Luiz Geraldo Mazza




O autoritarismo bufo
O exercício de autoritarismo do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, não fosse o seu lado dominantemente bufão, sugeriria ter sido adquirido por osmose daqueles mesmos militares que o apontavam como o impune e enquanto isso acontecesse o golpe de 64 não teria chegado ao Paraná. Tentar transformar uma atividade de rotina, a do controle de trânsito, em uma nova prerrogativa a juntar a tantas do Legislativo, é de um ridículo sem tamanho.
Aliás, a alegação não demonstrada de que se tratava de uma provocação de guardas da Diretran contra a lei de anistia de multas prova o nível primário, típico de 64 com a Antilei de Segurança Nacional, em que a presunção, o quanto mais paranóica, valia como prova material de ações subversivas. A prisão dos guardas, com a prática de exagerada violência, é uma evidência de quanto é pobre o nosso quadro político, e que o devemos, por certo, às omissões de Lerner, incapaz, como todos sabem, de qualquer enfrentamento.
Como há a intenção manifesta de tirar partido da situação e influir na mais importante eleição municipal do Paraná, a da Capital, Aníbal Khury vive, há horas, em provocação aberta contra Cassio Taniguchi, como se viu naquela manobra ridícula de ‘‘peitar’’ a eleição de João Cláudio Derosso na Câmara Municipal pelo vereador Ede Abib, usado pelo deputado de uma forma um tanto quanto desrespeitosa, para mostrar uma força que se revelou inócua e que deve ter contado com a tolerância da própria maioria, generosa ao poupar o guru de maiores constrangimentos.
Num raio de cem metros (seria o ‘‘mare nostrum’’?), portanto em território livre do Poder Legislativo, a polícia de trânsito não pode multar, quer os que estiverem irregularmente estacionados, quer os que trombarem ou se projetarem uns sobre outros, a não ser com autorização expressa. Moliére não sabe o que perdeu nascendo tão cedo.

BIZARRICE
Vinte e três dias depois do surto de cólera, o senador Roberto Requião vai até Paranaguá depois de amanhã para degustar frutos do mar e dar solidariedade à cidade. O Gerson Guelman já ganhou essa corrida há tempos.



AXIOMAHá coisas irritantes na área municipal. Agora tentam, lá no Japão, recriar o projeto do superbonde, quando Taniguchi pretendia ‘‘vender’’ a idéia do metrô (elevado). Pelo jeito, esse pessoal carrega várias alternativas e, se não emplacar nem o metrô e muito menos o bonde, dá para acertar o trem-bala.
Ou quem sabe um sistema de cipós, integrando a linha inter-parques.
GLOSASai Ney Braga da presidência da Comissão de Desestatização da Copel e entra Karlos Rischbieter. Já há outros na espera: Saul Raiz, um deles. Haja renovação de pessoas e idéias.
CATARANÁLerner está certo nessa história de não fazer pactos com catarinenses por causa da vinda da Ford. Pra começo de conversa, não há mais ‘‘grana’’ para entrar como sócio, como se deu com as outras e, desconfia-se, que, pelo menos na Região Metropolitana, a área está saturada.
Algo, porém, e mais sério, privilegia Santa Catarina: o fato de em Floripa haver os dois melhores cursos de graduação e pós-graduação em Enegnharia Mecânica e Engenharia Industrial.
Eis aí um motivo, outra vez, para os professores, que ontem elegeram a sua direção associativa na UFPR, refletirem sobre o nosso atraso em termos de centros de excelência com nossos vizinhos. O truque deve ser mais competência e aplicação do que política ideológica, naquele velho estilo do ‘‘aparelho’’. Um pouco mais de vida acadêmica, pesquisa, estudo, aplicação iriam bem.
SPRAYGoverno tentava ontem, atrasado como sempre, não se sabe se por método, acertar o problema da CPI no caso Prefeitura-Sercomtel-Banco FonteCindam e Copel.- O desgaste foi grande, principalmente depois da reação indignada dos Belinati e Lerner tentava remover os sedimentos, tarefa que Aníbal Khury buscou inutilmente desempenhar.- Falava-se que haveria um repique: fecharia o número de assinaturas da CPI do Pedágio, uma delas a de Antônio Carlos Belinati, o filho.- Havia outras pessoas interessadas em ‘‘melar’’ tudo fazendo com que se examinasse o que houvesse de possível da Copel como os contratos no setor da telemática, compra e venda de ações, enfim a fase mais ‘‘pragmática’’ da empresa.- Advogados, CUT, Pastoral da Terra tentam criar um ‘‘clima’’ em seu favor, hoje, em Querência do Norte, para esquentar a presença, nesta semana, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Mobilização, abaixo-assinado, forçando a idéia de movimento e isolando a PM. Desta feita, porém, o governo parece não estar disposto a recuar, o que muda o quadro, antes favorável aos sem-terra pela omissão oficial.- A prisão de militantes que buscavam assinaturas para manifesto contra a violência marcou o meio de semana e potencializou-se o assunto como se maior gravidade tivesse no Noroeste. Os presos foram soltos: eram um engenheiro agrônomo e uma estudante secundarista.- Daniel Snege, filho do escritor e publicitário Jamil, é um fotógrafo de talento e vai para a Espanha a fim de colher material para um álbum que trata das raízes do descobrimento do Brasil.- Hoje, 20 horas, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, fenômeno da TV brasileira, recebe a cidadania honorária de Curitiba na Câmara Municipal - Demonstrações de apoio à PM também vão acontecer, o que facilitará ambiente de conflito: guerra de manifestos, palavras de ordem, marcarão o dia. Lembra um pouco o pré-64: janguistas faziam comício e o outro lado replicava com procissões, cada vez maiores. Desta feita aposta-se na densidade das massas pobres -
FOLCLOREAtribui-se ao vice presidente Pedro Aleixo, bravo udenista, que deveria substituir o general presidente Costa e Silva e foi posto de lado, a frase, conformada e rimada, do seu testamento político: ‘‘Nada fiz, nada deixo: assinado, Pedro Aleixo’’.
CROMOFim de tarde em Querência do Norte: o sol desmaia na foice de um sem-terra. O sonho agrário dos espoliados é apropriado para mural portinaresco, mas a esperança é mínima: no céu pode pintar um balão da Coca-Cola e não o aguardado Espírito Santo. Vive-se com o que se sonha; sonha-se com o que se vive. Ou estaríamos todos sonâmbulos?
AFORÍSTICOO ritmo dos julgamentos no campo seria a causa da tensão permanente: em 1992 houve a tragédia de Campo Bonito (três PMs mortos, o líder Teixeirinha torturado, execrado e morto pela PM) e até agora o processo não andou. Pior: chegaram a arquivá-lo na Justiça Militar.

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