Por que é importante haver a CPI estadual do Banestado, mesmo que não haja a convocação dos seus dirigentes no Senado? Simplesmente por uma razão: a de pôr fim ao império da meia-verdade, às vezes uma sofisticação do boato e, a despeito dos seus efeitos corrosivos, que tem prevalecido em todas as crises daquela instituição.
Quando Lupion assumiu o governo pela segunda vez, estive, como jornalista, presente a uma reunião do secretariado, na qual ouvi o titular da Fazenda, o industrial Ivo Leão, dizer que o banco estava quebrado. Pode parecer que me encaminho para arteriosclerose, tantas as vezes que me referi ao fato e sempre com um propósito didático - o de defender o Banestado como valor permanente e não o foco ocasional dos picaretas da política. Pois virou uma espécie de mania à cada virada de ciclo político pegar no pé do banco, não bastasse o fato de ser alvo natural da fauna que se empenha em mamar seus recursos, como de resto sempre aconteceu.
Nessa reunião dos anos 56 (vejam a ironia: o último governador tinha sido um banqueiro, Adolpho de Oliveira Franco, um liberal de verdade, não daqueles que ao perderem uma eleição iam seduzir militares para o golpe), Ivo Leão pediu ao jornalista, ao saber da presença, que nada divulgasse. Aliás havia dois no local: eu e o Gauchinho, o saudoso Carlos Alberto Marques. O banco estava com dificuldades, mas não quebrado. Aliás, acusação feita a Lupion, na sequência, por força das ações de um interventor, Lamounier, que não teve como evitar a oferta em garantia de empréstimo, o que se deu outras vezes, de terras sob aberto litígio ou ‘‘griladas’’.
Se olharmos a história do Banestado veremos sempre, de forma impressionista, essas referências de meia-sola que são assim mesmo porque não convém aos que as exploram a verdade inteira. Assim foi com o caso da renúncia coletiva da diretoria, na gestão Paulo Pimentel, deflagrada por Jaime Canet e por Celso Sabóia entre outros. O que se soube à época é que não houve aceitação de um pleito de facilidades em favor do grupo Lunardelli. Pimentel habilmente nomeou para a presidência o Manfredini, originário do Banco Central. Jogada de mestre e irrepreensível, sem que se soubesse realmente o que havia ocorrido.
Mais recentemente Álvaro Dias, em cruzada moralista contra Richa, levantou aquela estória dos cisnes negros dados de presente entre as deformações do Banco del Parana. E Mário Pereira disse de Requião a saga do vendedor de cachorro quente em Ponta Porã em nome de quem se movimentava uma conta diária de US$ 1 milhão no braço paraguaio. Bruxas foram queimadas na fogueira da opinião pública (não esqueço da crueldade exercida contra Hidalgo e Juarez Saru entre outros) na discurseira udenista do governador Álvaro Dias que não se confirmaram na justiça.
Por isso, em nome daquele mínimo de zelo pelo banco, era indispensável que tudo ficasse claro pela primeira vez. Não será justo que amanhã muitos percam os empregos como já perderam as horas-extras em nome do enxugamento, enquanto não se conhece realmente o que houve com os R$ 237 milhões em precatórios e dos R$ 300 milhões em debêntures da Leasing. E afinal a inadimplência de que se fala, em créditos incobráveis, seria mesmo de R$ 800 milhões? O silêncio e a sessão secreta são ridículos diante do que se está divulgando.
BIZARRICE - Roberto Requião acusou Lerner de ser culpado pela solução dada ao caso Bamerindus. Na Boca Maldita um lernista soltou a piada de que os culpados eram Jaime e os ciclistas. Aí seguia a pergunta: por que os ciclistas ? Na sequência outra pergunta: e por que Lerner? Uma charge adaptada dos tempos das ações antijudaicas.
SPRAY - Não sai a CPI dos bancos, tentada por Requião e outros, mas o senador Suplicy conseguiu a convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e dos dirigentes do Banco Central para tratar da venda do Bamerindus. - Uma empresa nativa estava felicíssima com a suspensão do contrato que cedia à Inepar a construção da subestação da Copel (Renault). - Na presidência do TJ ainda não se decidiu pela anulação ou homologação do concurso público para oficial de justiça (PJ 1, nível 4) ocorrido há cinco anos. - Pendente, também, de consenso entre o desembargador Henrique Cezar, diretor do Forum Cível e Supervisor do Juizado Especial data e local para provas dos concursos para pessoal auxiliar dos juizados especiais cível e criminal de Curitiba. - O Banco Central faz auditagens e inspetorias de rotina no Banestado. Isso já vinha ocorrendo com a Leasing há bastante tempo. - Licença para construir prédio de três andares diante do lago do Barigui é a maior prova de que falta juízo à cidade e à prefeitura. Abra os olhos, Cássio, e feche essa porteira. - Colombo descobriu a América, mas o governo insiste em não descobrir Colombo, há um ano sem água e com o sistema de esgoto parado há anos e ainda por cima vendo a terra tremer com a exploração do karst pela Sanepar. Vai virar, se tudo continuar assim, calombo.
FOLCLORE 1 - Gustavo Fruet, vereador, distribuia um botton com uma ovelha para seus colegas de situação, sugerindo que, como clones do governo, agem com a passividade das ovelhas. Pelo jeito, em piada, Gustavo é clone do pai.
FOLCLORE 2 - Com a palavra Elísio Marques, advogado e anarquista: ‘‘A mosca-da-sopa da vez em Brasília é Requião, ‘homo impolutus’. Talvez, para livrar-se dele, e dos serafins e kleinubings adjacentes, a União, como ato extremo, acolha o pleito do delegado Oscar Pacheco e seus ‘kamikazes’ da campanha ‘O sul é meu país’ e a ceda ao desmembramento territorial rogado. Seremos, então, a República do Chimarrão.’’

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