Luiz Geraldo Mazza




Como anda o Ibope?
Há um ponto em comum entre os últimos governadores paranaenses: o amor às consultas ao Ibope. Sabendo que a opinião pública, condicionada pela mídia oficial, morre de amor pelo governo, faziam as consultas e comemoravam, de forma tranquila, esses feitos antes de conhecer os resultados.
Durante muito tempo, tanto o prefeito de Curitiba como o governador eram quase sempre listados em primeiro lugar, a despeito da variedade de estilos e eficácia de ações. No ranking pegávamos, no mínimo, a medalha de bronze, mas isso excepcionalmente, porque o normal estava no ouro e na prata, mais aquele do que esta.
Surpreendentemente não tivemos mais pesquisas, o que não deixa de ser um fato atípico, já que há a maior curiosidade em saber como a população encara o primeiro trimestre da reeleição, bem como qual a reação da sociedade aos temas como desemprego e desocupação de terras, violência e questões sanitárias como a da cólera em Paranaguá e da dengue em Foz do Iguaçu. Se houve pesquisa, ela não deve ter sido publicada porque os números não seriam bons para o Palácio Iguaçu diante do fluxo de adversidades que estão por aí.
Governantes vaidosos, narcisistas, como os que temos tido, devem sofrer muito com a falta desse instrumento - a pesquisa de opinião que, afinal, acaba, pelo menos sempre foi assim, consagrando o fazer e o não fazer do sistema. Há figuras que reagem aos informes negativos do mundo externo, como os mandarins chineses, que determinavam a execução do mensageiro da má notícia. Era tão abominado pela corte que a sua morte operava como uma compensação diante do mal imperdoável que estava no fato negativo que, vocalizado e potencializado, se alastrava sobre pessoas e instituições.
Fala-se muito em solidão dos governantes, mas a pior delas, quase projeção do ostracismo, é não dispor de pesquisas que ajudem, que realcem e que façam com que os dados positivos ganhem poder multiplicador. Um governante sem Ibope se obriga a ir mais vezes ao psicanalista, a buscar a felicidade, enfim, numa outra instância.

FOLCLORE
Na reunião de ontem do Clube dos 13, o ministro Rafael Greca, ao aproximar-se do presidente do Coritiba, João Jacob Mehl, foi dizendo com sorrisinho maroto: ‘‘E cadê os seis franguinhos?’’ Referência clara à goleada sofrida diante do Paraná Clube.



BIZARRICE Em 85, uma das coisas mais cruéis e duras contra Lerner na campanha prefeitural, que acabou perdendo para Requião, era identificá-lo com o regime militar, a opressão, a tortura. Nas peças de propaganda era comum se fazer essa aproximação. Pois agora o Fórum Terra, Trabalho e Cidadania voltou à carga, mostrando cartazes de Lerner, em uniforme de milico, numa colagem grosseira, e citando o número de camponeses mortos e torturados. Essa ladainha deve crescer com a intensificação das desocupações. Com um detalhe: em 85, Lerner, a rigor, nada tinha a ver com as acusações genéricas e de tortura.
AXIOMA Dessa literatura de auto-estima, que vende milhões de livros, o que se pode dizer é que é excepcionalmente eficaz para os autores, como de resto se dava, lá pelos anos 60, com a mania de fazer projeções sobre o ano 2000, especulação que era o melhor emprego do presente e do futuro imediatos.
GLOSA Qual a CPI que até hoje funcionou na Assembléia e que não visasse sempre a promoção pessoal ou de um grupo? A resposta a essa pergunta servirá para balizar o andamento da CPI ontem instalada. Se não o fosse, seria pior ainda e com desmoralização geral e irrestrita. Assim como está, o desgaste virá, mas de uma forma prolongada que nem parcelamento do INSS.
GRÃ CURITIBA O PMDB já percebeu que o jeito de atingir a coluna vertebral do sistema de poder dominante é alvejar Curitiba e Região Metropolitana, a base mais forte de Lerner. Por essa razão a Fundação Pedroso Horta vem fazendo ciclo de debates sobre o tema. Ontem foi a vez da socióloga Maria Tarcísia Bega, da UFPR, abordar a desigualdade social entre Curitiba e cidades da Região Metropolitana, fenômeno, aliás, repetitivo no capitalismo e decorrente de um detalhe político: o de que o sistema funciona na perspectiva do centro e em função dele, e não da periferia, como desejam os que buscam quebrar essa linha de desequilíbrio funcional.
Semana passada, quarta-feira, quem falou foi o arquiteto Orlando Bussarelo, ex-presidente da COMEC e que promoveu os atritos com a Prefeitura sob Lerner, especialmente no caso da integração dos transportes.
É bom que o PMDB vá por aí, mas fazendo autocrítica, já que não vê sinais físicos de sua passagem (as de Fruet e Requião) no poder. Há aquele traço de assistência à pobreza nos pontos de ambulantes e a selvageria da Ferrovila.
Dia 14 quem fala é a jornalista Teresa Urban, sobre desafios ambientais, e no dia 28 será ouvida a arquiteta Fernanda Ester Sanchez Garcia, que escreveu um livro sobre a manipulação ideológica da cidade-espetáculo.
SPRAY O governo não esconde só os chunchos do Banestado. Oculta pesquisas sobre desemprego, como já fazia anteriormente.- Uma pesquisa do Ipardes foi rejeitada porque tinha números muito altos (10,6% a 10,8%), quando a média das capitais não atingia muito mais do que 8%.- Mais uma vez a abordagem policial sacrifica um trabalhador e a impressão que se tem é que, a despeito da frequência com que isso ocorre, a PM continua perdendo o controle.- O prefeito Cassio Taniguchi parece que emplacou o monotrilho para Curitiba, operando em elevado na BR-116, em sua viagem ao Japão.- Cassio encontrou o clima alvoroçado por causa dos ataques de Aníbal Khury. Jamais soube responder e, ao que tudo indica, deve dar uma ‘‘mexida’’ no quadro de auxiliares. Queriam Guelman, mas esse é inegociável, segundo o Palácio.- Hoje, 11 horas, Cassio deve falar dos resultados da viagem ao Japão e de questões administrativas e políticas.- Por sinal que aquele guarda da Diretran, que foi agredido pelos seguranças da Assembléia, precisa de benzimento forte, talvez um chuveiro de água benta: sobrou pra ele, outra vez, num bate boca de rua.- Há um zum zum por aí que o Cassio continua como o prefeito brasileiro de maior credibilidade.-
CROMO ‘‘Triste de quem não conserva// nenhum vestígio da infância//’’ Que beleza e profundidade nesse ‘‘Incompletude’’ de Mário Quintana. O pior é ver nas cidades que o menino de rua traz vestígios de maturidade indevida.
AFORÍSTICO Está ai: os deputados têm a CPI, mas por terem o hábito de desagradar o governo, permanecem em estado de perplexidade. Como os jornalistas de Portugal que, nas redações, pós-revolução, sentiam a ausência do censor. Ou melhor: não sabiam como fazer jornal sem aquela presença.

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