Luiz Geraldo Mazza
A CPI dos títulos estaduais, mesmo depurada do estrelismo, vai ser ruim para todos e dentro em pouco nem os mocinhos deixarão de exibir um pouco de vilania ou, no mínimo, de malícia. Em primeiro lugar, ao contrário dos que se imaginam as principais vedetes do espetáculo, o assunto não está interessando tanto o público: no Paraná apenas 16,8%, conforme pesquisa ISTOÉ-Brasmarket, se preocupam muito com a apuração e em Santa Catarina só 13,3% souberam dar explicações claras sobre o assunto. A despeito da exposição excessiva na mídia o fenômeno da entropia, devido à saturação, passa a impor-se e a tendência, em função disso, é a de frustração.
Com toda a aparição de Requião e seu esforço em comprometer o governo paranaense no processo, ele perde de longe de Lerner na sondagem: 32% acham que o atual governador foi o melhor gestor dos últimos 15 anos e apenas 18,8% deram a condição ao relator da CPI, enquanto 16,8% acharam que todos foram bons. Se Lerner e Requião disputassem a eleição de 98 ainda aí Lerner ficaria com 21,5% e seu principal oponente com 15,3%.
Mas a imagem de Lerner está afetada, tatuada. Não há como negá-lo. 54% acham que é culpado em parte, 5,5% que é totalmente culpado e apenas 12% o acabam inocentando. Vê-se, por aí, que os efeitos são do tipo chumbo perdigoto e isso até pode piorar na hipótese de os dirigentes do Banestado não se saírem bem na inquirição desta semana, o que poderá ocorrer especialmente com o ex- dirigente da Leasing.
Nesta semana há uma análise dos bastidores da CPI na Carta Capital de autoria de Bob Fernandes e que aponta o relator como o autor do maior número de vazamentos. O Cabral não vaza, mas temos um acordo: eu vazo e digo a ele pra quem vazei. Frase atribuída a Requião, bem como outra: Tô bem na Globo! O João Roberto Marinho tá me botando no ar seis vezes por dia. Seis vezes! Tô entrando por cima, e ainda bem, porque lá no Paraná o dono da Globo (Francisco da Cunha Pereira) não é meu amigo.
As concessões ao espetáculo, como já haviam admitido juristas, vão provocar nulidades e melar boa parte do trabalho de elucidação das maracutaias com os títulos estaduais, isso sem falar na coação exercida pelos inquiridores que ameaçam informantes ou indiciados de prisão, perjúrio, algo que contrasta com exigências mínimas do estado de direito democrático e que recomendaria, antes de tudo, uma postura menos envolvida e emocional dos senadores.
BIZARRICE - Jamil Snege, escritor e publicitário, passeia pelas ruas de Buenos Aires e de repente se emociona numa loja de esportes: lá estava a camisa do seu time, o Atlético Paranaense. Entra na casa e é informado que se trata do uniforme do Clube Atlético Portuguesa. Convence o lojista que há um equívoco, a camisa é atleticana. Dia seguinte passa pela loja e fica feliz ao ver que foi feita a correção e sai assobiando o refrão do hino atleticano.
SPRAY - Corrida a especialistas em direito público (Romeu Bacelar, Alir Ratacheski) por causa do aumento diferenciado de Lerner em favor do pessoal de nível superior. - Um dos itens da pesquisa ISTOÉ-Brasmarket sugere que Requião na CPI age exclusivamente na defesa de interesses do povo (42%). Mas 41,2% acham que age em função de interesses eleitorais próprios. - Um documento grosseiramente falsificado tenta sugerir transferência de milhões de dólares em favor de Requião. É ainda a consequência da CPI dos precatórios e o dono dos tais referenciais seria Luiz Carlos Ramalho, que diz morar nos States e operador no Paraná. Por US$ 800 mil daria os documentos e a senha de banco na Suiça. Quem com Ferreirinha fere, com Ferreirinha pode ser ferido. - A essa altura com o apoio do senador Tuma dá para pegar o falsificador. Não esquecer que um crime - aquele do economista da CPI do orçamento virou o fio da meada da maracutaia dos anões - e quem sabe, se com essa prisão do vendedor de informações se chegue a algo mais concreto. - Universidade Federal do Paraná contrata especialistas atuariais da Fundação Getúlio Vargas para ver o drama do Hospital de Clínicas e destitui a sua direção, como se responsável fosse pela crise. A instituição piorou muito com as eleições diretas que a transformaram num consulado dos grupos que formam alianças. - Um novo plano diretor para Curitiba (insisto que ele só deve ser feito em dimensões metropolitanas) vai ser examinado em seminário de 15 a 22 de maio, ainda tendo sequência em junho. Promoção da Câmara Municipal que com essa dá um descanso a títulos de cidadania, nomenclatura de ruas etc. - O deficiente é eficiente. Agite essa idéia. Quem está nessa batalha são deficientes visuais que visam através de fax e telefonemas que a população se manifeste pelo aproveitamento dos deficientes no Estado e Prefeitura da Capital. - Semana que vem inicia a mesa-redonda internacional Em busca de uma política urbana para o Estado do Paraná. Um alentado programa social precede a parte científica que examinará preocupações espaciais e política urbana, instrumentos de política e limitações fiscais, planejamento descentralizado e que tipo de política espacial?. Curitiba e a metrópole linear do norte (eixo Londrina-Maringá) serão visitadas para o enfoque.
FOLCLORE - O vereador do PDT, Jorge Bernardi, quer regular o trabalho dos que distribuem panfletos na rua, já que a matéria é proibida pelas posturas do município. Na rádio CBN foi lembrada a figura do apanhador de papel, aquele que juntava tudo o que aparecia nas calçadas e grama das praças. Houve até a música de carnaval A que vida triste e tão cruel/tem o homem que apanha papel/a sua profissão é um buraco/só pode ir pra casa depois de encher o saco!/ O que enche mesmo é a imaginação criadora dos vereadores.





