Luiz Geraldo Mazza



ACM de campanário
Há quem faça analogia entre o nosso Aníbal Khury e o ACM. Ambos frutos do autoritarismo que acompanha o patriarcalismo, ACM é nacional, Aníbal Khury é regional. Uma coisa em comum os identifica: manter o poder sob pressão e sob o fogo das ameaças. AK jamais pediria uma CPI do Judiciário porque poucos entendem de cartório como ele, atuação que manteve até quando sob cassação. ACM o faz porque ao público, primário em maioria, isso demandaria coragem, o que não é bem o caso.
FHC obviamente é mais resistente a ameaças do que Lerner, razão pela qual o guru, até pela ausência, com esse seu recesso encenado, amedronta o Palácio com jogadinhas para chamar a atenção como essa de sair do PFL. Jamais faria isso com Munhoz da Rocha, Álvaro Dias e Roberto Requião. E muito menos ainda com José Richa, muito afeiçoado ao ‘‘Turco’’, que removeria transtornos numa mesa de quibes e tabules ou ainda num jogo de tranca. E Richa era, sobretudo, um ameno, incapaz de explosões.
Mas Lerner vai além, muito além, da amenidade para aproximar-se daqueles estados psíquicos da catatonia, em que o paciente se transforma numa estátua, imobilizado, como se estivesse tomado pela tal da síndrome do pânico. E quem acaba pagando o pato é o prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi, contra quem se ergue uma campanha orquestrada por causa das multas no trânsito como se estivessem levando a população ao desespero e não se tratasse de mero cortejamento popular mais do infrator do que do injustiçado. Toda a conspirata de olho na sucessão, já que nas forças aliadas não há candidato melhor do que Cássio e aos articuladores de opereta não é difícil recorrer à ameaça de que Roberto Requião vem aí para lavar a égua, embora o senador prefira um dos irmãos a correr o risco de ser sepultado numa eleição menor.


GLOSA
Este não é apenas o governo do ócio, das viagens e da curtição. É também o dos negócios e quando se trata desse assunto sagrado aí se nega o ócio



BIZARRICE O governo pretende mandar uma de suas executivas ao Exterior para aprender marketing político. Aí um palaciano observou:
- Depois de um treinamento ela volta que nem o Fábio.
- Sabida, competente, maliciosa?
- Não. Barbuda.
AXIOMA Na agência do Banestado a fila era grande e o nervosismo maior. Entre os caixas discutia-se o Plano de Demissão Voluntária. Um correntista observou: ‘‘quem deveria entra nesse PDV somos nós, os clientes’’.
FILIGRANA E depois não querem que a população sofra da síndrome do pânico: você está no trânsito e de repente vem um carro de polícia atrás, e quando foge dele teme que os demais ou sejam descaracterizados da polícia ou assaltantes.
EPIGRAMA O Aníbal Khury, até dormindo tira o sono do governo. Temem os seus sonhos que no momento parecem francamente oposicionistas. Que paranóia!
SPRAY Duas pessoas, de forte representatividade política, decidiram apoiar o jornalista Luis Fernando Fedeger, que sofre o cerco do governo tentando impedir a publicação do seu semanário: Abdo Aref Kudri, que cedeu as oficinas do ‘‘Diário Popular’’, e o prefeito de Londrina, Antonio Belinati. - Aliás, permanece sem resposta a interpelação de Kudri, como presidente do sindicato de jornais e revistas, sobre os R$ 500 milhões gastos em propaganda. O pior é que o Tribunal de Contas não se dá nem por achado nesse assunto, apesar da gravidade do ‘‘rombo’’ que ajudou a quebrar o Paraná. - Tanto em ações locais como na instância superior aparecem numerosos processos, a maioria contra o Estado, do escritório Pereira Gionédis, muitos deles com procuração a Giovani Gionédis. - O Paraná vai bem no futebol, conforme o ‘‘ranking’’ do jornal ‘‘Lance’’: o Coritiba é o oitavo da lista encabeçada pelo Palmeiras e o Atlético é o décimo, cuja posição deve melhorar em função da Copa Brasil. - Se o Eduardo Requião, mano mais velho do Roberto, for bom administrador público quanto é de restaurante, pode ser candidato a prefeito. Seu restaurante é o regra 3 do mineiro ‘‘Gerais’’, na frente do Sesc da esquina. - Há ‘‘ilhas’’ no governo Lerner: Miguel Salomão, Lubomir Ficinski, David Campos e agora o nosso intrépido Carlos Marassi. - A Assembléia não funciona se o Buda não está lá. Eis aí um dos casos em que cabe a definição do ex-deputado federal Jorge Khury sobre a força do seu mano, Aníbal: o seu poder é por gravidade. Cabe no caso o temor do governo Lerner que tanto o alimenta. - A documentação sobre o pedágio nas mãos do deputado Péricles Holleben de Mello é séria e se não pegar para a CPI serve para fundamentar ação popular. Segundo ele as empresas, na verdade, vão investir menos do que o governo gastou com propaganda. - Saiu o número 1 da revista ‘‘Cidades do Brasil’’ , de circulação dirigida, pertencente ao publicitário Pier Massimo Nota. Ontem, na Boca Maldita, havia o lançamento de outra publicação chamada ‘‘Injustiça’’. Apelo nada tem a ver, pelo menos aparentemente, com a CPI. - Aliás, ontem a CBN nacional teve um feito, discutível eticamente, mas curioso: no estúdio, o ex-genro ia analisando a fala do ex-sogro e ex-presidente do TRT de São Paulo.
FOLCLORE 1 Segundo consta, o senador Roberto Requião teria aproveitado a visita da rainha da Dinamarca para mais uma das suas tiradas ao afirmar que é mais fácil sentir algo de podre nesse reino do que no daquele país. A piada é em cima da frase de ‘‘Hamlet’’ de Shakespeare ‘‘há algo de podre no reino da Dinamarca’’. Hamlet era príncipe de Elsinor.
FOLCLORE 2 Arthur Teóphilo de Castro, halterofilista e filósofo, ouvia o papo de um arrogante cronista esportivo em torno do seu propalado conhecimento pelo número de horas de Maracanã, mais a das Copas do Mundo e assim por diante. Ele replicou dizendo que conhecia um cavalo que também atuou em vários hipódromos do mundo e que não entendia patavina de turf.
VINHETA Mário Celso Petraglia, dirigente do Atlético e da Inepar (a paixão é nessa ordem e a razão o inverso), nunca mais se mete em campanha eleitoral, ele que foi entusiasta na carreira de Lerner desde 1985 e que na última já ficou de fora. A sequela do caso ‘‘Correio de Notícias’’ é um dos aborrecimentos: era radicalmente contra o uso do jornal na campanha de 1994 e chegou a ser apontado, na briga societária, depois do pleito, como um dos seus donos, o que nunca foi verdade.
CROMO Ontem o colibri, energia imanente, pilha inesgotável de bailarino; hoje a borboleta papaná, uma asa azulada, outra esverdeada, na janela. Contemplo-os como a Luciana faz com seus aquários e peixes. Copiarei sua serenidade?
AFORÍSTICO Prova de que não tempos imprensa investigativa: o governo tascou as vagas de emprego, com jeito de virtuais, e ninguém foi ouvir o Dieese.

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