Luiz Geraldo Mazza



Uma UDN requentada?
Propaganda eleitoral gratuita do PT, com a encenação do deputado Aloízio Mercadante na CPI dos Bancos, mostram que o partido tende a ser uma espécie de UDN requentada. PÁG. 2
As mensagens do Partido dos Trabalhadores na televisão mostram que tende, cada vez mais, para ser uma espécie de UDN requentada: a encenação do deputado federal Aloízio Mercadante na CPI dos Bancos deu saudade dos tempos de Carlos Lacerda e de toda a banda de música do Clube da Lanterna. Lacerda era um vulcão em erupção verbal, uma capacidade de argumentação poderosíssima, mesmo quando agia com base em presunções, como se fez agora com a suposição de ‘‘vazamentos’’ na virada do câmbio. Lacerda, com um tema desses, derrubava o governo, como acabou levando Getúlio Vargas ao suicídio em cima das denúncias de proteção à Erika no Banco do Brasil e que sustentava o jornal nacionaleiro ‘‘Última Hora’’, olhado com ódio pelos concorrentes defensores ideológicos, já aquele tempo, dessa empulhação chamada ‘‘livre empresa’’, e que na maioria dos casos mamam nas tetas do poder e em cartórios superprotegidos.
Vários dirigentes do PT já foram apanhados em situações que demonstraram, enfim, a obviedade de que é impossível, tão grandes os interesses, evitar sinais da corrupção que minam a vida brasileira ou deformações como a do nepotismo que descobriram em pecados veniais do Zeca do PT, do Mato Grosso do Sul. Aquele compadre do Lula, com suas firmas de consultoria na lida com os municípios, até parecia coisa patenteada aqui no Paraná com Jaime Lerner e a ação de curriola que caracteriza este governo, a mesma patota posando de sacerdotes do templo, embora boa parte deles tenha sido um fiasco naquilo a que mais se referem: a iniciativa das privadas, todos com carreira no setor público e depois desfrutando situações em decorrência da passagem pela direção de bancos e ministérios.
É uma pena que o nosso melhor partido, ou a nossa mais promissora hipótese de agremiação moderna, esteja em cima do moralismo primário. Isso não significa que o PT não deva denunciar. Ao contrário, essa é uma obrigação de todos, sem fúria, sem irracionalidade, para não repetirem o papel ridículo do Inspetor Clouseau feito pelo senador Suplicy no episódio dos anões do orçamento. O PT não tem igualmente a proposta alternativa para o quadro que aí está: sugere, às vezes, a idéia de autarquia em cima de um nacionalismo fanático e que só comove uma área militar fora do tempo e do espaço. Ou então, demagogicamente, vai na utopia regressiva do basismo agrarista, apenas para manter uma relação de parasitismo (seria o quê: comensalismo, saprofitismo?) com o MST, que de forma inegável mobiliza a pobreza, quando o partido faz mais sucesso nas classes médias e os pequenos burgueses, irados com a sua perda de posição nas mudanças de escala da economia.

CROMO
Quem ‘‘matou’’ Abel não foi Caim, mas o Ilan, de dezoito anos.



BIZARRICEO caráter deste governo está patente nessa suposta ‘‘homenagem’’ na comissão do desmanche da Copel a Ney Braga quando, na verdade, pretendia valer-se do seu nome e da sua imagem para pasteurizar uma operação de sentido duvidoso. Ora, o ex-governador é um homem emotivo, vive com intensidade a mínima homenagem que se lhe preste, e no caso iriam transformá-lo em coveiro da organização que acabou consolidando.
Mesmo que indispensável, a desestatização da Copel, como se argumenta, é preciso que o time que aí está assuma tudo o que está fazendo e não tente dissimulações pouco gloriosas. Passem a função para o vice, que é da casa, coisa que o Lerner não faz com a Emília, com quem nada partilha.
AXIOMAPor falar em Emília, o Rubinho Ferreira tem uma teoria forte. ‘‘Pela forma como Lerner trata a vice-governadora, ele não é candidato a presidente porque um dia vai ter de desincompatibilizar-se.’’ A respeito, lembra do caso de Ari Queiroz, que tinha tudo para dar um tombo em Álvaro Dias. Sugere, ainda, o Rubinho, que, na primeira viagem de Lerner, Emília mude o secretariado, o que obrigaria o governador a reduzir as suas escapadas ao exterior.
GLOSANo dia das mães, alguém da Universidade Federal distribuiu flores no Parque Barigui em defesa da tese de que ela deve ser o símbolo da cidade. Os áulicos do lernerismo estavam tão irritados que seriam capazes de transformar o jacaré numa bolsa, e com a marca Ika, ou num assento da Sundown.
ANALOGIAMais uma aproximação do PT com a UDN: além do moralismo, mais um elemento de conexão - o jurisdicismo. Só que um Adauto Lúcio Cardoso valia dez desses que estão por aí. E assim era com Pedro Aleixo, Bilac Pinto etc.
SPRAYTudo é cartel e ninguém vê: entre as funerárias de Curitiba há um que impede a concorrência, mas não os vexames das disputas de cadáveres. O caso no Rio de Janeiro, da antecipação da morte dos pacientes da UTI, restabelece a necessidade de refletir melhor sobre o assunto.- Outra de cartel: no bairro do Bom Retiro havia um supermercado, Jamari, absorvido nas transas recentes e, no momento, o público da região perdeu aquele espaço, embora dentro em pouco venha outro empório em seu lugar.- A transição do Banestado vai ser complicada porque, se todos os pedidos forem aceitos, os quadros gerenciais de primeira linha ficam sem 26 núcleos, muitos deles importantes como as agências Muricy, Centro Cívico, Comendador Araújo, Westphalen. O banco, que está pererecando, vai ficar bem pior. Não se recicla gerente com tanta rapidez.- Em compensação, cria-se uma expectativa de mobilidade social para os gerentes de área e de produtos que teriam oportunidade de ascensão. Esse foi um dos argumentos que seguraram parte dos quadros com dez a 12 anos de serviço, mais jovens e dispostos.- Volta a circular, esta semana, o ‘‘Hora H’’, cujo cardápio conta com showbiz, especialmente da TV, esporte e política. Rachando o tempo com o hotel-fazenda de Bocaiúva, Cícero Cattani não abandona o campo jornalístico.
FOLCLOREO PFL, pelo jeito, quer hegemonia: está impondo a dissolução dos seus diretórios em municípios em que o prefeito seja de outra agremiação, ainda que vinculada à aliança lernerista, como os do PTB e PPB. Isso é preparo para a eleição do ano que vem. Partido em elefantíase não dá certo, como se viu com a Arena, o PDS, antecessores desse PFL que está aí, e também com o PMDB, hoje dominado por uma uniliderança, a de Requião. Tudo bem: e se o Aníbal Khury, só pra perturbar, pula fora dessa Arca de Noé e arrasta prosélitos?
AFORÍSTICOSegundo uma ala dos sem-terra, que eles as tem que nem as escolas de samba, a desocupação mais urgente seria a de tirar o governador do Palácio. É que agora ele mudou de lado e deixou de favorecer as ocupações, e o pior é que está pensando em privatizar o MST, não lhe dando cestas básicas, obrigando-o a se virar como faz com o funcionalismo público.

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