Luiz Geraldo Mazza




Uma briga intestina
Está aí o cúmulo das inconsequências desta quadra política regional: ontem saiu uma CPI inesperada no Legislativo - a da operação feita por Luis Eduardo Cheida, do PT, quando prefeito de Londrina, entre a Sercomtel e o já famoso FonteCindam, beneficiário recente de estrepulias cambiais com o Banco Marka. Na sequência, quando da aquisição de ações da empresa londrinense pela Copel ter-se-ia feito o ajuste de contas de forma não muito ortodoxa.
Não se entende como um assunto mais sério, de maior porte, como os decorrentes dos superfaturamentos do pedágio, não sensibiliza os deputados em favor até da transparência dos procedimentos, ainda que se saiba que as empreiteiras serão, outra vez, em 2000, uma das poucas fontes disponíveis de financiamento eleitoral. Ao lado, é claro, dos bancos e mais dos locadores de automóveis, das clientelas que gravitam em torno do poder e um pouquinho também do crime, ontem do ingênuo jogo-do-bicho, hoje dos desmanches.
Percebe-se que a manobra tenta objetivos imediatos e que podem alcançar não apenas o prefeito de Londrina, o atual, como a vice-governadora. Nada menos de 23 assinaturas foram levantadas rapidamente, num vapt-vupt, como se a turma estivesse empenhada em salvar o pai da forca. Curioso é que ninguém do PMDB topou a parada pra não entrar em ‘‘laranjice’’, risco mínimo que qualquer um corre na Assembléia, em que a maioria se dedica a exercícios cítricos e, é claro, foge, como um ‘‘punk’’ de um desodorante, do trabalho crítico.
Fala-se em irregularidades, superfaturamento, e toda essa onda que cerca a patologia do momento, o denuncismo, e que com propósitos desestabilizadores tenta obter faturamento político. Jamais haveria esse consenso se a coisa não fosse no mínimo sombria, estranha. O sombrio prevalece, a clareza, jamais. Como na lógica do Drácula que não pode se expor à luz.

MIMETISMO
Políticos do Paraná, especialmente os mais gordos, estão sendo ‘‘copiados’’ por ‘‘drag-queens’’ numa das ‘‘bocas noturnas’’. Há criações espantosamente talentosas



BIZARRICE O deputado Conrado Papalardo, do Paraguai, procurado no Brasil como um dos envolvidos no assassinato do vice-presidente Arga¤a, já quis comprar o Banco del Paraná em 1985. É a glória: nunca estivemos tão perto do ‘‘podium’’ mundial. De repente, a ‘‘quadrilha’’ passa ser a nossa dança oficial, mesmo longe das festas juninas. Mais isso do que salsa e merengue.
AXIOMA No caso da CPI para o trato Copel-Sercomtel fica visível que se trata de guerra intestina nas forças aliadas. Que pode virar intestinal e daí, direto, para o ventilador. Não deixa de ser purgativo.
GLOSA O presidente do Coritiba e o vice do Atlético, Ademir Adur, bateram boca na Rádio CBN. Aí o Adur chamou o Jacob Mehl de incompetente e este também não perguntou como é que está a Divalpar, corretora que aquele dirigia e que tem histórico bastante sugestivo no Banestado, inclusive nos títulos estaduais. Que não são de campeonato, como o último que o Atlético conquistou. Diga-se com muito talento e muita justiça.
BUFONERIA Aníbal Khury teve seu momento de glória com a Diretran: mandou prender os guardas que multavam carros mal-estacionados no pátio da Assembléia. Só que os anjos da guarda presidencial agrediram um dos funcionários, o que levou o guru a pedir desculpas ao ofendido, no particular, é claro. Bom: se a Otan pede desculpas quando faz matanças em massa não há outro jeito de agir diante de um incidente menor.
SPRAY Ney Braga, haja bom senso, foi poupado do constrangimento de ficar como refém do jogo de interesses do governo Lerner no caso da desestatização da Copel. - Seus filhos e amigos mais íntimos mostraram ao governador que Ney não está em condições de participar de uma situação dessas. Tudo com elegância, coisa que este governo não merece. - Deve, o governo, assumir integralmente o que está a aprontar: Banestado, Jogos Mundiais da Natureza, venda de ações da Sanepar, desmanche da Copel. Com seu time - e com a cara exposta. É o que o caráter recomenda. - Assessores do senador Roberto Requião sugerem que se faça plebiscito em cima da desestatização da Copel. Para desgaste seria ótimo, mas de nada adiantaria. - Quebraram o Estado: a prova é visível que todo o mês há um drama na hora de fechar a folha de pagamento do funcionalismo. Queimaram R$ 500 milhões em propaganda e mais de R$ 1 bi em participação societária com as montadoras. - Conclusão: se sem dinheiro eles conseguem tantos feitos, dá para imaginar o que não farão quando a folha de pagamento ficar sem os inativos. Se houvesse um alarme, como o do silvo da panela de pressão, nessas situações, já estaria apitando. - Sob protocolo 0811001601/98-87, tramita na Procuradoria da República do Paraná uma investigação sobre irregularidades na emissão de letras do Tesouro Estadual dos governos Álvaro Dias, Roberto Requião e Lerner. O secretário Giovani Gionédis, da Fazenda, alega, e neste caso parece ter razão, que houve remissão indevida de lei com erro de computador. - O Projeto Pinte a Liberdade do ministro Rafael Greca para os presídios, no estímulo à produção de material esportivo (bolas, redes) começou antes no Paraná: 18 presos se mandaram do 10º Distrito, Sítio Cercado. Mal cercado, como se vê. - Alunos de um curso de ciência política, todos jornalistas, fizeram trabalho sobre as viagens dos governadores e mostraram que Lerner até agora saiu 38 vezes, 28 para a Europa, Japão e States, e 10 para países do Mercosul. Antes dele, o que mais viajou se deslocou apenas quatro vezes. - HSBC põe em leilão 60 prédios do antigo Bamerindus, mês que vem. - Atenção, Conselho de Ética dos Jornalistas: vamos dar uma olhada na revista ‘‘Injustiça’’?
FOLCLORE Como deputado - estadual ou federal - virou mesmo um despachante, nada mais justo que Aníbal Khury mantenha a sua guerra no campo propício do trânsito. Antes embargou as obras das rotatórias do IPPUC, depois entrou naquela de anistiar multas e pontos e agora foi em cima dos guardas que cumpriam o seu dever legal, sob o fundamento de que estavam invadindo um poder, supondo uma provocação. Os bombeiros invadiram o poder quando, por descuido técnico da Casa, pegou fogo no prédio?
CROMO Abismo de rosas, o desafio do violão: a música é plástica, visível, como se orgânica fosse. Lembro do poema de Milano sobre música: ‘‘Se te colocam palavras, matam-te’’.
AFORÍSTICO E depois desse dia, altamente compensador, nada melhor do que imitar o rei Mitrídates, que tomava doses pequenas de veneno para vacinar-se e mergulhar fundo em megadosagem de Engov. Que náusea, que nojo!

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