Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Governo investigado
Dizia-se em 64 que a revolução só chegaria ao Paraná quando Aníbal Khury fosse cassado. Esse clima acabou contribuindo para as vicissitudes que o político paranaense enfrentou em inquéritos militares, cassação e confisco de bens. O curioso é que Aníbal foi um dos precursores, na área civil, até mesmo da organização de grupos paramilitares, como os que se formaram em Ponta Grossa. Seu irmão, deputado federal Jorge Khury, ligadíssimo ao esquema de Carlos Lacerda, também se alinhava e com destaque no front parlamentar. A alegação era um pretexto de milicos da linha dura, apoiada por adversários do deputado estadual que desejavam vê-lo em desgraça.
A despeito das inúmeras irregularidades deste governo só havia investigações originárias da Procuradoria da República. Estranhava-se que o Ministério Público estadual nada acionasse quando pipocavam tantas questões sérias como as do Banestado (Leasing e Corretora). Pois foi justamente em função daqueles episódios que a instituição resolveu investigar o governo e no setor sensível da Comunicação Social, ouvindo executivos públicos, funcionários e agências de propaganda. A origem da investigação foi decorrente de uma ordem emanada pelo presidente do Banestado, Neco Garcia, para que se controlassem os dispêndios com publicidade.
Até então, o que se sabia era que o Ministério Público atuava em cima de feitos de governos anteriores, como os procedimentos adotados contra Requião (percepção indevida do 13º quando prefeito, diárias frias como governador) e não se via uma atuação desembaraçada, como a de outras unidades federativas, para responsabilizar agentes públicos por aquelas coisas mais imediatas, que afinal estão acontecendo. O processo contra Neco Garcia, pelo fato de haver autorizado operação irregular em favor do empresário Airton Daré, é outra evidência disso e reforçada, em ato liminar, pela quebra do sigilo bancário do ex-presidente do Banestado.
Já em 1988, como decorrência da nova Constituição, o Ministério Público havia ampliado consideravelmente seu raio de atuação e chega, com vigor, ao Paraná. A instituição pode, por esponte própria, quando reunir informes consistentes, entrar de sola. Um dos melhores exemplos veio do Rio quando os procuradores da República deram início ao enquadramento dos bicheiros como formação de quadrilha e que acabaram condenados pela juíza Denise Frossard.
Se no caso de Aníbal a alegação de que só com sua cassação o golpe de 64 teria chegado ao Paraná era apenas uma urdidura a mais da repressão, a medida do Ministério Público dá extraordinário alento à sociedade ante estruturas de poder superprotegidas, como as dos governos paranaenses de um modo geral.
CONFISCO
Incompetente para arrecadar, o que é evidenciado no fato de que tanto Santa Catarina como o Rio Grande do Sul melhoram seu desempenho enquanto o Paraná cai, o governo trombeteou a criação do ParanaPrevidência, contra a qual várias ações (mandado de segurança, medida cautelar) foram intentadas. Liminar foi concedida em favor do Sindijus, ontem, o que já é um bom começo.
A bronca vai crescer: a redução na folha de pagamento de procuradores e delegados de polícia chega a mais de R$ 800 per capita com novo desconto.
Governo sem fisco, só tem um jeito: confisca.
BIZARRICEDe um lado a acusação de tortura contra sem-terra, agora a de violência contra estudantes. Em manifestação de rua, estudantes comparam Lerner a Pinochet. Olê, olá, Jaime Lerner é o Pinochet do Paraná.
Uma colagem do general chileno foi feita com a cabeça de Lerner.
É com esse clima que a cidade vai recepcionar os sem-terra e na sequência, outra vez, o comitê de direitos humanos. Até lá Lerner se manda para outra das suas viagens, agora aos States.
AXIOMAQuando receberam seus contracheques esta semana, vendo a brutalidade do desconto da ParanaPrevidência, os funcionários lembraram que o Renatinho Follador, secretário da área, é, na verdade, um esfolador.
GLOSADeputados de oposição tentam recriar a CPI da Sercomtel-Copel-Banco Fonte-Cindam. Vão apelar para um argumento absurdo: o de que a instalação formal seria algo como um sacramento e não poderia ser contornada. Se houvesse decência no governo, as explicações seriam dadas sem necessidade de coação.
BUNDASSegunda-feira, no Marius, Ipanema, Rio, festa de lançamento do número zero da revista Bundas, do Ziraldo e da turma do Pasquim. Aqui no Paraná quem cuidará da publicação como sócio é o Gilberto Camargo. O slogan da revista é provocativo: Quem põe a bunda em Caras não põe a cara em Bundas. Seria o oposto a Caras. Bem no saque de Ipanema, como se dava com o Pasquim.
SPRAYO setor de segurança vai botar o governo Lerner em cheque: não bastasse o quadro tenso com a generalizada violência que tomou conta do Paraná e que revela a fragilidade em dar um mínimo de controle no processo, temos ainda a exploração do vitimalismo em casos de sem-terra e agora de estudantes.- Há uma predisposição contra a autoridade policial por causa da falta absoluta de segurança e esse é um fato que acaba beneficiando, por via tortuosa, o MST, que pode ter suas denúncias acolhidas, mesmo quando pouco verossímeis.- Cartazes de Lerner em roupa militar e até de oficial da SS estão entre os fatores de propaganda usados pela oposição basista.- No momento em que o governo faz o desmanche da máquina pública, surpreende o fato de criar um Instituto de Biologia Molecular do Paraná de uma parceria entre o Tecpar e a Fundação Oswaldo Cruz.- Massa cinzenta da maior qualidade em ciências, biofísica e biologia molecular vai colocar o Paraná na vanguarda em pesquisa na área de saúde com emprego da engenharia genética.- Marco Aurélio Krieger, Stênio Perdigão Fragoso e Cláudia Duarte dos Santos são alguns desses pesquisadores que vão criar um novo capítulo na história da ciência, tecnologia e saúde no Brasil, conforme o testemunho de Samuel Goldenberg, doutor em biologia molecular.
FOLCLOREQue tal se Lerner vai a Nova York e o pessoal de lá apronta uma igual a ocorrida com o generalíssimo Pinochet, levando a sério a onda do MST que tem apoios internacionais e de ONGs? Pesadelo ou sonambulismo, o fato é que há gente por aqui comparando a migração dos sem-terra com o drama de Kosovo. O exagero é inseparável da ideologia. Sempre foi assim.
CROMOQuem diz que a noite é o preâmbulo da morte é porque nunca foi a Buenos Aires, onde a animação começa depois das 23 horas e segue madrugada adentro.
AFORÍSTICOSó falta o Pinochet não gostar de o terem comparado a Lerner e entrar em crise de identidade.





