Luiz Geraldo Mazza
Ford e Krupp, marcas internacionais, também são familiares e com raízes regionais, mas se habilitaram à sobrevivência na globalização. Empresas nacionais e, mais detidamente as regionais, sofrerão dificuldades com o alastramento da mundialização. O Brasil, por seu presidente FHC, posa de integrado a essa visão moderna, esquecendo que somos periferia e que nos daremos mal em tal processo, razão pela qual deveríamos aumentar o nosso poder de barganha e não extingui-lo deliberadamente, como fazemos no caso da venda da Vale do Rio Doce. Negar que aquelas reservas tenham algum significado é subestimar, por exemplo, o poder comercial, é lógico, dos produtores de petróleo.
Estamos marchando para o conformismo que sustentava os regimes coloniais. Só que naqueles os adelantados eram ao menos ousados, corajosos e marcados pela aventura e o risco. Hoje, não: o chefe de Estado num país como o Brasil cada vez mais se parece a uma espécie de capataz que fala em nome dos peões. Vide a última Medida Provisória que bloqueia o Poder Judiciário e temos aí uma prova do despotismo pouco esclarecido de que desfrutamos. Isso aí pode ser tudo menos democracia.
Parece incrível que as nossas entidades de classe não tenham se apercebido da gravidade e extensão do processo e acreditem que, por terem se informatizado, já chegaram ao Primeiro Mundo, panaquice igual ao do índio que entregava a terra em troca de quinquilharias, como se deu em várias partes do mundo.
O governo oferece condições excepcionais em termos de imunidade fiscal, oferta de áreas para construção e infra-estrutura e assiste, impotente, à quebra ou à decadência de empresas regionais. O pior é que, em nome da chamada livre iniciativa, dá ao investidor internacional o que não tem condições mais de ofertar ao regional ou nacional. O pior é que fala - e o governador Jaime Lerner insiste em fazê-lo - em nome de uma estratégia que jamais teve, pois essa não pode se limitar a riscos num papel em branco em cima de uma garatuja do mapa estadual.
Estamos dando um salto espetacular com as montadoras e outros empreendimentos industriais, que deverão aparecer em outros pontos territoriais, inclusive ao norte, o que dava margem a justas reclamações. Mas inexiste uma idéia-força interna para defender o empresário autóctone, tal qual se repete, no caso da agricultura, onde há mais empatia, por força do oportunismo político, aos sem-terra do que à agricultura familiar, cada vez sob maior risco. Aquele que emprega e que produz tem menos charme do que o que está exposto à luz da mídia e da Igreja e que simboliza o excluído, como se dentro em pouco os pequenos e médios produtores de todos os setores não estivessem também sujeitos à exclusão.
Depois do caso Bamerindus, que era organização capilar com extensão nacional e até internacional, ao governo caberia reflexão sobre que medidas poderiam ser desencadeadas para preservar a dimensão regional do desenvolvimento paranaense. Ficaria estranho em que no momento em que mais concede vantagens ao capital transnacional o fizesse em detrimento do empreendedor nacional e regional. Não se trata de salvaguarda e de muleta, como se raciocina na tradição assistencialista, mas de identificar os problemas, antecipar-se e estimular o crescimento autosustentado.
Seria trágico, para dizer o mínimo, que botássemos em risco, por exemplo, o nosso modelo de cooperativismo, um dos mais eficientes de todo o hemisfério, abrindo facilidades irresponsáveis para a concorrência em nome da atualidade e da troca de elogios como os do presidente da França e dos Estados Unidos da América do Norte e que, de repente, conservam, a despeito de todo o cenário moderno, uma adaptação estilizada do neocolonialismo, aquela suspeita honraria do suserano aos vassalos no regime feudal.
BIZARRICE Jorge Khury, irmão do Aníbal, grande frasista, assim se refere à soma de poderes do presidente da Assembléia: Isso se dá menos por empenho dele do que por gravidade. São os que o cercam e os que dele se aproximam que concorrem para isso. Jorginho foi um dos articuladores da revolução que derrubou Jango ao lado de Carlos Lacerda e com ele acabou cassado.
SPRAY O PPS, o partido comunista de baixos teores, está fazendo uma análise dos efeitos da globalização em termos regionais como o desaparecimento ou aniquilamento de grupos como os da Ika, Móveis Cimo, Pianos Essenfelder etc. E faz uma advertência sobre a globalização da moda: E se o dono do empório resolve fechar seu armazém aqui?. - Aliás, algumas que estão vindo para cá, tal é o caso da Renault, que teve o exercício de 96 no vermelho, fecha unidade industrial na Bélgica e atrofiou, com medidas de enxugamento, outra na França para abrir uma em Curitiba, de sintonia fina e última geração, com empregados ganhando um terço dos demitidos na Europa. Isso é globalização, que reclama uma nova campanha internacional em defesa do trabalho, cada vez mais marginalizado como fator de produção. - No início de abril, teremos em Curitiba, Londrina e Maringá, de 7 a 11, uma mesa-redonda internacional sobre desenvolvimento urbano (aborda especialmente a metropolização na Capital e ao norte) promovida pelo governo estadual e com patrocínio do PNUD - Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento. - Amanhã no Buffet Du Batel o jornal Diário Popular de Abdo Aref Kudri, faz a festa dos melhores do ano de 96 no 35º aniversário da promoção. Governo, oposição, neutros e indiferentes vão estar presentes, tal qual se dava nos jantares que o saudoso Ali Bark promovia todos os anos no Clube Curitibano, reunindo mais de três mil pessoas.





