A CPI dos títulos estaduais, cada vez mais parecida com um ‘‘show’’, a despeito de alguns aspectos positivos, ganha amanhã, a partir da 10 da manhã, a sua audiência máxima na TV Senado. É que estarão lá presidentes de bancos do Bradesco e do Banestado para explicações juntamente com diretores de áreas que mais diretamente operaram nas negociações.
Pergunta-se: o dinheiro volta? Certamente não, conquanto se possa saber o tamanho do prejuízo e não quem ficou, na verdade, com essa bufunfa. A rigor vai servir mais a vantagens eleitorais e tanto que alguns pretendiam que a CPI demorasse, no mínimo, mais dois anos.
Requião foi diabólico ao forçar a convocação do Banestado, ele que tenta, de todas as formas, envolver o empresário Mário Celso Petráglia. Em política é o papel que dele se espera, isso porque, insistamos nessa verdade elementar, essa área é aética e quem nela penetra corre todos os riscos. Há uma frase de intelectual brasileiro, negativíssima, que sugere o seguinte: ‘‘a política é algo muito parecido com as ruas do baixo meretrício que compromete os que nela transitam ou que delas simplesmente se aproximam.’’
Lerner pensou que estava ‘‘protegido’’ contra esse tipo de risco ao subestimar os reflexos em termos nacionais das ações de Requião. Tanto o bloqueio do empréstimo internacional ao ‘‘Paraná Doze Meses’’ como essas operações da CPI se ajustam ao temperamento e ao estilo do ex-governador e que se legitimam como exercício de oposição num estado habituado a não tê-la pela acomodação das instituições, tanto dos poderes como dos meios de comunicação e do setor organizado da população. Claro que Requião, em situação semelhante, buscaria destroçar os oposicionistas, valendo-se dos meios de comunicação dos quais tanto abusou ao ponto de ter programas pessoais em emissoras de rádio e televisão e pagos pelos cofres públicos. Como de resto esmagaria a greve dos policiais como fez com a dos funcionários estaduais, aplicando ainda a pena de suspensão por três dias, feita de forma analógica, pois jamais se ajustou ao ‘‘estado de direito democrático’’, como se vê em sua carreira e até nas formas como conseguiu se eleger.
O senador mostrou, com uma equipe mínima, que não é preciso aparato demais para exercer o terror, sua especialização em que chega ao virtuosismo. Valeu-se dos vazamentos de informações privilegiadas que detinha para ganhar espaço apreciável em jornais, rádios e tevês. Nesse ponto dá a impressão que é o Davi bíblico, funda à mão, para acertar a cabeça do Golias, o atarantado Lerner . Nunca se viu tanta incompetência acumulada na equipe de um governo como agora no agir político e por essa razão é que dá a impressão de que Requião é um ser multiplicado diante de um homem fraco e confuso como Lerner.
Espera-se apenas que os depoentes do Banestado estejam minimamente preparados e nem se prestem a fazer gol contra. Já seria uma compensação. De qualquer forma dificilmente vão remover as suspeitas levantadas, ainda que tenham um desempenho admirável. Governo precisa de líder com energia e determinação. E, infelizmente, isso não existe e essa carência impede a motivação para o bom e necessário combate.
BIZARRICE Mais uma vez uma autoridade promete despoluir rios de Curitiba: com os recursos do Prosam acham que é possível viabilizar a idéia de restabelecer os lambaris nos rios Belém e Ivo. Lerner, na sua primeira gestão em Curitiba, havia feito tal promessa. Por isso, além de publicitária, não passa de ‘‘requentada’’. É mais fácil repovoar esses rios com lambaris de acrílico. SPRAY Repercussão fortíssima nos meios forenses e policiais do testemunho do perito Arthur Drischel sobre a identificação do corpo de Evandro Caetano: ‘‘sendo menor de sete anos, aquele corpo colocado para exame no Instituto Médico Legal era muito grande, parecia ter entre oito e dez anos de idade.’’- Mais adiante: ‘‘Levantamos uma série de dúvidas. Para mim aquele corpo tinha sofrido cortes tão perfeitos, que teriam sido feitos por mãos hábeis de cirurgião... Outro fato que chamava a atenção era de que o corpo, em aparente estado avançado de putrefação, não exalava o mau cheiro condizente. O corpo endurecido parecia congelado...’’- Mais revelações do perito: ‘‘Outro detalhe interessante é que o corpo saiu do IML de Paranaguá sem roupas. Mas quando chegou em Curitiba tinha um calção e uma camiseta sujos, com vestígios do próprio corpo em decomposição, e que foram reconhecidos como sendo roupa de Evandro Caetano.’’ - Segue: ‘‘Para mim, alguém manipulou tudo isso. E o motorista que transportava o corpo viu tudo e sabia de tudo, por isto ele apareceu morto na praça de Guaratuba pouco tempo depois. Sua morte foi necessária para esconder o que viu.’’ Acusação de queima de arquivo. - Outra questão precisa ser reaberta urgentemente é o massacre de Campo Bonito, onde morreram três PMs e também o líder sem-terra Teixeirinha. Quatro mortes e não haver um processo claro e aberto é chocante como se os poderes aceitassem esse tipo de silêncio. - Um caso desses, por exemplo, não pode ficar na área militar. Em Porto Alegre sem terras-deceparam a cabeça de um brigadiano e o fato foi a júri. O PT, normalmente barulhento com essas questões, ficou num silêncio de pedra no caso paranaense.
FOLCLORE Fruet entra no gabinete do presidente da Assembléia, Ivo Tomazoni e pergunta se ele gosta de marreco. Com resposta afirmativa, lança dois deles em direção da presidência e sai porta afora prometendo buscar mais marrecos.
CROMO A lua cheia, vermelhona, no horizonte era um merchandising da Coca-Cola. Até nessa o ‘‘imperialismo’’ leva a melhor.

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