Luiz Geraldo Mazza




O show da CPI
O clima criado pelas CPIs é o de linchamento: como as sessões são transmitidas pela televisão, não há como evitar o estrelismo. Segundo os senadores, o deputado Aloízio Mercadante (aquele que elogiou como criativa a medida de sua colega Zélia de Mello ao congelar os ativos financeiros) não trouxe nada de novo, pois a tal lista dos que ganharam com a máxi era de todos conhecida.
Não é difícil criar um estado de execução sumária, como já se fez com Collor de Mello, de quem, pelo menos até agora, nada se provou, posto que a maioria da população esteja convencida de que valeu a pena derrubá-lo. É possível até que seja verdadeiro esse propósito, mas poucos resistem a uma pressão como a do momento e que tenta, por todos os modos, atingir o presidente FHC. E não é por aí que se constrói uma ordem democrática.
A maioria das CPIs fez sempre muito barulho, promoveu seus integrantes, como se deu com a dos precatórios, mas não solucionou os problemas para os quais foi instalada. Se tudo dependia do Ministério Público, como se diz, elas não precisavam ser instituídas.
É verdade que as CPIs ‘‘lubrificam’’ os canais institucionais: o Tribunal de Contas da União só agora, depois de toda a onda da CPI do Judiciário, decidiu punir o ex-presidente do TRE de São Paulo, obrigando-o a devolver, ao lado de outro ex-dirigente e das construtoras, mais de R$ 50 milhões ao erário. Também é chocante o caso do corregedor do Tribunal de Justiça do Amazonas, desembargador Daniel Ferreira da Silva, acusado de dar alvarás de soltura a traficantes em troca de R$ 20 mil a R$ 30 mil. Ainda que haja o risco de confundir a árvore com a floresta nesses casos, já que acreditamos constituir exceção e não a regra, o fato é que isso acaba ‘‘legitimando’’ a CPI, que é ilegal, por força do Regimento Interno da Câmara Alta. E de certa forma revitalizando a tese, aliás necessária, do controle externo do Judiciário. Se a Corregedoria é a instituição apropriada para o autopoliciamento, o exemplo amazônico desmonta o rigor da tese autogestionária, ainda que se trate de caso isolado.
Ademais, para elidir as razões do Judiciário, quanto à impropriedade da ação do Senado há uma razão singela: o País está vivendo sob anomia, com falta de referenciais do mundo legal. A impunidade é uma prova, seja no caso de abusos do governo (suspeita do vazamento de informações do Banco Central) ou no das violações visíveis nas ações do Movimento dos Sem-Terra, também desencadeadas em nome do imponderável: o direito alternativo e a ‘‘justiça’’ popular, este um velho cacoete fascista, vermelho ou verde, mas fascista.
FILIGRANA
Pitbull vai ser proibido porque é fera. Amansaremos apenas com amor os rebelados da Febem, continuaremos como reféns da Polícia vinculada ao crime e quantos lances das autoridades monetárias suportaremos?



BIZARRICEA turma de Lerner provocou vários furos no barco estatal e que ora ameaça afundar, pois adernado já está. Há gente babando para vender a Copel e calafetar os buracos na embarcação. A sociedade vai reagir à imprudência. E colocar Ney Braga na comissão é, antes de tudo, uma safadeza, da qual, espera-se, o maior governador de todos os tempos tire o corpo fora para não legitimar uma operação de saneamento, no mínimo suspeita. Esse pessoal do governo que assuma todos os ônus da aventura, já que ficará com os bônus.
AXIOMAAs gangues juvenis cercam as escolas, penetradas pelo mundo da droga, e o Conselho Estadual de Educação recomendava que não se procedesse a retirada de alunos com desvio de conduta da sala de aula e também que as direções não estimulassem as transferências. Conselheiros etéreos: clamam por Pestalozzi e por Maria Montessori quando os alunos já pensam em portar mísseis no interior das escolas. E essa gente quer reger a educação, à distância, é claro, do ‘‘front’’ e do ‘‘olho do furacão’’.
GLOSAHá culpados nessa história do edifício condenado do Fórum no Centro Cívico? E como aqui tudo se acerta no compadrio ninguém apura nada.
De saída, há ali um problema inaceitável: a incompatibilidade arquitetônica ante o estilo leve, dominante, de todo o complexo, prova também que não está funcionando o Plano Diretor da área.
SPRAYQuando o governo Lerner se assanhava para leiloar a Copel, veio uma forma inesperada de reação: várias pessoas, entre amigos e parentes, procuraram Ney Braga para desaconselhá-lo a incluir na sua biografia a condição de ‘‘coveiro’’ da maior empresa paranaense. - Ney Braga reflete e só com isso já bota em desespero os interessados nesse mega-desmonte. Alguns dos ex-governadores, dentre os quais José Richa, não concordam com a privatização. - Emília Belinati, vice-governadora, no Aeroporto de Londrina, perguntada sobre o assunto foi clara: ‘‘Jamais fui ouvida’’. Ela, que substitui o governador globetrotter, não foi ouvida, e que poderá amanhã tomar alguma decisão sobre o assunto, dá a entender que a ordem é vertical. - Aníbal Khury ameaça resistir. Espera-se que dessa vez não haja encenação, dada à seriedade do tema. - PTB nem parece minado por uma crise interna e está entusiasmadíssimo para eleger amanhã o primeiro diretório feminimo com a eleição da chapa ‘‘Emília Belinati’’. - O release, quanto mais bem feito, mais desonesto: a patrulha escolar, segundo um desses comunicados pré-encolhidos, teria reduzido as ocorrências criminais no âmbito periescolar. Os incidentes teriam caído para apenas quatro em lesões corporais e cinco para danos nas escolas no primeiro trimestre. Só entre março e abril diretores de 12 escolas solicitaram batidas de envergadura em busca de armas e drogas em unidades curitibanas. De leve. - Conselho Regional de Economia do Paraná apóia iniciativa da entidade do Rio para levar o economista e ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, a julgamento ético. - Como há advogados querendo igual julgamento de senadores da área profissional, que tomam posturas policiais na inquirição, vai ser muito divertido. Pedagógico, no mínimo. - Luis Eduardo Sebastiani, presidente do Corecon-PR, vai expor no Rio a experiência do ‘‘Fórum do Orçamento’’.
FOLCLOREPrimeira consequência do Plano de Demissão Voluntária do Banestado: pelo menos 15 agências de Curitiba vão ficar sem gerente. O banco, que já é ruinzinho, fica pior. Aliás como tudo nesses tempos, apesar da fortíssima propaganda, aquela que faz festa até em cima da cólera.
CROMOTraído pelo daltonismo, não listei entre as ruivas deste jornal a Simone Mattos e a Maria Elisa Carneiro, ambas brincando de Prometeu que roubou o fogo dos deuses o que elas fizeram com o sol, deus mitraico.
AFORÍSTICOSe os ex-governadores forem contra a desestatização da Copel vai ficar mal para Lerner levar o seu plano (de desmonte) avante. Imaginem se Ney Braga tira o time. Aí o Gionédis assume a presidência. Pelo menos fica tudo mais coerente e apropriado.

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