Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O ombudsman da sociedade
A Constituição de 88 ampliou, consideravelmente, o raio de atuação do Ministério Público. É fácil percebê-lo no cotidiano, especialmente do atual governo federal com ações atípicas como a da invasão e tomada de documentos do apartamento do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes.
Os governos estaduais também estão sujeitos à fiscalização, tanto federal quanto local para apurar ilícitos. Neste momento, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público investiga, em operação de rotina, as sucessivas denúncias de gastos com propaganda do governo atual. É que a insistência com que se fala no assunto nos meios de comunicação e até no Senado, nas intervenções de Roberto Requião, só poderia levar o Ministério Público a essa providência.
Enquanto o senador Requião fala em R$ 400 milhões despendidos no primeiro período de Jaime Lerner, há quem diga que os dispêndios até agora ultrapassaram os R$ 500 milhões. Obviamente, o dever do Ministério Público era justamente o de esclarecer o assunto, a partir, principalmente, daquele documento público, apresentado à justiça eleitoral, firmado pelo então secretário da Comunicação Jaime Lechinski. E isso está acontecendo com a audiência de executivos públicos e também agências de propaganda, as maiores beneficiárias, segundo o testemunho do presidente do Sindicato de Jornais e Revistas, jornalista Abdo Aref Kudri, que interpelou publicamente o governo a respeito do assunto e até hoje não obteve resposta.
O Brasil é um país civicamente frágil e daí a tutela que se confere ao Ministério Público, como defensor dos interesses difusos da sociedade, enquanto não criamos corpos intermediários, flexíveis e eficientes, em busca até de uma autogestão. Melhoramos consideravelmente nos dois planos: no institucional, pela atuação de promotorias especializadas, e, no social, com a ação das ONGS e de outras formas de grupos organizados. Urge que estejam acesos em cima do que ocorre com o Banestado e o que está por acontecer com o processo de privatização da Copel.
BIZARRICE
Trocando sorrisos, o deputado Aníbal Khury e o prefeito Taniguchi almoçaram anteontem. Os áulicos do parlamentar comemoravam a vitória do Buda e o fato de Cassio ter lhe dado de presente uma bengala e não uma bengalada. Aí ouviu-se a voz de um mais experiente: se na Santa Ceia havia um traidor, dá para imaginar a escassez de bem-intencionados neste encontro.
AXIOMA A burguesia, de vez em quando, leva um susto: ontem, Parque Barigui, a inauguração de um café unia Lerner, Cassio Taniguchi e a fauna toda. Um cidadão, de uns 50 anos, fazia seu cooper esportivamente, mas não se conteve e deu o brado de guerra, chamando todo mundo de ladrão, uma espécie de grito primal e descompreensão. O jacaré, que estava em sua piscina, ao contrário de autoridades que ficaram pasmas com as agressões e sem reagir, abriu a bocarra, não se sabe se de tédio ou protesto. O jacaré que não se assanhe muito, que já o privatizam e o transformam em mala, cinta ou sapato, da grife Ika, pois não dá para subestimar a cupidez desse pessoal.
GLOSA A GM no Rio Grande do Sul vai fazer seu marketing em cima de valores gaúchos, que são dos mais distintos no mosaico brasileiro. Essa identificação não vai ocorrer com as montadoras aqui instaladas. Não mostram um mínimo de boa vontade e o time de futebol do Malutrom põe na camisa o nome da Renault, mas não recebe nada. Bem feito para a nossa cumplicidade e subordinação.
SPRAY Redução de poderes do secretário da Fazenda no Crafe não foi confirmada pelo governador, embora interpretada como uma vitória pessoal da secretária Maria Elisa Paciornik, que, afinal, é a encarregada da reforma administrativa e cujas pretensões eram bloqueadas.- Na verdade, o secretário da Fazenda tem que gerir a despesa, já que a receita, inelástica, continua caindo em função da recessão.- Giovani Gionédis estava brigando com todos os secretários para segurar as despesas e isso o desgastava.- Como o governo está com recursos escassos, não há como retirar o pé do freio. Tanto que ingressou agora na onda confiscatória, com a cobrança das taxas da ParanaPrevidência, contra as quais já há pedidos de mandados de segurança, por meio de associações e sindicatos.- Mobilizações do MST, programadas para Curitiba em sinal de protesto contra as desocupações sem a contrapartida de novos assentamentos, vão render mais pontos negativos com a insistência em passeatas, bloqueios de ruas e acampamento no Centro Cívico. A pesquisa de opinião da revista Época o demonstra claramente: 38 de apoio e 55 de hostilidade.- O baixo apoio se deve ao caráter fragmentário da nossa época, à dificuldade de as pessoas saírem dos seus nichos de egoísmo pessoal ou corporativo e também ao sinal de fadiga do material que começa a minar o movimento, agravado pelas dissenções internas.- A Academia Paranaense de Letras recebe dia 1º de junho, em seu café da manhã (Confeitaria Lancaster, Shopping Crystal), o reitor da Universidade Federal, Carlos Roberto Antunes dos Santos. O acadêmico e biólogo Metry Bacila (UFPR e USP) sugere que se faça uma história da instituição e que se aprofunde o que até hoje se conhece, que razões ditaram o seu aparecimento, o grau de mobilização da sociedade, enfim, evidencie-se o background em que se deu o acontecimento.- Nessa história do pedágio cheia de abusos, que exigiriam uma CPI, tivesse o Legislativo um mínimo de zelo, aconteceu uma incrível: um lobby das transportadoras já estava convencendo o governador que a simples exibição da nota fiscal daria tais ganhos ao Estado que justificaria a isenção e o posterior pagamento dessas tarifas pelo governo aos consórcios. Provavam essa vantagem com cálculos atuariais. É sofisma de pura matemágica.
FOLCLORE Vejam como cada cabeça é uma sentença: para os seguidores de Aníbal Khury, quem se abaixa reza, e isso teria ocorrido com Cassio Taniguchi; já para os adeptos de Cassio Taniguchi a bengala presenteada teria sentido metafórico e de alertamento para que o deputado parasse de dar mancadas.
CROMO O que o poeta João Cabral de Melo Neto disse de Ademir da Guia caberia, sem restrições, ao Alex, herói do jogo do Palmeiras anteontem, especialmente no terceiro gol: Tinha nos pés astúcia de mão.
AFORÍSTICO Vários membros deste governo estão às voltas com o Ministério Público: diretores do Banestado e executivos da área de propaganda. Se assim continuar o Paranaíso entra em erupção.





