Luiz Geraldo Mazza
Se o ministro Sérgio Motta tem razão em condenar a fragilidade de Mário Covas por sua atuação bisonha nos episódios de Diadema, ele os teria em densidade maior para caricaturar a postura reticente, ambivalente, amedrontada de Lerner no processo administrativo e político em geral.
Professores invadem outra vez a Secretaria de Educação (embora beneficiados por aumentos superiores a 100% numa quadra de arrocho geral), sem-terra continuam bloqueando estradas no Noroeste, policiais civis e penitenciários entram em greve, portuários ameaçam fazer a sua em solidariedade aos colegas paulistas e o governador, menos festivo e quase tão distante quanto Greca, permanece com um manancial de indecisões que parece inesgotável, que vai da sua opção partidária à reforma secretarial (os sectários, estes permanecem ao lado dos áulicos bajuladores). Em política acreditava-se que o paradigma da ambiguidade e da indecisão era Richa. Hoje se sabe que Jaime Lerner é fora de concurso.
Das indecisões a pior é a da sua frouxidão diante de Requião que sozinho está demolindo toda a sua estrutura de poder, provocando fissuras até na parte dos grupos econômicos: poderia ter deixado no disparo os processos das diárias frias, dos helicópteros superfaturados, os chunchos da Polícia Militar (que o coronel Vieira, à época, denunciou) e nada fez e conseguiu, com essa omissão, que o seu arqui-adversário aparecesse na mídia como o santo guerreiro e ele figurasse como o anjo da maldade.
Também é exemplar a ausência de acuidade quanto aos problemas do Banestado, de cujas patologias está informado há muito tempo e que tentou empurrar com a barriga, valendo-se também da de Aníbal Khury, mas não evitando que a CPI dos Precatórios ouça seus diretores com efeitos sabidamente deletérios sobre a imagem do estabelecimento. O banco está de tal forma fragilizado que pode sucumbir a um factóide como o de que sofreria intervenção do Banco Central se não fizesse uma urgente limpeza, como a imprensa tem registrado. Ora, esse informe, pelo caráter sinuoso, deveria ter sido desmascarado e não foi.
Enfim, tudo está a indicar que de fato só se sente bem quando viaja e assim mesmo ainda não sabe qual o rumo tomar numa rua de Londres até ser apanhado por um automóvel. Ou trombado, na dimensão política, por um insucesso eleitoral. Para esse objetivo tem contribuído com persistência metodológica, como se o perseguisse com uma obstinação autodestrutiva.
BIZARRICE - O vereador Jorge Bernardi deve dar graças a Deus por não mais existir o Stanislaw Ponte Preta, pois seria alvo de gozações diárias. Depois de propor que se dê o tratamento de operador ecológico a todos os garis e servidores afins, quer uma universidade municipal. Ganha do Ipiranga, prefeito de Greenville da novela A Indomada, aquele que vai adotar a mão inglesa no trânsito. Trata-se de uma usina legiferante.
SPRAY - Vejam como está divertido ler o Diário Oficial: outro dia saiu o ato que coloca uma professora à disposição da prefeitura de Janiópolis em caráter excepcional por tratar-se da primeira-dama. - Entre os leiloeiros também há a síndrome do impeachment. Paulo Roberto Leal Vardana renunciou à presidência do sindicato dos leiloeiros públicos oficiais do Paraná e Santa Catarina. Por outro lado o secretário de Justiça, Edson Vidal, está mudando o sistema de distribuição de leilões, conforme sugestão do leiloeiro Miguel Gutierrez. - São raros os casos de empresários que vão à justiça do trabalho para brigar. Um deles foi Werner Schrappe, que, afastado da Impressora Paranaense, pleiteia imunidade sindical por ser dirigente patronal. Outro foi o João Simões que acaba de ganhar uma bolada em disputa com o sindicato dos transportes coletivos também no foro trabalhista. Mais de R$ 800 mil. - Segunda feira, 10 da manhã, a audiência da TV Senado no Paraná vai abafar: na sala 2 da ala Nilo Coelho a CPI dos precatórios ouve o pessoal do Banestado.- Guaraituba está de tal forma abandonada no município de Colombo que se sair outro plebiscito a autonomia ganha na certa. Uma das culpadas é a Sanepar: há ali tanta água quanto no deserto de Saara. E o oásis é um valetão que pode engulir um ônibus. - Um papel pode ser indigesto a um vereador? Semanário Impacto conta hoje como um vereador curitibano quase se engasgou com um pastel e segue na trilha de denunciar nepotismo na Casa e de patrulhar atos que colocam professores à disposição de políticos. A Assembléia é o maior dos sorvedouros desse pessoal, cuja maioria, obviamente, não aparece. Aliás se todos os funcionários do legislativo aparecerem vai sair gente pelo ladrão.
FOLCLORE - O ex-secretário do Sindicato dos Transportes Urbanos de Curitiba, João Simões, sacrificado justamente na eleição do irmão Iris para a presidência da Câmara, dá uma entrevista à revista Paraná & Cia na qual sugere que vai se eleger deputado federal e será uma espécie de Aníbal Khury, com a vantagem da maior rapidez. Não fica claro se se refere à agilidade corporal ou intelectual. A lentidão de Aníbal é falsa como era a do Ademir da Guia que tirava na defesa a bola na linha do gol e em seguida estava no outro lado do campo acertando as redes. Só que não há elegância gestual em Aníbal, nem quando favorece tanta gente, muito menos quando se atraca num quibe.
CROMO - A vovó foi à janela e deu o alarme: Corra minha gente que deu uma chuvarada de pinhão. Isabela lembrou disso olhando o pinheiro.
AFORÍSTICO - Se Maluf escapar da convocação é porque a CPI malufou.





