Luiz Geraldo Mazza




Do metrô ao intercipó
Cassio Taniguchi, o prefeito de Curitiba, foi ao Japão. E um dos projetos que pretendia ‘‘vender’’ era o do metrô, na verdade não bem isso, mas um elevado que sairia do Pinheirinho em direção ao Atuba, exatamente no trecho da BR-116, onde 70% do tráfego é urbano. A idéia, desenvolvida no IPPUC, é criativa: a operação se faria no meio da pista (há variações de 8 a 100 metros no trecho) e visaria a integrar-se aos terminais existentes ao longo do percurso com as várias opções como os ‘‘ligeirinhos’’, convencionais, biarticulados.
Pelo jeito, a história do elevado não ‘‘colou’’ e então o Cassio retirou da pasta outro delírio da equipe de anos passados, o superbonde, já que este é mais robusto do que o VLT, Veículo Leve sobre Trilhos, abandonado e com bons fundamentos na gestão Rafael Greca, que preferiu a opção dos biarticulados.
Essa preocupação em não perder a oportunidade mostra versatilidade, mas acentua, de certa forma, a ausência de convicção. Afinal, quem sabe o que quer vai lá - e convenhamos que há talento para isso - e ‘‘vende o seu peixe’’, já que tudo empaca no problema do financiamento internacional. Como esse pessoal é criativo, há plena possibilidade de sacar uma genial: uma linha interparques (Barigui, Tingui, Tanguá, São Lourenço) na base dos cipós, como o Tarzan fazia em meio à floresta. Seria ecoturismo para ninguém botar defeito, mostrando como se pode revitalizar a ‘‘jungle’’, a selva densa, em meio à cidade.
Deixando de lado o pitoresco e o anedótico, é lastimável que autoridades, que viajam em missão importante a um país mergulhado numa crise enorme, como é o caso do Japão, atuem como se fossem ambulantes em praça pública diante da mala, que esconde uma cobra e um lagarto, onde está uma infinita gama de mercadorias, de calicidas a tira-manchas, de ervas menos tóxicas do que o Viagra a panacéias que tiram a gordura e afastam o demônio.
Uma curiosidade: e se a BR-116, no trecho imaginado para o elevado, for levada ao pedágio, a URBS vai ter que pagar royalties por usá-la. Mais ou menos o que corsariamente se pretende com os oleodutos e gasodutos. O Brasil é mesmo uma festa.

BIZARRICE
Agora, depois do incidente da Diretran no pátio legislativo, quando o helicóptero do governo passar pelo espaço aéreo da Casa vai ter que pedir licença. Assim também as aeronaves comerciais e as da Força Aérea.



MEMÓRIA O terrível Emílio de Menezes era duro nas caricaturas, acentuando a gordura, o defeito físico e até a questão da cor, no que, para os padrões de hoje, seria preconceito. De um gordo ele disse: ‘‘Tem uma proverbial sobrecasaca,// cujo pano daria, em cor cinzenta,// para o Circo Spinelli uma barraca’’. Mexe com a cor de Hemetério de Souza, educador, nos dois tercetos de um quase alexandrino: ‘‘Nagi fez da cor preta a cor reiúna.// Na vasta escala da ornitologia,// Se águia não é, também não é graúna.// Um amador de pássaros diria:// Esse Hemetério é um pássaro turuna,// É o vira-bosta da pedagogia.’’
AXIOMA E se a Emília Belinati segue a sugestão do Rubinho Ferreira, aqui já registrada, na primeira viagem ao exterior do Lerner, e demite todo o seu secretariado? Justiça poética demais para ser verdadeira.
GLOSA Por falar nos Belinati, eles são mesmo o objetivo dessa tal CPI que o Lerner e Aníbal Khury tentam reverter e desfazer e não conseguem, a respeito das transações entre a Prefeitura-Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam. Na verdade, já se prevê que a CPI pode até vir a ser instalada, mas deixará de operar por falta de membros, que deixão de ser indicados pelas lideranças.
Por trás disso tudo, o estilo inconfundível do Buda.
SPRAY Um grupo de engenheiros está pretendendo aprofundar essa história da desestatização da Copel e apronta um dossiê sobre alternativas.- Gente dos quadros históricos da companhia, ainda que aceite a inevitabilidade da tal privatização, está preocupada, pelo baixo nível de austeridade do governo (e aí estão os exemplos do Banestado, Jogos Mundiais da Natureza) com soluções que aviltem o patrimônio, que é de todos.- Uma das questões que se pretende colocar é a do exato valor das técnicas e até de cadastro, isso sem falar em originalidades da empresa, codificadas na Associação Brasileira de Normas Técnicas.- Daí o receio generalizado, diante do empenho entreguista do governo federal, de que se faça tudo a toque de caixa e sem uma avaliação correta do patrimônio. Percebe-se no governo estadual o anseio de botar a mão nesse valor para acertar o fundo de previdência e a quebra estatal.- Fechou anteontem, em quase 2.000, o número de aderentes ao Plano de Demissão Voluntária do Banestado. Isso mostra a falácia de sindicaleiros que previam tensões incontornáveis. Boa parte dos levantamentos do Banco Central está sendo drenada para o lugar exato: a Procuradoria da República. Não apenas os chunchos manjados da Leasing e da Corretora, como das demais dependências, dentre elas a Reflorestadora.- Um tal Comitê de Luta pela Ética e Moralidade pegou a briga dos guardas da Diretran contra o Aníbal Khury. Promete, em nota à imprensa, fazer chegar no dia 20 a José Gregori, o homem dos direitos humanos (a ser homenageado com o título no Legislativo), o caso de Cornélio Aguiar, que foi agredido por guarda-costas da Assembléia e que teria sido submetido a cárcere privado.- Pesquisa de abril, junto a 100 empresários curitibanos, feita pelo Instituto Bonilha, mostrou que os tópicos considerados ruins da capital seriam em primeiro lugar (41%) a burocracia prefeitural, em segundo a segurança (33%) e em terceiro o trânsito (30%). Olha aí ele de novo, o trânsito, que está provocando atritos entre Cassio Taniguchi e o presidente do Legislativo.-
FOLCLORE Aníbal Khury acha que tem sinal verde para regras urbanísticas (embora nem sempre se respeite as de urbanidade na Assembléia) no território livre do poder. Já os educadores de trânsito entendem que ele anda na contramão da história ao esforçar-se para evitar a eficácia do Código de Trânsito, que é nacional. O pior é que de tudo o que se vê, especialmente na Assembléia, é a sua incontrolável conversão à direita.
CROMO ‘‘Entre o luar e a praia// tua medida exata// e em meu céu desmaia // outra ilusão de prata;//sempre o amor me atraia// no azul da serenata:// -serás a antiga praia,// serei o luar de prata.’’ Saudades da poesia onírica, plástica, de Colombo de Sousa.
AFORÍSTICO Que tal fazer uma espécie de Relatório de Impacto Ambiental (Rima) junto aos políticos para apurar o efeito que eles nos causam, já que agem abertamente contra a nossa vontade?

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