Luiz Geraldo Mazza
Com a absorção do Bamerindus pelo complexo internacional HSBC tivemos, logo de saída, a retirada da logomarca da organização e que era, a um só tempo, expressão digital de sua abrangência brasileira, a despeito de sua raiz local. Também anteontem a Electrolux sueca, que absorveu a Refripar, tirava de sua caracterização mercadológica a referência a Prosdócimo. São acontecimentos que guardam alguma semelhança pela força dos processos de cosmopolitismo em curso, dos quais me ocupei, ainda ontem, num debate na TV Independência.
Soa estranho que no momento em que o Paraná dá um salto extraordinário na mudança do seu perfil industrial, habilitando-se a constituir-se no segundo pólo automotivo do país, estejamos assistindo, como se fatalidade fosse, à perda do chamado poder nacional e, consequentemente, do regional. Essa a maior prova de que ninguém está pensando seriamente, e isso através de um balanço crítico, nas sequelas que advirão desse processo e nada fazendo sequer para um mínimo de previsão.
Não se trata de render-se à pieguice brasileira, ao traço melodramático de nossa cultura, lamentando as perdas, ou apelando a bobagens como paranismo (e segundo Dalton Trevisan, parafraseando Samuel Johnson sobre o patriotismo, seria o último refúgio dos canalhas), mas de encarar o tal fenômeno sem atrelar-se como está fazendo o presidente FHC como se fosse um grunge diante do último modelo de videogame ou da criação do rock metaleiro, sem notar que se trata de uma onda ideológica e impositiva que começa a ganhar caráter confessional quando cientistas como ele a examinam tão superficialmente.
Já sugeri, duzentas vezes, desde a gestão Ney Braga, segundo governo, que se criasse no Paraná um núcleo de estudos estratégicos. É verdade que num país que não tem projeto nacional e toca as coisas ao sabor do improviso se torna difícil pensar o processo em nível regional. A maior autoridade no assunto, e que dá aulas na Unicamp, é o coronel Cavagnari, paranaense de Paranaguá como eu, e que foi o primeiro a romper com a pasmaceira da Escola Superior de Guerra ao mostrar que a doutrina de segurança nacional iria dançar com os novos acontecimentos. Pois bem, está aí alguém em condições de olhar a briga dos mercados - Estados Unidos, Japão e Europa, a tríade dominante e centro desse processo - com as mesmas características com que observava a questão na perspectiva, porque estamos numa delas e de mercados, às vezes esquecendo que somos periferia e em muitos pontos inferior à China Continental.
Como colocar um problema desse para um governante como Lerner, que não sabe decidir em que partido fica ou o que faz com o acúmulo de perfídias que Requião arma contra a sua administração e o Paraná? Convenhamos que se trata de muita areia para um caminhãozinho tão limitado.
BIZARRICE - Atribui-se a Sérgio Motta, ao saber do lançamento por Requião da candidatura de Lula à presidência, a frase: Ele que fique com o Lula que nós ficamos com o Lerner. Pode não ter sido dita, mas estava sendo comemorada entre palacianos.
SPRAY - Não adianta quebrar o sigilo bancário e telefônico de Celso Pitta se for esquecido Maluf, o itinerante. - Greve é recurso extraordinário e não petição inicial, diz uma velha anedota de advogados. Mas a greve tem que ser rápida e fulminante como a da polícia que deveria ministrar curso de pós-gradução à CUT e a seus iluminados dirigentes. - Quem se mostrou fraco foi o governo que afinal deu à polícia e aos professores aquilo tudo que vem negando à massa dos servidores. Dá para tirar uma lição e fazer o mesmo em outros setores. Afinal quem está estimulando isso é o próprio governo. - Batateiros de Contenda não tiveram tanta sorte com a sua mobilização como a dos tiras. Todavia deixaram seu protesto no maior produtor de batatas do Brasil. - Vania Mara Velt, prêmio Esso de jornalismo, na edição de ontem do Hora H volta ao caso das bruxarias de Guaratuba e se refere não apenas à tortura inflingida contra os indiciados como também divulga o depoimento do perito Arthur Drischel que em vários pontos põe em situação constrangedora a fundamentação pericial da acusação. - Cogita-se de terceirizar a elaboração do concurso para o Juizado Especial da Capital que conta com mais de seis mil inscritos. - Enquanto isso a Juruá Congressos leva a efeito curso preparatório pelo qual cobra R$ 180. - Melhorou consideravelmente o padrão dos serviços do Banestado com a supressão, pelo menos por dois anos, do corte das duas horas-extras. Era constrangedor que num momento em que o banco é questionado só os funcionários é que efetivamente sofressem.
FILME - Segundo o advogado e anarquista Elísio Marques o filme em cartaz em nossa política é Inimigos Íntimos, com Roberto Requião e Mário Pereira e com a direção do Pedro Longo.
FOLCLORE - Um semanário publica hoje que um vereador curitibano teria sido procurado por uma jovem vendedora de pastéis. E que ele teria dito que queria comer sim, mas não pastéis.
CROMO - Pinga o cálcio na caverna, como a vela que despreende a resina, e vai, lenta e metodicamente, produzindo seus adornos: a estalagmite é uma força que aparenta vir da terra de baixo para cima, a estalactite é mais delicada e artística suprida pela lei da gravidade.
AFORÍSTICO - Há duas coisas que as pessoas desejam mais do que sexo e dinheiro - elogio e reconhecimento. De Mary Kay Ash.





