Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
PT, estepe do PMDB
A despeito da condição de partido melhor articulado do País, na relação praxis-teoria, o PT do Paraná, pelo menos aqui, é de uma assustadora fragilidade, determinada por sua condição de parceiro orgânico, espécie de sublegenda mais de Roberto Requião do que do próprio PMDB. Admite-se que já não militam em favor dessa aproximação os fatores que a ditaram, quando todos integravam a frente de oposições no MDB, e pela experiência acumulada ao longo de várias eleições, algumas das quais com candidatos próprios em majoritárias (tal qual se deu com Emmanuel Appel, Edésio Passos, Jorge Miguel Samek, Ângelo Vanhoni), era de se esperar um maior raio de autonomia e até um esforço para acompanhar o desempenho gremial de Porto Alegre como referência-desafio.
Pois agora, no empenho em criar condições para que Roberto Requião dispute a Prefeitura de Curitiba, Vanhoni, que reúne, pelo adensamento eleitoral provado no pleito mais recente, condições para pleitear candidatura e facilitar um segundo turno, deve ir para o sacrifício. Aqui a palavra encontra o seu significado não semântico e de origem como o sagrado ofício. Sabe-se que há limites de expansão para o PT em Curitiba, não por ser impermeável ao estilo petista de atuar - já que a maioria dos seus integrantes assume postura soft; o mais nítido nesse aspecto, o Samek -, mas pelas alianças como a do MST, suas ações de rua, aquilo que aparenta radicalismo para os padrões da Capital. Há, ainda, a razão prática da disputa prefeitural, como a fixação de imagem para a reeleição legislativa, o que funcionou na disputa anterior.
Não há um só dirigente de oposição que admita a hipótese de vitória contra Cassio Taniguchi que não esteja expressa em Roberto Requião. Irmãos, clones, nada disso serve. Basta lembrar que o saudoso Maurício Fruet, com toda a sua empatia, não logrou superar a muralha de resistência colocada a favor do grupo lernerista, do qual o prefeito de Curitiba é o mais qualificado.
Na eleição estadual, o PT, ao vincular-se demais a Requião, acabou perdendo representação. Depois do desastre, muitos reconheceram que se o partido tivesse lançado candidato próprio abriria mais chance de segundo turno e além disso aumentaria a sua representação.
Agora, ao assumir postura beligerante com manifestações de rua, a pretexto de solidariedade ao MST, Ângelo Vanhoni faz o que gosta, mas perde proselitismo. O agrarismo, como qualquer dos basismos, incluindo o obreirismo, não sintoniza com o modo de ser da cidade. Quanto mais concentrações fizerem aqui, maior será a hostilidade. Pesquisas nacionais o demonstram claramente - e Curitiba, nesse aspecto, é paradigmática: absorve o idealismo com mais facilidade do que a concretude de encarar os chamados excluídos, ainda mais quando em legiões. Até porque o curitibano mediano, mesmo pobre, tem horror à pobreza. Tomado pela ideologia do consumo, não se acredita nela incluído. Alienação, como diziam nos anos 60. Alienação engajada.
BIZARRICE
Um impaciente crítico do Judiciário, por causa da demora dos seus procedimentos, assim se manifesta: Invocamos jurisprudência e até agora só recebemos flatulência.
AXIOMAPetroleiros da Refinaria de Araucária, professores e sem-terra mobilizados, o cenário é repetitivo. Só um detalhe diferenciado: nem FHC, muito menos Lerner, têm o Ibope do passado.
GLOSADestaque-se o ensinamento do jurista português João Luís de Moraes Rocha, quando afirma, como característica deste final de século, que os meios de comunicação não devem ser um instrumento de poder, antes um instrumento de contrapoder. Do discurso do deputado federal Gustavo Fruet na comemoração dos 80 anos da Gazeta do Povo em Brasília.
No Paraná e no Brasil os meios de comunicação de um modo geral, a despeito da evolução inegável acumulada, estão na contramão dessa profecia.
SPRAYDepoimento de executivo de uma das agências de publicidade ao Ministério Público, que investiga gastos com propaganda do governo, consolida a noção de que elas operavam como pagadoras de prestações de serviços genéricos, admitindo farta negociação com notas fiscais vendidas a 5% do valor declarado.- No mercado, uma empresa que transe notas fiscais a menos de 10% do valor estará operando no vermelho porque só o ISS, na Capital, local das operações, chega a 5%.- Nos Jogos da Natureza fizeram vários desses lances, muito lúdicos, mas pouco naturais.- Uma boa idéia, esta sim, de Jaime Lerner foi levada ao presidente Fernando Henrique: a entrega, no caso paranaense, da inspeção veicular, ao Tecpar. Seria uma fonte de renda, de primeira ordem, a uma instituição séria e pública, o que daria um fôlego nas privatizações selvagens.- Quem sabe seja o estalo de Vieira em Lerner, o que poderia indicar mais reflexão no caso do pedágio, por exemplo, e mais cuidados com a Copel e a Sanepar.
FOLCLORECom as aventuras rocambolescas do estelionatário Joni Rodrigues, que conseguiu penetração surpreendente entre a hierarquia da PM, muita gente lembrou de um outro, que se dizia professor de Direito Constitucional e, antes de ser preso, deu a aula inaugural da Faculdade de Direito da Federal, ganhando aplausos dos corpos docente e discente e de magistrados. Mestre muito sério (o civilista Altino Soares Pereira) me confidenciou com aquele seu jeito sem malícia: E você sabe que o homem dominava direitinho a matéria?
CROMOO frio me lembra do azul e deste de Carlos Pena Filho, poeta: Afogados em nós, nem nos lembramos// que no excesso que havia em nosso espaço// pudesse haver de azul também cansaço.// E perdidos de azul nos contemplamos// e vimos que entre nós nascia um sul// vertiginosamente azul. Azul.//
AFORÍSTICOAcabou o Engov, graças aos políticos do Paraná.





