Juíza de Loanda, que autorizou a escuta telefônica do MST, é a mesma que festejou com ruralistas o êxito das desocupações. Denunciada na CPI do Judiciário.
FOLCLORE O pessoal da Prefeitura e da Câmara Municipal foi de uma deselegância a toda prova, não comparecendo ao coquetel que deu o resultado do símbolo da cidade (Universidade Federal). Nem Cassio, nem representante. Josias Lacour, vereador, lá esteve na condição de autor das homenagens ao vencedor e aos promotores da iniciativa. Todos amarrados na ideologia lerneriana e nos seus ícones derrotados na consulta. A esperança agora de Lerner é desbancar lá em Nova York a Estátua da Liberdade pelo ligeirinho virtual.
CROMO Helena Kolody olha o céu carregado e lembra da neve de 1975, que fez da cidade um happening e aboliu a ranzinzice curitibana.
AFORÍSTICO O Estado Albergue vem: anistia de multas no trânsito e perdão aos inadimplentes da Copel e Sanepar.

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